OPEP+ mantém inalterado o nível de oferta de petróleo
Os oito países reafirmaram a sua decisão de 2 de novembro de suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março de 2026.
A aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, decidiu este domingo manter inalterado o nível da sua oferta conjunta de petróleo, que representa quase metade da produção global, pelo menos até 1 de abril de 2026.
Os cortes vinculativos de produção introduzidos no final de 2022, que somam dois milhões de barris por dia de crude, mantêm-se em vigor "até 31 de dezembro de 2026", conforme decidido na conferência ministerial anterior, confirmaram os ministros do petróleo dos 22 países membros da aliança na sua declaração final, publicada no site da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
A decisão, ratificada em teleconferência, não inclui quaisquer potenciais aumentos de produção com os quais oito dos seus membros possam concordar, dado que esses países pretendem concluir a devolução ao mercado dos barris que retiraram voluntariamente em 2023 e 2024 para sustentar os preços.
Estes países - Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã - têm vindo a acordar aumentos mensais na sua produção de petróleo desde abril passado. O último aumento, de 137 mil barris por dia, entra em vigor na segunda-feira.
No total, se cumprirem o acordo, terão aumentado o seu fornecimento de petróleo em aproximadamente 2,9 milhões de barris por dia até dezembro, o que representa cerca de 2,8% da produção mundial.
O grupo tem ainda pouco mais de um milhão de barris por dia para reverter as reduções, mas na sua última reunião decidiu suspender os aumentos de produção durante o primeiro trimestre de 2026, medida confirmada este domingo numa teleconferência.
"Os oito países participantes reafirmaram a sua decisão de 2 de novembro de 2025 de suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março de 2026", declararam os respetivos ministros, em comunicado.
No que diz respeito aos volumes que ainda mantêm voluntariamente reduzidos, afirmaram que estes "poderiam ser revertidos parcial ou totalmente", sempre de forma gradual e "dependendo da evolução das condições de mercado", e que continuam a reunir-se mensalmente para avaliar a situação e, potencialmente, reajustar as quotas de produção.
O aumento da produção implementado este ano representa uma mudança estratégica para a aliança, que visa recuperar parte da quota de mercado perdida devido aos cortes, e contribuiu para a tendência de queda dos preços do crude, que se distanciaram bastante dos picos de mais de 80 dólares registados no início do ano.
Segundo os analistas, os barris adicionais produzidos pela OPEP+ alimentaram os receios de que a oferta supere a procura enfraquecida num setor marcado por uma incerteza significativa devido a vários conflitos geopolíticos, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia à escalada das tensões entre Washington e Caracas.
Na sexta-feira, o preço do barril de Brent (que é referência para a Europa) para entrega em janeiro caiu 0,22%, para os 63,20 dólares. A mesma tendência seguiu o WTI (West Texas Intermediate), uma referência global e o principal ponto de referência para o preço do petróleo nos Estados Unidos, que fechou a cair 0,17%, para 58,55 dólares.
Estas quedas acontecem numa altura em que há a possibilidade de haver progressos num acordo de paz entre Kiev e Moscovo, o que poderia levar ao levantamento das sanções ocidentais contra a Rússia.
A próxima conferência ministerial de toda a OPEP+ (OPEP e aliados) decorre em 7 de junho de 2026.
A OPEP foi fundada em 1960 em Bagdad pela Arábia Saudita, Venezuela, Irão, Iraque e Kuwait. Em 2016, o grupo acordou cooperar com outros 10 países, entre eles a Rússia, México Cazaquistão e Azerbaijão, criando a aliança OPEP+.
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