Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Os "cisnes negros" andam por ai

A popularidade de Nassim Nicholas Taleb e de "O Cisne Negro" cresceram substancialmente em 2008.

João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 02 de Janeiro de 2009 às 10:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
A popularidade de Nassim Nicholas Taleb e de "O Cisne Negro" cresceram substancialmente em 2008. Para o sucesso do livro e do seu autor, a grave crise financeira que se instalou a nível global foi um daqueles acontecimentos que se revelam inesperados, improváveis e imprevisíveis perante as limitações do conhecimento. Aqui, o "cisne negro" teve um sinal positivo.

Para os investidores que viram as suas carteiras perderem valor e para as famílias e empresas que agora enfrentam os impactos na economia, o ano que termina trouxe, também, um "cisne negro", mas de sinal negativo. No fecho de contas de 2008, uma desvalorização dos activos a rondar 50% até nem será a maior das desgraças.

Desde as perdas resultantes do investimento em títulos "tóxicos" ligados a créditos hipotecários de alto risco, à implosão do esquema fraudulento protagonizado por Bernard Madoff, viu-se de tudo um pouco. Instituições financeiras com presença global desapareceram do mapa, outras tiveram que ser salvas através de fundos públicos. Pelo meio, as bolsas registaram descidas históricas, semeando a convicção de que uma crise como a actual já não se via desde os anos 30 do século passado.

A violência da descida dos mercados de acções terá colocado dúvidas ao investidor mais disciplinado. Em tempos tão excepcionais, nem a boa regra da diversificação evitou a deterioração das carteiras de investimento. Uma vista de olhos pelos índices de bolsa ou pelos fundos de investimento que adoptam uma estratégia global dissipa quaisquer dúvidas.

Neste cenário, as incertezas sobre o que trará o próximo ano são muitas. O abrandamento económico vai ser acompanhado da temível deflação? A estagnação em que o Japão mergulhou no arranque dos anos 90 dá uma ideia daquilo que as nações mais desenvolvidas devem esperar para os próximos tempos? As bolsas terão já batido no fundo ou há que contar com novas quedas e a persistência da volatilidade? No meio de tudo isto, o que fazer ao dinheiro, se é que sobrará algum para poupar e aplicar?

O primeiro trimestre de 2009 vai trazer alguma luz sobre qual poderá ser o rumo das bolsas. As empresas reflectirão nos balanços os impactos da crise, o que ajudará a esclarecer se as cotações estão a desconto em relação à capacidade de gerar resultados ou se serão necessários mais ajustamentos em baixa para adequar os preços em bolsa aos dados fundamentais. Este poderá ser o primeiro alicerce de um ponto de viragem cuja consolidação vai depender do rumo das principais economias. Se a tendência das previsões se confirmar, o segundo semestre será de antecipação da recuperação económica. Mas os "cisnes negros" existem.
Ver comentários
Outras Notícias