Obrigações de alto rendimento - Os riscos estão à espreita

A actual crise financeira fez subir a probabilidade de incumprimento do crédito pelas empresas. Nem os juros mais atractivos das obrigações “high yield” poderão ser suficientes para compensar o maior risco do investimento.
Patrícia Silva Dias 09 de Maio de 2008 às 10:27

Foram nos últimos anos uma forma privilegiada para procurar obter maiores retornos no mercado da dívida. Num ambiente de baixas taxas de juro, os juros mais elevados oferecidos pelas obrigações de alto rendimento, designadas por “high yield”, justificaram a maior exposição a este tipo de activo. Contudo, a actual crise no mercado de crédito - “subprime” - veio alterar as perspectivas. É que o risco de investir em crédito de menor qualidade ameaça ser demasiado elevado.

Porque as obrigações de alto rendimento são emitidas por empresas com baixa notação financeira (“rating”), existe uma elevada probabilidade de o emitente não cumprir com as obrigações financeiras, como falhar no cumprimento dos cupões, que são uma das grandes mais-valias de assumir o risco e investir neste tipo de dívida. É que para captarem financiamento nos mercados, as empresas comprometem-se em pagar juros mais altos.

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Nos últimos anos, o risco acrescido até compensou. Numa conjura económica favorável, de crescimento dos resultados das empresas e de baixas taxas de incumprimento, as obrigações “high yield” ganharam novo fôlego junto dos investidores e das instituições, estimulando, em particular, a expansão da actividade de fusões e aquisições.

Mas, tomada pela mão da crise do “subprime”, a conjuntura actual sofreu uma significativa inversão de tendência. As empresas enfrentam maiores dificuldades em financiarem-se, ao mesmo tempo que aumentaram os níveis de incumprimento do crédito. Mais grave, é o facto de esta conjuntura não parecer ter fim à vista, segundo as agências de “rating” internacionais.

Ainda há poucos dias, um relatório da Standard&Poor’s alertou para a forte aceleração das taxas de incumprimento de crédito nos Estados Unidos, nos primeiros três meses do ano. Período em que empresas com 8,8 mil milhões de dólares em dívida entraram em situação de incumprimento, devido a perdas provocadas pelo  “subprime”. Um valor que a agência acredita que irá aumentar. “O incumprimento poderá ser bastante mais pronunciado e severo, especialmente se a recessão [nos Estados Unidos] for mais profunda e prolongada que o esperado”, sublinha a agência.

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Na Europa, as perspectivas estão longe de serem mais tranquilizadoras. Também na última semana, a agência Moody’s alertou para a “queda alarmante da qualidade de crédito das empresas europeias”. No primeiro trimestre do ano, a agência emitiu 32 “outlooks” negativos para companhias europeias, enquanto apenas 11 foram positivos. É a maior diferença dos últimos sete anos e que leva a Moody’s a não ter dúvidas: “as taxas de incumprimento entre os emitentes de obrigações ‘high yield’ vai aumentar significativamente nos próximos 12 meses”.

Perante o pessimismo unânime, ao investidor resta apenas avaliar se o risco compensa. É certo que os fundos de obrigações de alto rendimento conferem, em princípio, um maior potencial para quem pretende ter parte do seu património aplicado em dívida. Mas não haverá melhores opções? Face à incerteza, o fundamental é estar ciente dos riscos que estão à espreita e procurar alternativas se não estiver preparado para os terrenos escorregadios da dívida de alto rendimento.

Vantagens

Desvantagens

- Valorização potencial do investimento superior às obrigações com qualidade de crédito mais alta;

- Pagamento de cupões mais altos;

- Diversificação por vários emitentes.

- Significativa probabilidade de incumprimento das obrigações financeiras;

- Conjuntura económica agressiva;

- Perspectivas de aumento de incumprimento do crédito a nível mundial.

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Vantagens

Desvantagens

- Valorização potencial do investimento superior às obrigações com qualidade de crédito mais alta;

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- Pagamento de cupões mais altos;

- Diversificação por vários emitentes.

- Significativa probabilidade de incumprimento das obrigações financeiras;

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- Conjuntura económica agressiva;

- Perspectivas de aumento de incumprimento do crédito a nível mundial.

Os cinco melhores fundos de obrigações de alto rendimento

acumulam um retorno médio de 7,12% nos últimos cinco anos

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O desempenho dos melhores fundos “high yield” à venda em Portugal, nos últimos cinco anos, ilustra bem o seu maior potencial de retorno face aos fundos de dívida de qualidade. Contudo, os resultados negativos do último ano revelam as pressões da crise.

Fonte: Morningstar. Valores relativos a 30/04/2008

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