Petróleo avança e passa os 107 dólares por barril. Juros dos países europeus disparam
Dólar acelera pela quinta sessão consecutiva com Ormuz em foco
Inflação e política monetária arrastam ouro abaixo dos 4.600 dólares
Petróleo avança quase 2% e encaminha-se para grande ganho semanal
Tecnológicas arrastam Ásia e Europa para o vermelho. Praça sul-coreana chegou a perder mais de 7%
Juros disparam na Zona Euro. "Gilts" britânicas voltam a máximos de 2008
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com sérios agravamentos esta sexta-feira, num dia em que os preços do petróleo estão novamente a aproximar-se dos 110 dólares e a cimeira dos EUA-China terminou sem grandes desenvolvimentos na questão do Médio Oriente.
O mercado de "swaps" está a incorporar três subidas de 25 pontos-base nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) este ano, contra apenas dois e possibilidades moderadas de um terceiro da sessão anterior. Na quinta-feira, o membro do conselho de governadores do banco central, Yannis Stournaras, avisou que a autoridade pode vir a ter de apertar a política monetária caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, estão a acelerar 6,5 pontos-base para 3,106%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade avança 8 pontos para 3,740%. Já os juros da dívida italiana registam o maior agravamento da Zona Euro, ao crescerem 9 pontos para 3,862%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida soberana portuguesa e da espanhola a dez anos avançam na mesma proporção de 7,5 pontos-base para 3,47% e 3,529%, respetivamente.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas disparam 12,7 pontos-base para 5,119%, atingindo máximos de julho de 2008, numa altura em que uma disputa interna no Partido Trabalhista, que pode tirar Keir Starmer do poder, torna-se cada vez mais provável.
Dólar acelera pela quinta sessão consecutiva com Ormuz em foco
O dólar está a negociar em território positivo face aos seus principais rivais esta sexta-feira, num dia em que os preços do petróleo estão novamente a acelerar e os investidores procuram refúgio na "nota verde" contra o aumento do risco geopolítico. A cimeira entre os EUA e a China não trouxe aos mercados grandes notícias sobre a guerra no Irão e mensagens contraditórias de Donald Trump estão só a agravar o clima de incerteza.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa contra um cabaz de moedas rivais - acelera pela quinta sessão consecutiva, com uma valorização de 0,25%. É a maior série de ganhos desde março, quando os EUA e Israel atacaram o Irão e desencadearam um conflito que já dura há dois meses e meio e levou ao bloqueio quase completo do estreito de Ormuz.
"Os investidores estão preocupados com o facto de Trump se estar a contentar em deixar que o encerramento do estreito de Ormuz se prolongue", explica David Forrester, estratega sénior do Credit Agricole, à Bloomberg. "O mercado está a mostrar-se um pouco complacente em relação aos acontecimentos no Médio Oriente e, por isso, prevemos uma valorização do dólar americano", acrescenta o analista.
À Fox News, Trump afirmou que os EUA não precisam de reabrir Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo. As declarações levaram os preços do crude a registarem grandes aumentos, mas, mais tarde, o Presidente da maior economia do mundo veio dizer que, afinal, quer a via marítima novamente aberta - enquanto se sentava ao lado do líder chinês, Xi Jinping.
Neste contexto, o euro perde 0,22% para 1,1643 dólares, enquanto a libra cede 0,26% para 1,3368 dólares. Uma nova crise política no Reino Unido é um cenário cada vez mais provável, à medida que os rivais internos do primeiro-ministro, Keir Starmer, se posicionam para provocar eleições dentro do Partido Trabalhista.
Inflação e política monetária arrastam ouro abaixo dos 4.600 dólares
O ouro está a negociar em território negativo, registando perdas superiores a 1% e encaminhando-se para fechar a semana com um saldo negativo, numa altura em que a escalada dos preços acima do esperado nos EUA está a levar os investidores a aumentarem as probabilidade de uma subida nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) acontecer já este ano.
A esta hora, o metal precioso desvaloriza 1,37% para 4.587,51 dólares por onça e prepara-se para fechar a semana com perdas de quase 3%. O ouro, uma vez que não rende juros, tende a perder terreno em ambientes monetários mais restritivos. De acordo com a FedWatch Tool, o mercado de "swaps" vê quase 40% de possibilidades de o banco central avançar com um aperto na reunião de dezembro.
"As expectativas de inflação, as 'yields' mais elevadas e um dólar mais forte devem manter o ouro sob pressão no curto prazo", escreveram os analistas Daniel Hynes e Soni Kumari, da ANZ Group Holdings, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. Face a estas pressões, a ANZ decidiu adiar a sua meta de 6.000 dólares por onça do início do próximo ano para meados de 2027.
Os investidores estavam à espera que a cimeira entre EUA e China fosse trazer algumas novidades em relação ao conflito no Médio Oriente, mas as expectativas acabaram por sair furadas. Apesar de os dois países terem apelado novamente a uma reabertura do estreito de Ormuz, o tópico acabou por ser apenas secundário nas discussões - e o próprio Presidente norte-americano acabou por passar mensagens contraditórias em relação ao tema.
