Europa no vermelho com investidores a reagirem a resultados e incerteza no golfo. Adidas dispara 6%
Juros das "gilts" britânicas em máximos de 2008 acima de 5%. Congéneres europeias agravam-se
Dólar avança ligeiramente com "traders" à espera que Fed mantenha juros inalterados
Ouro cede com "traders" à espera de comentários de Powell sobre impactos da guerra
Petróleo soma ligeiros ganhos com Brent a subir pelo 8.º dia. Saída dos Emirados da OPEP pressiona preços
Ásia fecha dividida à espera de "big tech" e Fed. Taiwan passa Canadá e torna-se sexta maior bolsa do mundo
Europa no vermelho com investidores a reagirem a resultados e incerteza no golfo. Adidas dispara 6%
Os principais índices europeus negoceiam com perdas em toda a linha, à medida que prossegue a apresentação de resultados das cotadas do Velho Continente, num dia em que a decisão da Reserva Federal (Fed) norte-americana sobre política monetária e resultados de quatro das “big tech” vão centrar a atenção dos investidores.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perde 0,34%, para os 604,49 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recua 0,24%, o italiano FTSEMIB cede 0,44%, o francês CAC-40 desvaloriza 0,60%, o espanhol IBEX cai 0,85%, ao passo que o neerlandês AEX desliza 0,27% e o britânico FTSE 100 subtrai 0,64%.
A época de resultados da região teve um início misto, com os investidores à procura de sinais de como os preços mais elevados da energia, provocados pela guerra no Irão, estão a alimentar a inflação. As decisões dos bancos centrais estão no centro das atenções, com a reunião de hoje da Reserva Federal a definir o tom antes das decisões do Banco de Inglaterra e do Banco Central Europeu no final desta semana. Em todas espera-se que as autoridades de política monetária mantenham os juros diretores inalterados.
“A Europa está mais exposta aos preços mais elevados do petróleo, particularmente do gás e dos produtos petrolíferos, uma vez que os EUA têm mais oferta interna”, disse à Bloomberg Roger Lee, da Cavendish. “O impacto inflacionista é potencialmente maior e, por conseguinte, o risco de uma resposta do banco central é mais elevado”, resumiu o mesmo especialista.
Os preços mais altos do crude, com o Brent a registar avanços pelo oitavo dia consecutivo e a fixar-se acima dos 112 dólares por barril, seguem a pressionar o sentimento dos investidores. Nesta linha, a TotalEnergies segue a avançar quase 1% em bolsa, depois de ter divulgado lucros de 5.810 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, um aumento homólogo de 51%, impulsionado pela subida dos preços devido ao conflito no Médio Oriente.
Entre os setores, o das telecom (+0,82%), da tecnologia (+0,69%) e do petróleo e gás (+0,64%) lideram os ganhos. Por outro lado, o do retalho (-1,71%), das seguradoras (-1,36%) e os bens domésticos (-0,92%) registam as perdas mais expressivas.
Já quanto aos movimentos do mercado, o UBS Group pula mais de 4%, depois de o banco suíço ter visto os lucros dispararem 80%, para 3 mil milhões de dólares, superando as expectativas dos analistas quanto às contas do primeiro trimestre. A Adidas, por sua vez, avança mais de 6%, após ter revelado lucros e vendas no primeiro trimestre superiores ao esperado. Por outro lado, o Deutsche Bank cede mais de 2%, depois de a instituição financeira ter sofrido um impacto negativo na sua exposição ao setor imobiliário comercial.
Juros das "gilts" britânicas em máximos de 2008 acima de 5%. Congéneres europeias agravam-se
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro negoceiam com agravamentos em toda a linha, influenciados por uma nova subida dos preços do crude nos mercados internacionais, numa semana em que se espera que tanto o Banco Central Europeu (BCE) como o Banco de Inglaterra mantenham os juros inalterados nos atuais níveis devido à incerteza sobre o impacto da guerra no golfo Pérsico nas respetivas economias.
Neste contexto, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 2,3 pontos-base, para 3,495%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade avança 2,2 pontos-base, para os 3,548%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 3,4 pontos, para 3,919%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa escala 2,3 pontos, para 3,744%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, sobem 1,4 pontos, para os 3,077%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançam 0,6 pontos-base, para os 5,009%, o nível mais elevado desde 2008.
