Brent supera os 90 dólares e WTI dispara 10%. Bolsas europeias têm pior semana desde abril.
Juros em máximos de vários meses na Zona Euro. "Yield" da dívida portuguesa em máximos de um ano
Dólar a caminho da melhor semana face ao euro desde setembro de 2022
Ouro ganha terreno mas deverá perder 3% na semana
Brent supera os 90 dólares e WTI dispara 10%. Tráfego marítimo por Ormuz "colapsou"
Dados do emprego fazem soar alarmes e desapontam Wall Street. Gap tomba 12%
Catar avisa que produção no Golfo Pérsico pode ser suspensa "nos próximos dias". Brent aproxima-se dos 90 dólares
Europa no vermelho com escalada nos preços da energia no radar. Zealand Pharma afunda mais de 30%
Juros voltam a disparar na Zona Euro. Investidores já veem uma subida nas taxas de juro como certa
Dólar dá passo atrás mas prepara-se para fechar melhor semana desde novembro de 2024
Ouro recupera com queda do dólar. Metal precioso deve fechar primeira semana no vermelho em um mês
Petróleo com ganhos ligeiros. Brent encaminha-se para maior subida semanal desde 2022
Ásia ainda recupera mas fecha pior semana desde a pandemia. Europa aponta para ganhos
Washington autoriza entrega de petróleo russo retido no mar à Índia
Bolsas europeias têm pior semana desde abril. Só setor de petróleo e gás escapou
Os principais índices europeus terminaram a sessão desta sexta-feira em queda, pressionados por um continuado aumento dos preços do petróleo e com os investidores a avaliarem as implicações de um estender do conflito para as economias e empresas europeias. A primeira semana de guerra no Médio Oriente penalizou fortemente as bolsas europeias e o índice de referência europeu, Stoxx 600, desvalorizou 5,6% - assinalando a maior queda desde abril do ano passado.
Esta sexta-feira a descida do Stoxx 600 foi de 1,02% para os 598,69 pontos, com os índices italiano, grego, neerlandês e britânico com quedas superiores a 1%. Os setores de construção e media foram os que mais perderam, ao perderem mais de 2%. Pela positiva esteve apenas o setor de petróleo e gás - onde se inclui a petrolífera portuguesa Galp - que somou 0,8%. No final da sessão, o Brent superou os 90 dólares, o que penalizou ainda mais os títulos e reforçou o bom desempenho do setor.
O cenário negativo nas bolsas europeias foi ainda mais adensado pelos investidores terem começado a incorporar uma subida de juros de 25 pontos base por parte do Banco Central Europeu, o que levou um forte agravamento de juros na Zona Euro. Numa entrevista à Reuters, o membro do conselho de governadores do BCE Jose Luis Escrivá afirmou que os decisores não deverão mexer nas taxas diretoras já em março.
Entre os principais movimentos de mercado, a Zealand Pharma afundou mais de 36%, no pior dia de sempre em bolsa para a farmacêutica dinamarquesa, após os resultados da fase intermédia dos ensaios clínicos da vacina experimental contra a obesidade, desenvolvida em parceria com a Roche, terem ficado aquém das expectativas. As ações da Roche também foram penalizadas e caíram 2,93%.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax cedeu 0,94%, o francês CAC-40 desvalorizou 0,65%, o italiano FTSEMIB recuou 1,02%, o britânico FTSE 100 perdeu 1,24% e o espanhol IBEX 35 caiu 0,99%. Em Amesterdão, o AEX registou um decréscimo de 1,52%.
Juros em máximos de vários meses na Zona Euro. "Yield" da dívida portuguesa em máximos de um ano
Com os investidores a incorporarem uma subida de juros por parte do Banco Central Europeu nos próximos meses, os juros das dívidas soberanas da Zona Euro agravaram-se em toda a linha, atingindo máximos de vários meses. Em Portugal a rendibilidade atingiu o valor mais elevado do último ano.