O impacto da guerra no Irão nos preços da energia já se faz sentir em força na maior economia do mundo. Em abril, o índice dos preços no consumidor acelerou ao maior ritmo desde 2023, enquanto os preços no produtor cresceram como já não se via desde 2022. Ambos acabaram por ficar acima das expectativas dos economistas.
Petróleo avança quase 2% e encaminha-se para grande ganho semanal
O barril de petróleo está a negociar com ganhos de cerca de 2%, encaminhando-se para fechar a semana com um saldo positivo, num dia em que a cimeira entre os EUA e a China chegou ao fim sem grandes novidades em relação ao conflito no Médio Oriente. Ainda existiram alguns apelos em relação a uma reabetura do estreito de Ormuz por parte do Presidente norte-americano e do homólogo chinês, mas para já os investidores continuam a ver a via marítima fechada no curto prazo.
A esta hora, o Brent - de referência para a Europa - acelera 1,76% para 107,59 dólares por barril, encaminhando-se para um ganho semanal superior a 7%. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - valoriza 2,03% para 103,25 dólares por barril, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão acelera 1,32% para 48,29 euros por megawatt.
Os preços do crude estão a negociar com alguma volatilidade, seguindo declarações contraditórias do Presidente norte-americano. À Fox News, Donald Trump disse que o país não precisa de reabrir o estreito de Ormuz, por onde passava um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo. No entanto, mais tarde já veio dizer que, afinal, os EUA "querem o estreito aberto".
"Penso que, a muito curto prazo, a tendência mais provável para os preços continua a ser de alta, uma vez que continuamos a assistir a uma redução dos 'stocks' de petróleo bruto e de combustíveis", explica Dennis Kissler, vice-presidente sénior de negociação da BOK Financial Securities, à Bloomberg. "Dado que as posições nas negociações atuais [entre EUA e Irão] estão muito distantes, é mais provável que as tensões se agravem do que o contrário", antecipa.
A questão do Médio Oriente acabou por ser um tópico secundário na cimeira entre as duas maiores economias do mundo, que acabou já esta manhã. Os EUA e a China chegaram a um consenso em relação à necessidade de estabilizar as relações comerciais entre os dois países, de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua News, mas não deu grandes detalhes sobre o que foi discutido em relação à guerra no Irão.
Tecnológicas arrastam Ásia e Europa para o vermelho. Praça sul-coreana chegou a perder mais de 7%
Os principais índices asiáticos encerraram a derradeira sessão da semana em território negativo, numa altura em que os preços do petróleo continuam sem dar descanso e os investidores começam, mais uma vez, a questionar se o "rally" de inteligência artificial (IA) não terá ido longe demais.
O MSCI Asia Pacific - "benchmark" para a negociação asiática - caiu mais de 2% esta manhã, com a praça sul-coreana a ser o principal fator de pressão. O Kospi - "cabeça de cartaz" para a tecnologia e o índice nacional que regista o melhor desempenho este ano - ainda atingiu um novo máximo histórico no início da sessão, mas acabou por ver esses ganhos completamente apagados e chegou a cair mais de 7,5%. Seguiu-se uma recuperação e a queda fixou-se nos 5,6%.
Só este ano, o principal índice sul-coreano já acelerou mais de 70%, mas a grande exposição do Kospi ao setor da inteligência artificial - a Samsung Eletronics e a SK Hynix têm, juntas, um peso de 42% no índice - está a deixar os investidores preocupados com o nível de concentração. Esta sexta-feira, a Samsung acabou por cair cerca de 8%, depois de o sindicato de trabalhadores da empresa ter afirmado que vai continuar com os seus planos de iniciar uma greve de 18 dias na próxima semana e que envolve mais de 45 mil trabalhadores.
Além do setor da IA, os investidores mostram-se ainda bastante atentos aos desenvolvimentos em Pequim. A cimeira entre os EUA e China já terminou e espera-se um relatório mais completo da mesma esta sexta-feira. No entanto, até agora os sinais têm sido de grande cordialidade entre Donald Trump e Xi Jinping. O Presidente chinês afirmou mesmo que os dois lados tinham formado uma nova relação com "muitos resultados", embora não tenha revelado grandes detalhes.
"O mercado não sabe bem como interpretar as negociações entre os EUA e a China", explica Hiroyuki Ueno, estrega da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management, à Bloomberg. "É certo que há sinais de uma maior cooperação económica, mas o que os investidores realmente esperavam a curto prazo era algum avanço em relação ao Irão - e não parece ter havido qualquer discussão significativa sobre esse assunto", acrescenta.
Pela Europa, a negociação de futuros também aponta para uma abertura em território negativo, com o Euro Stoxx 50 a perder mais de 1% - após uma recuperação considerável na sessão anterior. Entre as restantes praças asiáticas, o japonês Nikkei 225 cedeu mais de 2%, os chineses Hang Seng e Shanghai Composite caíram 1,87% e 1,30%, respetivamente, enquanto o australiano ASX 200 ainda conseguiu resistir um pouco ao pessimismo, terminando com perdas de apenas 0,11%.
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