Impasse nas negociações EUA-Irão e "earnings season" deixam Europa sem rumo
Juros da dívida da Zona Euro sobem. Juros das "Gilts" acima dos 5%
Petróleo avança mesmo com saída dos Emirados da OPEP. Irão terá pedido reabertura de Ormuz
Ouro cai na véspera de decisão sobre juros da Fed
Dólar sobe com procura de ativos seguros em alta devido a impasse no Irão
Tecnológicas afastam Wall Street de máximos históricos. Dow Jones contraria e consegue avançar
Taxa Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
Europa negoceia no verde com atenção a virar-se para resultados. BP sobe quase 3%
Juros agravam-se em toda a linha. Expectativas de inflação disparam em março
Iene ganha terreno depois de BoJ manter juros inalterados
Ouro cai e atinge mínimos de três semanas. Subida do crude e valorização do dólar pressionam
Petróleo avança com impasse no Médio Oriente. Brent nos 110 dólares sobe pelo 7.º dia consecutivo
Ásia fecha dividida com SoftBank a perder 9%. Bolsa sul-coreana atinge recorde e já vale mais do que a de Londres
Impasse nas negociações EUA-Irão e "earnings season" deixam Europa sem rumo
As bolsas europeias encerraram mais uma vez sem tendência definida esta terça-feira, uma vez que os fortes ganhos das ações do setor energético foram atenuados pelos receios de inflação e por uma onda de vendas no setor tecnológico - isto depois de o Wall Street Journal ter avançado que a norte-americana OpenAI não terá conseguido atingir as suas metas relativamente a novos utilizadores e receitas.
O mercado continua atento à "earnings season" europeia, bem como ao conflito no Médio Oriente, que parece não ter fim à vista, já que continua a haver um impasse nas negociações entre as duas partes.
Neste contexto, o índice de referência para a Europa, o Stoxx 600, cedeu hoje 0,37% para 606,58 pontos, pressionado pelos setores das matérias-primas e das tecnológicas, que perderam ambos quase 2%.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recuou 0,27%, o italiano FTSEMIB ganhou 0,77%, o francês CAC-40 desvalorizou 0,46%, o espanhol IBEX ganhou 0,46%, ao passo que o neerlandês AEX caiu 0,78% e o britânico FTSE 100 registou ganhos de 0,11%.
Os lucros da empresas europeias estão a caminho de subir 2,8% neste trimestre em relação ao ano anterior, em linha com as estimativas dos analistas, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence. Os investidores parecem também estar ansiosos antes das reuniões do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra esta semana, que se seguirão à decisão da Reserva Federal, na quarta-feira, à espera de sinais sobre as perspetivas de política monetária. Na terça-feira, o inquérito mensal do BCE aos consumidores revelou um aumento nas expectativas de inflação na Zona Euro no mês passado.
“O sentimento é frágil e a incerteza geopolítica persistente significa que acreditamos que os mercados vão continuar extremamente sensíveis a qualquer sinal de política monetária restritiva ou resultados abaixo do esperado”, disse Altaf Kassam, diretor da State Street Investment Management, à Bloomberg.
Entre os principais movimentos de mercado, as grandes petrolíferas registaram ganhos, uma vez que os lucros da BP superaram as expectativas depois de a guerra no Irão ter levado a um aumento dos lucros da sua operação de comercialização de petróleo. As ações da britânica acabaram com ganhos abaixo de 1%, apesar de terem chegado a subir 1,1%. A Shell subiu 0,9% e a TotalEnergies 1,9%.
"É mais provável que o petróleo atue como um amplificador de volatilidade", afirmou Amanda Lyons, da Energy Group Capital, à Bloomberg. “Volta a ocupar o centro do mercado se os preços altos persistirem por tempo suficiente para alimentar a inflação, as margens e as expectativas de política".
Noutros resultados, o Barclays caiu até 4,3%, mas acabou por fechar com perdas ligeiras, uma vez que as provisões adicionais e uma imparidade de cerca de 200 milhões de libras ofuscaram o que os analistas descreveram como resultados subjacentes sólidos.
A finlandesa Wartsila OYJ Abp, que fornece equipamentos navais, tombou mais de 6% uma vez que as preocupações com a sua divisão de energia compensaram um desempenho acima do esperado.
O setor químico foi arrastado pela gigante Air Liquide, que sofreu a pior queda num ano, tendo terminado a sessão com uma descida de 3,2%, após ter divulgado resultados abaixo do esperado na sua unidade de grandes indústrias.
No setor da saúde, a Bayer mergulhou 4,6%, na sequência de uma reação mista do Supremo Tribunal dos EUA relativamente aos processos judiciais relacionados com o herbicida Roundup. A empresa, que ficou com o produto após ter adquirido a norte-americana Monsanto, está a ser acusada de não alertar os consumidores de que o principal ativo deste produto causa cancro. Já a Qiagen tombou quase 10% após ter revisto em baixa as suas perspetivas para o ano.
Juros da dívida da Zona Euro sobem. Juros das "Gilts" acima dos 5%
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram subidas esta segunda-feira, à medida que mais uma sessão se passou sem progressos significativos nas negociações entre os EUA e o Irão.
Os mercados reforçaram as apostas numa subida das taxas por parte do Banco Central Europeu, depois de os dados relativos às expectativas de inflação no consumidor a um ano na Zona Euro terem ficado bem acima das previsões, nos 4%.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravaram-se em 3,3 pontos-base, para os 3,064%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade subiu 3,7 pontos-base, para 3,721%. Já em Itália, os juros aceleraram 5,8 pontos para os 3,885%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos aumentou 3,8 pontos base para 3,472%, com a “yield” das obrigações espanholas a somar 3,9 pontos para 3,526%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, somaram 3,2 pontos, para 5,003%. Nos EUA, os juros dos Treasuries sobem 1,8 pontos para 4,358%.