As "yields" de maturidades mais curtas, e que são particularmente sensíveis a mexidas nas taxas diretoras, foram as que mais subiram. Na sessão desta sexta-feira os juros da dívida da Alemanha a dois anos chegaram a subir 8 pontos base para 2,35%, o que eleva o acumulado da semana para de 35 pontos, o valor mais elevado desde 2022.
Na Alemanha, a subida foi mais contida, com os juros das "Bunds" germânicas a dez anos, de referência para a Zona Euro, a agravarem-se em 1,8 pontos-base para 2,856%, máximos de um mês. Já em França e Itália, o impacto é maior, com a "yield" das obrigações gaulesas e transalpinas a registarem um acréscimo de 4,6 pontos para 3,509% e 5,9 pontos para 3,617%, respetivamente.
Os juros das obrigações portuguesas terminaram a sessão em máximos de de um ano, ao agravarem-se 5,8 pontos base para 3,281% - um movimento que foi seguido pela "yield" da dívida espanhola, que cresceu 5 pontos para 3,348%, o valor mais alto desde setembro.
Fora da Zona Euro, mantém-se a tendência de agravamento. Os juros das "Gilts" britânicas dispararam 8,7 pontos-base para 4,626% - o valor mais elevado em cinco meses - depois de, na quinta-feira, já terem escalado mais de 10 pontos. A subida semanal é a maior desde o drástico "sell-off" após o anúncio de um "mini-orçamento" no mandato da primeira-ministra Liz Truss.
Ouro ganha terreno mas deverá perder 3% na semana
O ouro está a negociar com ganhos esta tarde, depois de dados mais fracos do que o esperado sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos (EUA) manterem vivas as esperanças de um corte nas taxas de juros pela Reserva Federal (Fed) norte-americana, embora um dólar mais forte esteja a limitar a subida do metal amarelo, que caminha para a primeira queda semanal em mais de um mês.
A esta hora, o metal amarelo, sobe 1,40%, para os 5.153,160 dólares por onça, encaminahndo-se, ainda assim, para perder 3,36% no acumulado da semana.
Os dados divulgados esta sexta-feira mostraram que a economia dos EUA perdeu 92 mil empregos em fevereiro de 2026, uma das maiores quedas desde a pandemia, com o valor a ficar bastante abaixo das previsões do mercado que apontavam para um aumento de 59 mil empregos, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,4%.
A guerra entre EUA e Israel com o Irão fez com que os preços do petróleo disparassem, levando os investidores a reduzirem as apostas de que a Reserva Federal vá cortar as taxas de juros em breve. O banco central norte-americano reúne a 18 de março e a expectativa geral é de que mantenham as taxas de juros estáveis, com o primeiro corte previsto para julho.
Os mercados financeiros continuam cautelosos e com receios de um alastrar do conflito, enquanto a guerra entra no sétimo dia. O Presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu que iria "ter uma mão" na escolha do próximo líder supremo do Irão, enquanto a sua Administração avalia opções para lidar com o aumento nos preços do petróleo e da gasolina.
Brent supera os 90 dólares e WTI dispara 10%. Tráfego marítimo por Ormuz "colapsou"
Os preços do petróleo estão a disparar nos mercados internacionais, numa altura em que a guerra no Irão está a causar grandes impactos no mercado energético, com o transporte marítimo de crude praticamente paralisado no Estreito de Ormuz.
Com a escalada das hostilidades entre as forças iranianas, norte-americanas e israelitas, a navegação pelo canal praticamente cessou, interrompendo o abastecimento de petróleo para os mercados mundiais e levando os produtores a reduzirem a produção, à medida que várias refinarias e navios-tanque vão sendo afetados.
O ministro da Energia do Catar disse ao Financial Times que o petróleo bruto poderia tocar os 150 dólares por barril daqui a duas ou três semanas, se as embarcações não conseguirem passar pelo Estreito de Ormuz. No ano passado, 20 milhões de barris de petróleo e derivados passavam diariamente por esta via.
