Supervisores vão lançar "ChatGPT" da literacia financeira. Iniciativas da área vão ser certificadas
O lançamento de um assistente virtual, uma espécie de "ChatGPT", para ajudar os cidadãos a tomarem decisões financeiras mais informadas é uma das medidas inscritas no plano estratégico para 2026-2030 do Plano Nacional de Formação Financeira.
O Plano Nacional de Formação Financeira foi criado em 2011, coordenado pelos três supervisores financeiros (BdP - Banco de Portugal, ASF - Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), com o objetivo de aumentar a literacia financeira da população.
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Em entrevista à Lusa para apresentação do plano, o administrador da ASF Diogo Alarcão disse que os supervisores financeiros vão desenvolver um assistente virtual, baseado em inteligência artificial, para ajudar os consumidores financeiros a tirarem dúvidas, dando-lhes respostas rápidas e personalizadas.
"É um assistente virtual baseado em inteligência artificial, uma espécie de 'ChatGPT' financeiro. A grande novidade é que vamos conseguir ter neste conselheiro virtual a informação dos três supervisores", disse Diogo Alarcão.
Segundo o administrador da ASF, uma das vantagens deste assistente virtual é que responderá às dúvidas com base em informação reconhecida, pois será a produzida pelos três supervisores. "Terá uma visão integrada e holística", acrescentou, explicando que informará "dos riscos e das proteções financeiras" em três perspetivas (BdP, CMVM e ASF).
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Para já, não há uma data para o lançamento, pois ainda está em projeto.
Este assistente virtual fará parte de uma 'site' que será desenvolvido para agregar conteúdos de finanças e sistema financeiro dirigido ao público adulto, organizado por temas e diferentes etapas da vida (pois as decisões financeiras de um jovem trabalhador ou de um adulto na meia idade são diferentes), com ferramentas práticas como pequenos vídeos explicativos e cursos de formação 'online'.
Esta plataforma será uma evolução do atual Portal Todos Contam.
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Os supervisores financeiros vão desenvolver uma certificação para iniciativas de literacia financeira, estando a ponderar atribuir esse selo a projetos de empresas, disseram em entrevista à Lusa.
Numa entrevista a propósito das iniciativas do novo plano estratégico (2026-2030) do Plano Nacional de Formação Financeira, a administradora do Banco de Portugal Francisca Guedes de Oliveira explicou que será definido "um modelo de certificação de iniciativas no âmbito da literacia financeira" com o objetivo de assegurar a qualidade e isenção de ações sobre literacia financeira.
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Questionada sobre se de futuro uma empresa (banco, corretora, intermediário de crédito) pode vir a ter ações de literacia financeira certificadas, respondeu que até agora havia uma visão estrita de não haver essa relação com essas entidades (por o seu objetivo ser vender um produto ou serviço), mas admitiu que tal será avaliado até para "proteção do consumidor de produtos e serviços financeiros". É conhecido que há empresas financeiras que fazem ações em escolas.
"Ainda estamos a perceber muito bem como é que podemos fazer isso, sem nunca passar a ideia de que estamos a patrocinar algum tipo de entidade supervisionada", afirmou Guedes de Oliveira.
A vice-presidente da CMVM Inês Drumond acrescentou que nesses casos é preciso garantir que os conteúdos têm "coerência na mensagem e qualidade" e recordou que a Comissão Europeia, nesta área, prevê precisamente este tipo de parcerias com os privados desde que sejam encontrados mecanismos para mitigar "tudo aquilo que possam ser conflitos de interesse".
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A certificação em literacia financeira será destinada a projetos e conteúdos específicos.
O novo plano estratégico do Plano Nacional de Formação Financeira prevê ainda a existência de uma disciplina ou módulos de literacia financeira no ensino superior de educação, com o objetivo de capacitar futuros professores para aulas sobre este tema.
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