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Acções do BCP valorizam apesar de dúvidas do Haitong

As acções do BCP estão a reagir em alta ao parecer positivo da administração à entrada da Fosun no capital do banco. É a recuperação em bolsa após três dias de perdas. O banco português e o grupo chinês seguem agora as negociações.

Nuno Amado AG BCP
Nuno Amado AG BCP Miguel Baltazar
15 de Setembro de 2016 às 09:49

A Haitong tem dúvidas sobre se o montante da capitalização da Fosun no BCP é suficiente para permitir a devolução de toda a ajuda estatal recebida pelo banco em 2012. O que não impede que as acções tenham começado a sessão desta quinta-feira, 14 de Setembro, em terreno positivo, depois do sim da administração do BCP a negociações, a terem lugar até ao final do mês, para a concretização da entrada dos chineses no banco.

"Sublinhamos que os cerca de 425 milhões de euros [valor total para a Fosun ter 30% do banco] correspondem a uma quantia reduzida no contexto dos 750 milhões de euros em CoCos que o BCP tem de reembolsar ao Estado e ainda, na nossa perspectiva, as potenciais necessidades adicionais de provisões", analisa Carlos Cobo, do Haitong Bank, na nota emitida hoje.

Carlos Cobo admite, ainda assim, que a entrada da Fosun irá ajudar a negociar o reembolso dos Estados com o Banco Central Europeu (BCE). Só tem dúvidas sobre o auxílio para uma devolução total. O BCP tem ainda 750 milhões de euros em CoCos para pagar: já pediu ao Banco Central Europeu a devolução 250 milhões de euros mas ainda tem 500 milhões por pagar.

Neste momento, o aumento de capital do BCP que a Fosun quer reservado especialmente para si, e que permitirá ter 16,7% do capital, envolve o pagamento de 236 milhões de euros. Mas os chineses ambicionam poder chegar a um patamar de até 30%, o que envolverá um montante até 500 milhões de euros (exactamente 425 milhões, segundo o Haitong). Carlos Cobo vê, na entrada do grupo que já detém a Fidelidade e a Luz Saúde, a possibilidade de dar ao BCP mais flexibilidade financeira.

Só que, para a Haitong, há ainda provisões a registar no BCP apesar de, nos resultados do primeiro semestre, os prejuízos incorporarem já um provisionamento elevado.

Acções somam após três dias de quedas.

 

Neste momento, e num dia negativo em Lisboa, o banco liderado por Nuno Amado está a contrariar e a ganhar terreno.

O BCP soma 1,05% na Bolsa de Lisboa, estando a negociar em 1,8 cêntimos por acção. A valorização ocorre depois de três dias de quedas. 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 

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