O West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – dispara 10,16%, para 89,24 dólares por barril, máximo desde abril de 2024. Já o Brent – de referência para o continente europeu – salta 6,92% para os 91,32 dólares por barril, depois de ter tocado nos 91,89 dólares. A referência europeia encaminha-se para terminar a semana com uma valorização de mais de 17% e está esta tarde a negociar em máximos de dois anos. O gás natural sobe 4,44% para 52,986 euros por megawatt.
O conflito não se encaminha para chegar ao fim tão cedo. Depois de Donald Trump ter dito que pode durar "quatro a cinco semanas", o Irão respondeu com um aumento da ofensiva e que não quer negociações e estava pronto para uma invasão terrestre.
O Wall Street Journal noticiou que o Kuwait começou a reduzir a produção nalguns campos de petróleo, depois de ficar sem locais para armazenar o "ouro negro" bruto extraído, o mais recente sinal de um impacto no abastecimento da região.
Os analistas já começam a ajustar as suas expectativas. O Citigroup estima que o mercado de petróleo bruto está a perder de sete a onze milhões de barris por dia de oferta devido à interrupção no Estreito de Ormuz. Já o Goldman Sachs alertou para o risco de cenários em que o petróleo ultrapasse os 100 dólares por barril, caso a interrupção se prolongue.
Nem o anúncio de Donald Trump de ajuda à redução da pressão sobre os preços dos combustíveis nos EUA está a ajudar o petróleo. Os países já começam a adotar medidas preventivas para combater os aumentos. O Japão, por exemplo, está já a considerar recorrer às reservas de emergência de crude, embora nenhuma medida tenha sido tomada até agora. A China ordenou que as principais refinarias suspendam as exportações de diesel e gasolina, numa medida de esforço para priorizar as necessidades dos consumidores internos.
Dólar a caminho da melhor semana face ao euro desde setembro de 2022
A beneficiar do regresso como ativo-refúgio preferido dos investidores, num ambiente de elevada turbulência geopolítica, o dólar está a caminho da melhor semana desde setembro de 2022 face à moeda única europeia. No caso do índice do dólar - que compara a força da "nota verde" contra outras divisas rivais - poderá ser a maior subida desde novembro de 2024.
Apesar do balanço semanal positivo, os ganhos do dólar reduziram-se depois de terem sido divulgados dados sobre a criação de emprego nos Estados Unidos (EUA). Os números mostram que foram eliminados 92 mil empregos na maior economia mundial e a taxa de desemprego aumentou para 4,4%. Este é mais um argumento do lado dos membros mais "dovish" da Reserva Federal norte-americana e poderá impulsionar os decisores para um corte de juros - os analistas apontam para setembro.
A esta hora, o dólar avança 0,08% para 0,8621 euros e ganha 1,85% na semana. Já o índice do dólar recua 0,34% para 98,981 dólares.
"A reação relativamente moderada do dólar [aos dados do emprego] reflete a importância avassaladora da guerra em curso e a ideia de que os dados sobre o emprego foram distorcidos pelo clima e pelas greves, fatores que se poderia supor que os economistas já soubessem", explicou à Bloomberg Marc Chandler, estratega-chefe da Bannockburn Global.
Dados do emprego fazem soar alarmes e desapontam Wall Street. Gap tomba 12%
As bolsas norte-americanas continuam mergulhadas no vermelho. Para além das preocupações com uma subida da inflação, decorrente de uma provável crise energética devido à guerra no Irão, os dados do emprego nos EUA desiludiram os investidores, levantando ainda mais preocupações relativamente ao mercado de trabalho norte-americano.
Em fevereiro, foram cortados 92 mil postos de trabalho na maior economia do mundo, após um forte arranque do ano. Esta é uma das maiores quedas desde a pandemia. Também a taxa de desemprego subiu para 4,4%.
