Petróleo cai abaixo dos 100 dólares com investidores a apostarem no fim do conflito

Trump prometeu acabar com a guerra no Irão em duas ou três semanas e a resposta não se fez esperar nos mercados. O petróleo caiu abaixo dos 100 dólares pela primeira vez em mais de uma semana, num dia em que os investidores voltaram a ter grande apetite pelo risco.
Eli Hartman / Associated Press
Ricardo Jesus Silva 08:07

Donald Trump, Presidente dos EUA, prometeu acabar com a guerra no Irão "dentro de duas a três semanas" e a resposta dos investidores não podia ter sido mais otimista. O preço do petróleo Brent - que serve de referência para a Europa - caiu pela primeira vez em mais de uma semana abaixo dos 100 dólares por barril, pressionado pela perspetiva de que o estreito de Ormuz poderá voltar a abrir com o fim das hostilidades. 

A esta hora, o Brent cai quase 5% para 98,91 dólares por barril, depois de ter chegado a atingir os 118,35 dólares nas últimas semanas, enquanto o West Texas Intermediate também caiu abaixo da marca dos 100 dólares, negociando agora com perdas de 4,40% para 96,87 dólares. Também o gás natural está a ser pressionado pelas palavras do Presidente norte-americano, com a matéria-prima de referência para o Velho Continente a cair quase 6% para 47,86 euros por megawatt-hora. 

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Estes movimentos seguem-se a uma subida recorde nos preços do petróleo em março, depois de a guerra no Irão ter paralisado uma das mais importantes rotas energéticas do mundo. Pelo estreito de Ormuz passa cerca de um quinto do crude e gás natural consumidos pelo mundo e o seu bloqueio por parte do regime iraniano, em resposta aos ataques dos EUA e Israel no último dia de fevereiro, levou o Brent a valorizar 63,29% em apenas um mês. Também o gás natural disparou 64%. 

Os investidores deverão conseguir um pouco mais de clareza em relação aos planos da Administração norte-americana com o discurso de Trump na próxima madrugada. Ao final da noite de quarta-feira, já após o fecho de Wall Street, o Presidente dos EUA referiu que é possível que exista um acordo com o Irão dentro de duas semanas, embora considere que é indiferente a existência de um entendimento para acabar com o conflito. 

“Seria bom que o Irão se sentasse à mesa, mas não interessa”, referiu, dizendo que houve “uma mudança de regime”, porque Irão já “não tem líderes”. Agora o Irão tem “um grupo de pessoas diferentes” e “muito mais racionais”. O objetivo inicial, contudo, era que o Irão “não tivesse uma arma nuclear” e foi cumprido. Trump refere que o país vai precisar de "15 a 20 anos" para se reconstruir. 

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No entanto, mesmo que a guerra termine dentro do prazo estabelecido pelo Presidente norte-americano, será preciso mais tempo para restabelecer a normalidade no tráfego pelo estreito de Ormuz - e ainda mais tempo para repor as cadeias de abastecimento. Há ainda a ter em conta os grandes danos causados nas infraestruturas energéticas da região, numa altura em que os ataques continuam e a possibilidade de uma invasão terrestre pelos EUA continua a assombrar os mercados. 

"O mercado está a ser complacente e a pensar que as coisas vão se normalizam com bastante rapidez. Penso que essa complacência é um fator de risco", explica Dominic Schnider, diretor de matérias-primas da unidade de gestão de património do UBS Group, numa entrevista à Bloomberg TV. “É inédito que tenhamos um choque de oferta desta magnitude e, no entanto, os preços nem sequer estão mais altos do que em 2022”, afirmou, referindo-se à invasão da Ucrânia pela Rússia.

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(Notícia atualizada às 8:20)

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