Dólar avança ligeiramente com "traders" à espera que Fed mantenha juros inalterados
O dólar está a registar subidas contidas nesta quarta-feira, antes de ser conhecida a decisão de taxas de juro da Reserva Federal (Fed) norte-americana, embora o foco recaia sobre a avaliação que será feita ao impacto da guerra na economia e sobre o futuro de Jerome Powell. Espera-se que o banco central da maior economia mundial mantenha as taxas inalteradas, à semelhança do que foi ontem decidido pelo Banco do Japão.
Ainda pelos EUA, a Comissão Bancária do Senado deverá validar a nomeação de Kevin Warsh para suceder a Powell como presidente da Fed, com a votação marcada para esta quarta-feira.
Nesta medida, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – ganha 0,04%, para os 98,680 pontos.
Entretanto, o iene japonês perdeu algum terreno, com o dólar a subir 0,03% para 159,670 ienes, apesar da postura “hawkish” apresentada pelo Banco do Japão na terça-feira, sinalizando uma forte probabilidade de um aumento das taxas nos próximos meses, depois de ter mantido os juros inalterados na reunião desta semana.
O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, salientou ontem a disponibilidade do banco para aumentar as taxas de juro, como forma de evitar que o choque energético alimente uma inflação mais generalizada, desde que qualquer abrandamento económico proveniente do Médio Oriente se revele moderado.
Por cá, o euro cede 0,04%, para os 1,171 dólares. Já a libra desvaloriza 0,08%, para 1,351 dólares, na véspera das decisões de p+olítica monetária dos bancos centrais das duas economias.
Ouro cede com "traders" à espera de comentários de Powell sobre impactos da guerra
O ouro está a negociar com perdas nesta quarta-feira, depois de ontem ter atingido o valor mais baixo das últimas três semanas, à medida que a escalada dos preços do crude mantém vivas as preocupações em relação à inflação, enquanto os “traders” aguardam pelas decisões de vários bancos centrais ao longo desta semana.
A esta hora, o ouro cai 0,57%, para os 4.570,530 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso avança 0,17%, para os 73,197dólares por onça.
Os “traders” estão agora à espera dos comentários do presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, para avaliar o impacto da guerra no Irão na maior economia mundial, num momento em que as negociações de paz entre Washington e Teerão se encontram num impasse.
Os mercados esperam que a Fed mantenha as taxas de juro inalteradas no final da sua reunião de dois dias, que termina nesta quarta-feira, à medida que o choque no mercado energético alimenta a inflação.
Entretanto, o Brent manteve-se acima dos 112 dólares por barril, com notícias de que os EUA irão prolongar o seu bloqueio aos portos iranianos. Os preços mais elevados do petróleo aumentam as pressões inflacionistas, o que alimenta a probabilidade de taxas de juro mais elevadas por mais tempo. E embora o ouro seja tradicionalmente visto como uma proteção contra a inflação, taxas diretoras mais altas pesam sobre a procura por ouro, que não rende juros.
Os investidores também se irão centrar noutras decisões de bancos centrais esta semana, incluindo a do Banco Central Europeu, do Banco de Inglaterra e do Banco do Canadá.
O Goldman Sachs, numa nota divulgada na terça-feira à noite e citada pela Bloomberg, diz que continua a esperar que os preços do ouro atinjam os 5.400 dólares por onça até ao final do ano.
Petróleo soma ligeiros ganhos com Brent a subir pelo 8.º dia. Saída dos Emirados da OPEP pressiona preços
Os preços do petróleo estão a negociar de forma estável e com ligeiras valorizações na sessão desta quarta-feira, depois de terem chegado a registar quedas contidas no arranque da negociação, com os “traders” sobretudo centrados na decisão de Abu Dhabi de retirar os Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Produtores de Petróleo.
Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, que avança agora pelo oitavo dia consecutivo, sobe 0,93%, para os 112,30 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 0,57% para os 100,50 dólares por barril. Na semana passada, o Brent e o WTI valorizaram quase 17% e 13%, respetivamente, fixando os maiores ganhos semanais desde o início da guerra.
