Café mais caro faz ferver o preço da "bica"
Os preços do café têm estado a valorizar nos últimos dois anos e atualmente as duas variedades mais usadas, arábica e robusta, estão a negociar em máximos da década de 1970.
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A contribuir para estas fortes subidas estão as condições meteorológicas adversas na importante região da África Ocidental, com o fenómeno climático El Niño a trazer um prolongado período de seca, especialmente nos dois principais produtores mundiais, o Brasil e o Vietname. O que leva, inevitavelmente, a uma queda nas colheitas e a um défice da oferta mundial.
Por outro lado, a nova legislação europeia que entrará em vigor no final de 2025 levou a uma procura mais acentuada por café, levando os stocks para níveis muito baixos. A União Europeia vai exigir que os compradores de café comprovem que o produto importado não provém de terras recentemente desflorestadas.
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Também o receio de que o café possa ser um dos produtos sobre os quais o presidente eleito dos EUA vai impor tarifas alfandegárias adicionais tem contribuído para um maior volume de compras desta matéria-prima, o que intensifica a sua escassez no mercado e faz aumentar ainda mais os preços. Donald Trump toma posse a 20 de janeiro e já ameaçou que irá agravar as tarifas aduaneiras sobre produtos que os Estados Unidos importam, pelo que, por precaução, os compradores de café decidiram antecipar-se.
Assim, há quase 50 anos que não assistíamos a preços tão elevados, com o arábica no valor mais alto desde 1977 e o robusta em máximos de 1979.
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Os próprios agricultores têm sido confrontados com maiores dificuldades, devido ao aumento dos roubos desta matéria-prima. No Uganda, por exemplo, que é o sexto maior produtor mundial, os agricultores não só têm colocado vedações maiores e contratado seguranças externos como estão também a comprar cães de guarda e colmeias para tentarem dissuadir os criminosos.
As abelhas são já usadas em muitas plantações de café, já que a produtividade da colheita aumenta 20% quando a flor do café é polinizada por abelhas, mas agora estão a ser adquiridas mais colmeias para que potenciais ladrões tenham receio de ser picados e se afastem.
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A forte valorização do café nos mercados provoca também um aumento evidente no custo de uma série de produtos, com os produtores e as próprias redes de cafetarias, como a Starbucks, a terem de transferir esse encarecimento para os consumidores. A Nestlé, maior fabricante mundial de café, já veio dizer que aumentará os preços e venderá embalagens mais pequenas para acomodar o impacto do encarecimento dos grãos. Há que estarmos preparados para vermos aumentar também o preço da bica.
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