Crédito Turismo e investidores não residentes são os motores do imobiliário

Turismo e investidores não residentes são os motores do imobiliário

Apesar do aumento das novas operações, não tem sido o financiamento bancário o principal motor da expansão do imobiliário, conclui o Banco de Portugal. Grande parte das operações tem sido concretizada a pronto.
Turismo e investidores não residentes são os motores do imobiliário
Raquel Godinho 06 de junho de 2018 às 13:07

A forte dinâmica do mercado imobiliário tem sido impulsionada pelo turismo e pelo investimento de não residentes, conclui o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal. Já o financiamento bancário, apesar de estar a recuperar, não tem sido o principal motor desta evolução.


"O forte crescimento dos preços do imobiliário residencial e, em menor grau, do comercial, tem sido impulsionado pelo turismo e pelo investimento directo por não residentes, podendo a sua inversão alterar esta dinâmica", destaca o Banco de Portugal. Estes investidores não residentes são, em geral, fundos.


"Não existe evidência de que o crédito bancário interno esteja a ser o determinante primordial do aumento dos preços no mercado imobiliário em Portugal", refere o Banco de Portugal. No ano passado, apenas cerca de 40% das transacções foram financiadas com recurso ao crédito, uma percentagem que ascendia a 65% em 2009.


Mas, sublinha o supervisor, apesar de os bancos nacionais não serem os principais dinamizadores desta evolução no mercado imobiliário, uma eventual descida acelerada dos preços teria efeitos negativos no sector bancário.


No Relatório de Estabilidade Financeira são identificados essencialmente quatro factores que contribuíram para o aumento da procura de imóveis residenciais: a melhoria do rendimento das famílias e redução do desemprego; as condições favoráveis de financiamento, reflectidos num baixo nível das taxas de juro e num menor grau de restritividade dos critérios de concessão de crédito; a forte dinâmica do turismo, em particular do alojamento local; e a procura por não residentes, em parte associada a autorizações de residência.


O maior peso do turismo e dos investidores não residentes torna, contudo, esta dinâmica vulnerável a alterações da percepção de risco a nível global.


O Banco de Portugal antecipa que o surgimento de eventos geopolíticos e económicos, nomeadamente a imposição de medidas proteccionistas, poderá levar a uma reavaliação expressiva dos prémios de risco a nível global. E isso poderá desencadear um conjunto de consequências negativas que acabará por ter reflexo nos preços.


"O abrandamento da actividade económica nacional, em particular a redução do rendimento motivado pela quebra de receitas associadas ao turismo e à dinâmica do alojamento local, poderá conduzir, numa primeira fase, a dificuldades por parte dos mutuários no cumprimento do serviço da dívida e, numa segunda fase, a venda de activos imobiliários e consequente efeito na correcção em baixa dos preços", frisa o Banco de Portugal.




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