Neste contexto, o S&P 500 perde 1,33% para 6.740,12 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cede 1,35% para 22.441,88 pontos. O industrial Dow Jones recua 1,7% para 47.139,07 pontos.
Os números podem redirecionar a atenção da Reserva Federal (Fed) para o mercado de trabalho, enquanto avalia durante quanto tempo vai manter as taxas de juros estáveis. Os responsáveis de política monetária têm estado mais atentos à inflação ultimamente, mesmo antes de os EUA e Israel terem atacado o Irão no fim de semana passado.
“Os números de hoje podem ter colocado a Fed entre a espada e a parede”, disse Ellen Zentner, do Morgan Stanley Wealth Management. “Uma quebra significativa no mercado de trabalho vai sustentar um corte nas taxas de juros, mas, dado o risco de uma subida nos preços do petróleo por um período prolongado, que podem desencadear outra subida da inflação, a Fed pode sentir-se compelida a permanecer à margem", acrescentou.
Apesar dos receios com uma subida da inflação, o governador da Fed, Christopher Waller, disse esta sexta-feira que não espera que a guerra com o Irão tenha um impacto duradouro na inflação. "Para nós, pensando em políticas futuras, é improvável que cause inflação sustentada", disse à Bloomberg Television. “Essa é uma das razões pelas quais não analisamos os preços da energia. Quando analisamos o núcleo, é um melhor indicador da inflação futura”, acrescentou.
Entre os principais movimentos de mercado, a retalhista Gap tomba mais de 12%, após ter reportado vendas e lucros do quarto trimestre abaixo das expectativas do mercado.
Em contraciclo, a Marvell Technology apresentou uma perspetiva de vendas otimista e afirmou que a procura por centros de dados estava a crescer ainda mais rápido do que o previsto. As ações saltam 15,43%.
As ações das companhias aéreas continuam a ser pressionadas pela mudança de rotas devido ao conflito no Médio Oriente. A American Airlines cede 5%.
Catar avisa que produção no Golfo Pérsico pode ser suspensa "nos próximos dias". Brent aproxima-se dos 90 dólares
O ministro da Energia do Catar não tem dúvidas: se o conflito no Médio Oriente se prolongar, os exportadores de energia do Golfo Pérsico vão ser obrigados a suspender a produção "nos próximos dias". Saad al-Kaabi avisa que a guerra no Irão pode vir a "derrubar as economias mundiais" e antecipa mesmo que o crude possa chegar aos 150 dólares por barril - um cenário já admitido por alguns analistas.
Em entrevista ao Financial Times, o ministro da Energia do Catar afirmou que, mesmo que o conflito termine imediatamente, o país demoraria "semanas ou até meses" a estabilizar as suas exportações, após os ataques iranianos a uma central de produção de gás natural liquefeito (GNL) em Ras Laffan. Embora o Catar exporte apenas uma pequena quantia desta matéria-prima para a Europa, Saad al-Kaabi antecipa que o continente tenha dificuldades em conseguir comprar GNL no mercado asiático, uma vez que vários países do Golfo vão deixar de conseguir cumprir as suas obrigações contratuais.
Em reação aos avisos do ministro da Energia, o Brent - crude de referência para a Europa - já ultrapassou nesta sessão os 89 dólares, negociando agora com ganhos de 3,92% para 88,96 dólares por barril. O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para o mercado norte-americano - também reforçou as valorizações, disparando, neste momento, 4,65% para 84,74 dólares. Por sua vez, o gás natural negociado em Amesterdão chegou a subir 5%, tendo entretanto reduzido os ganhos para 3,67% para 52,22 euros por megawhatt-hora.
"Esperamos que todos os que ainda não invocaram força maior [cláusula dos contratos que liberta as duas partes de obrigações, caso exista um evento extraordinário] o façam nos próximos dias, caso esta situação se mantenha. Todos os exportadores da região do Golfo terão de invocar força maior", afirmou Saad al-Kaabi, ao jornal britânico. "Se não o fizerem, acabarão por ter de pagar a responsabilidade legal por isso - e a escolha é deles", acrescentou.