Noutras matérias-primas, o gás natural negociado na Europa segue a subir 1,04%, para os 44,12 euros por megawatt-hora.
A limitar os ganhos do crude nesta quarta-feira está o facto de os Emirados Árabes Unidos terem abandonado o cartel de produtores OPEP, já que a retirada da organização aponta para uma perspetiva de oferta mais forte quando o país estiver livre das quotas de produção do grupo.
Noutros pontos, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos seus assessores para se prepararem para um bloqueio prolongado aos portos do Irão, informou o Wall Street Journal na terça-feira, citando funcionários norte-americanos. Trump estará a optar por continuar a pressionar a economia e as exportações de petróleo do país, bloqueando o tráfego marítimo nos seus portos, acrescentou o jornal.
Apesar de um cessar-fogo na guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, o conflito encontra-se num impasse.
Entre outros dados, espera-se que as reservas de crude norte-americanas – o maior produtor ao nível mundial - terão caído na semana passada, com os investidores a aguardarem ainda pela divulgação dos dados oficias.
Ásia fecha dividida à espera de "big tech" e Fed. Taiwan passa Canadá e torna-se sexta maior bolsa do mundo
Os principais índices asiáticos fecharam divididos entre ganhos e perdas, enquanto os investidores aguardam por uma série de decisões de bancos centrais sobre taxas de juro, assim como pela apresentação de resultados trimestrais de algumas das maiores cotadas do mundo. Nesta quarta-feira, a Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta dão o pontapé de saída nos resultados das “big tech”, com os investidores atentos aos investimentos e retornos com inteligência artificial (IA), num dia em que a Reserva Federal (Fed) norte-americana decide sobre as taxas diretoras.
Pelo Japão, os mercados estiveram encerrados devido a um feriado nacional. Já por Taiwan, o TWSE cedeu 0,55%, mas as bolsas do país conseguiram, ainda assim, ultrapassar o “market cap” agregado dos índices canadianos, tornando-se no sexto mais valioso do mundo – isto depois de ontem as bolsas sul-coreanas terem ultrapassado a capitalização bolsista dos índices do Reino Unido. No que toca à China, o Hang Seng de Hong Kong ganhou 0,76% e o Shanghai Composite registou uma subida de 1,52%. Quanto à Coreia do Sul, o Kospi fixou um novo máximo de fecho nos 6.686,45 pontos e fechou a sessão a avançar 0,68%.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico subiu 14% este mês, e caminha agora para o seu melhor mês desde novembro de 2022.
Na ausência de desenvolvimentos concretos nas negociações de paz entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, a atenção volta-se agora para os dados económicos que serão divulgados esta semana, à medida que os investidores procuram pistas sobre como é que as economias ao nível global têm reagido ao mais recente choque no mercado energético.
Espera-se que a Reserva Federal mantenha as taxas inalteradas na sua reunião de quarta-feira, na sequência da decisão do Banco do Japão de manter os juros estáveis na sua reunião de ontem. “A cautela parece estar na ordem do dia”, disse à Bloomberg Tim Waterer, da KCM Trade. “É provável que o sentimento oscile entre os movimentos voláteis dos preços do petróleo e as mensagens dos decisores de política monetária no que diz respeito às taxas de juro”, resumiu.
Já os resultados da grande maioria das “big tech” terão implicações para várias empresas asiáticas, muitas das quais são fabricantes de chips e fornecedoras de “hardware” para estes gigantes tecnológicos norte-americanos. O entusiasmo pela IA tem levado as bolsas asiáticas a ultrapassarem o “market cap” de homólogos europeus.
Entre os movimentos do mercado, a chinesa Victory Giant Technology Huizhou – fornecedora da Nvidia - ganhou mais de 6%, após ter reportado um aumento de 28% nas vendas do primeiro trimestre em relação ao ano anterior, impulsionado por uma maior procura de placas de circuito impresso utilizadas em servidores de IA. Já as cotadas do setor de defesa sul-coreano registam uma recuperação, lideradas pela Hyundai Rotem, que pulou quase 8%, depois de a empresa ter anunciado a assinatura de um contrato com um fornecedor de defesa polaco para a produção local de tanques de combate.
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