O ministro da Energia do Catar garante que o país não sofreu danos nas operações "offshore", revelando que o impacto nas operações "onshore" ainda está a ser avaliado. "Ainda não sabemos a extensão dos danos, pois ainda estão a ser avaliados. Ainda não está claro quanto tempo levará para reparar", declarou ainda.
Europa no vermelho com escalada nos preços da energia no radar. Zealand Pharma afunda mais de 30%
As principais praças europeias ainda arrancaram a sessão com ganhos, embaladas pelo otimismo que se sentiu no continente asiático, mas rapidamente voltaram a negociar em território negativo, pressionadas, mais uma vez, pela subida sustentada nos preços da energia. O escalar do conflito no Médio Oriente está a encaminhar o continente para a pior semana desde abril do ano passado, quando o Presidente dos EUA, Donald Trump, revelou a sua nova política comercial ao mundo - entretanto considerada ilegal por parte do Supremo Tribunal norte-americano.
A esta hora, o Stoxx 600 recua 0,17% para 603,81 pontos, revertendo completamente os ganhos de 0,6% que chegou a registar durante a sessão. Com o Brent - crude de referência para a Europa - a ultrapassar os 87 dólares por barril, o "benchmark" do mercado acionista da região prepara-se para fechar a semana com quedas de quase 5%, com os investidores a incorporarem completamente uma subida das taxas de juro em 25 pontos-base este ano.
O conflito no Médio Oriente entrou esta sexta-feira no sétimo dia, com mísseis iranianos a atingirem, pelo menos, cinco países do Golfo Pérsico e Israel a responder com a décima segunda onda de ataques aéreos contra Teerão. O ministro iraniano revelou ainda que a China e a Rússia "estão a apoiar politicamente e de outras formas" o Irão, num dia em que foram intercetados mísseis no espaço aéreo do Qatar e Kuwait.
Entre as principais movimentações de mercado, a Zealand Pharma afunda 31,80%, o pior dia de sempre para a farmacêutica, após os resultados da fase intermédia dos ensaios clínicos da sua vacina experimental contra a obesidade, desenvolvida em parceria com a Roche, terem ficado aquém das expectativas. Por sua vez, a Lufthansa avança 1,11%, contrariando o pessimismo do setor, depois de ter reportado resultados que ficaram acima das estimativas dos analistas e ter indicado um crescimento "significativo" nos lucros para 2026.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,01%, o espanhol IBEX 35 recua 0,08%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,14% e o neerlandês AEX recua 0,18%. Já o francês CAC-40 avança 0,33%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,10%.
Juros voltam a disparar na Zona Euro. Investidores já veem uma subida nas taxas de juro como certa
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão, mais uma vez, a registar grandes avanços, apesar de até terem arrancado a sessão com alívios, numa altura em que a subida sustentada dos preços da energia já levou os investidores a incorporarem uma nova subida de 25 pontos-base nas taxas de juro este ano por parte do Banco Central Europeu (BCE).
A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 2,7 pontos-base para 2,865%, negociando acima dos máximos de um mês atingidos na sessão passada. Já em França e Itália, a tendência de agravamento é ainda maior, com a "yield" das obrigações francesas a escalar 4,2 pontos para 3,504% e a das obrigações italianas a crescer 4,5 pontos para 3,603%.
Pela Península Ibérica, também está a ser um dia de grandes subidas. Em Portugal, os juros das obrigações na maturidade de referência aceleram 4,2 pontos-base para 3,265%, em máximos de mais de um mês, enquanto, em Espanha, o salto é de 4 pontos para 3,338%.
Fora da Zona Euro, mantem-se a tendência de agravamento, embora ainda em maior escala. Os juros das "Gilts" britânicas disparam 7,5 pontos-base para 4,615%, depois de, na quinta-feira, já terem escalado mais de 10 pontos.
Dólar dá passo atrás mas prepara-se para fechar melhor semana desde novembro de 2024
Após várias sessões de ganhos que encaminharam o dólar para a melhor semana desde novembro de 2024, a "nota verde" está a corrigir ligeiramente esta sexta-feira. Face a uma escalada nas tensões geopolíticas com o estalar do conflito no Irão, a divisa norte-americana assumiu o papel de ativo de refúgio predileto dos investidores, substituindo o ouro à medida que os investidores antecipam o impacto de uma crise energética na inflação e, por conseguinte, na política monetária.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda norte-americana face às suas principais rivais - perde 0,13%, reduzindo ligeiramente os ganhos semanais da divisa para 1,3% - o melhor desempenho desde que Donald Trump foi eleito Presidente dos EUA. Já o euro encaminha-se para uma perda semanal de 1,7%, negociando praticamente inalterado nos 1,16 dólares esta sexta-feira, enquanto a libra acelera apenas 0,09% para 1,3366 dólares.
“O que importa agora é se a guerra vai durar dias, semanas ou mais”, explica Marco Oviedo, estratega sénior da XP Investimentos, à Bloomberg. A possibilidade de que o conflito não vai durar muito “continua a ser o cenário base, bem como os EUA estarem a ganhar a batalha. Mas a recusa do Irão em recuar está a manter a tensão" nos mercados, acrescenta o analista, num dia em que a guerra entra no seu sétimo dia.
Confrontados com uma escalada nos preços da energia, nomeadamente no petróleo e no gás natural, os investidores estão a reduzir as probabilidades de a Reserva Federal (Fed) norte-americana vir a cortar as taxas de juro mais do que uma vez este ano - o que tende a beneficiar o dólar. Um corte, a chegar, só deverá vir em setembro e outubro, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) deve mesmo optar por apertar a política monetária.
Ouro recupera com queda do dólar. Metal precioso deve fechar primeira semana no vermelho em um mês
O ouro está a recuperar algum do terreno perdido nas últimas sessões, mas, mesmo assim, encaminha-se para registar a primeira semana no vermelho em mais de um mês. Apesar de ser considerado um ativo refúgio, que tende a valorizar com o aumento das tensões geopolíticas a nível global, o metal precioso foi pressionado por uma forte valorização do dólar e aumento dos riscos inflacionistas com a guerra no Irão a colocar o mundo à porta de uma crise energética.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,60% para 5.114,81 dólares por onça, depois de ter chegado a avançar mais de 1% durante a madrugada. Mesmo com esta recuperação, o ouro deve fechar a semana com perdas em torno de 3%, enquanto o dólar deve registar a melhor série de cinco sessões desde novembro de 2024 - tornando o metal menos atrativo para os investidores internacionais.
O receios de uma escalada na inflação com o estalar do conflito no Médio Oriente está a fazer com que os investidores reduzam as expectativas de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana. O mercado de "swaps" aponta agora para apenas um alívio na política monetária de 25 pontos-base este ano, que deverá chegar entre setembro e outubro, contra as expectativas anteriores de dois cortes, com o primeiro a ser efetuado já em junho.
Os mercados continuam bastante nervosos, numa altura em que a guerra no Irão entra no sétimo dia. A República Islâmica lançou uma série de ataques por toda a região do Golfo Pérsico na quinta-feira à noite, atingindo uma refinaria de petróleo no Bahrain. Já Israel continuou os ataques aéreos contra Teerão e os EUA decidiram suspender operações na sua embaixada no Kuwait.
Com as ações mundiais a caírem esta semana, muitos investidores aproveitaram a reação inicial positiva do ouro ao conflito para liquidarem posições, de forma a compensar as perdas noutros ativos. Relatos que alguns bancos centrais estavam a considerar vender parte do seu "stock" também levantou preocupações de um dos pilares fundamentais no "rally" do metal precioso poderia cair por terra.
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