Petróleo avança mesmo com saída dos Emirados da OPEP. Irão terá pedido reabertura de Ormuz
Os preços do petróleo estão a valorizar nos mercados internacionais esta terça-feira, depois de esta tarde os Emirados Árabes Unidos anunciarem a sua saída da Organização de Países Exportadores de Petróleo, onde estiveram durante cerca de 60 anos. O país indicou que pretende fazer um "realinhamento estratégico" devido à guerra no Irão e que deverá sair já esta sexta-feira, 1 de maio. A agência noticiosa estatal WAM explica ainda que a saída permitirá ao país responder às mudanças na procura, com o objetivo de aumentar de forma gradual a oferta de crude.
No entanto, a reação dos mercados a esta notícia foi moderada. O barril de Brent perdeu durante breves momentos dois dólares, mas rapidamente os recuperou. A tendência reflete a provável extrema escassez nos mercados físicos, uma vez que a estagnação das negociações de paz estão a obrigar os investidores a preverem um encerramento prolongado do estreito de Ormuz.
Neste contexto, o Brent, que serve de referência para a Europa, soma esta tarde 2,71%, para os 111,16 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, salta 3,78% para os 100,01 dólares por barril. Noutras matérias-primas, o gás natural negociado na Europa segue a cair 1,2%, para os 44,14 euros por megawatt-hora.
O foco dos investidores continua a estar na guerra no Médio Oriente, que percorre a nona semana e continua a remodelar os fluxos mundiais de petróleo, retirando do mercado milhões de barris por dia de oferta proveniente da região.
Esta tarde, o presidente Donald Trump afirmou que o Irão pediu aos EUA que levantassem o bloqueio naval do estreito de Ormuz enquanto as duas partes negoceiam o fim da guerra que entra no terceiro mês e Teerão alega estar num "estado de colapso", disse o republicano.
"Para já, o potencial de subida permanece limitado pela esperança de que as negociações em curso possam levar à normalização do tráfego marítimo na região. Um impasse prolongado deverá impulsionar os preços em alta, enquanto quaisquer desenvolvimentos positivos poderão desencadear uma correção em baixa", disse Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, numa nota a que o Negócios teve acesso.
Ouro cai na véspera de decisão sobre juros da Fed
Os preços do ouro continuam a perder terreno, à medida que o estreito de Ormuz continua inacessível a navegação, apesar das várias rondas negociais entre os EUA e o Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
O bloqueio deste canal marítimo tem provocado aquilo a que a Agência Internacional de Energia chama de maior choque petrolífero e energético de sempre, levando a uma possível escalada da inflação a nível mundial. Se antes da guerra os "traders" apostavam num corte das taxas de juro pela Reserva Federal, antecipam agora que o banco central mantenha os juros em níveis restritivos.
Na expectativa de a Fed manter os juros inalterados na reunião que termina esta quarta-feira, o metal amarelo tomba 2,34% para 4.572,57 dólares por onça. Desde o início da guerra, o ouro desvaloriza 13%.
O Irão deu a entender que poderá estar disposto a aceitar um acordo provisório para reabrir o estreito de Ormuz troca de Washington pôr fim ao bloqueio dos portos iranianos, mas, segundo o New York Times, Donald Trump não estará satisfeito com essa proposta. Aliás, esta tarde, Trump disse mesmo que Teerão terá pedido a reabertura do estreito, já que "está em colapso", disse o Presidente.
"Se o aumento dos preços do petróleo continuar, os 'traders' vão até começar a antecipar novamente uma subida das taxas de juro, tal como fizeram em meados de março. Nesse caso, o preço do ouro poderia, tal como aconteceu na altura, recuar para os 4.500 dólares por onça", escreveram analistas do Commerzbank numa nota, citada pela Bloomberg.
Dólar sobe com procura de ativos seguros em alta devido a impasse no Irão
O dólar sobe esta terça-feira, num momento em que o impasse na situação no Médio Oriente está a levar a um aumento da procura de ativos seguros, na véspera da decisão de política monetária da Reserva Federal dos EUA (Fed).
O índice do dólar DXY ganha 0,18% para 98,67, enquanto o euro recua 0,13% para 1,1709 dólares. Contra o iene, a nota verde sobe 0,13% para 159,61.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse esta terça-feira que o Irão se encontra em “estado de colapso” e terá pedido o desbloqueio de Ormuz pelos EUA, que está a impedir o escoamento das reservas de petróleo, algo que não foi até agora confirmado pelos responsáveis iranianos.
Antes, foi noticiado que Trump terá ficado insatisfeito com a nova proposta apresentada pelo regime de Teerão, que abria a porta ao desbloqueio de Ormuz por parte dos iranianos em troca do adiamento das dicussões nucleares.
Os receios sobre a falta de progressos nos esforços diplomáticos entre os EUA e o Irão reforçaram a procura de ativos de refúgio, assinala Abdelaziz Albogdady, analista da FXEM, numa nota citada pelo WSJ. As perturbações contínuas em Ormuz estão a impulsionar os preços do petróleo, reforçando os receios de inflação, refere Albogdady.
A perspetiva de a Fed manter as taxas de juro na quarta-feira e mostrar-se cautelosa quanto a futuros cortes também está a suportar a moeda norte-americana, referem analistas do Union Bancaire Privee numa nota, também citada pelo jornal.
Tecnológicas afastam Wall Street de máximos históricos. Dow Jones contraria e consegue avançar
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira divididos entre ganhos e perdas, num dia em que as ações tecnológicas estão a ser pressionadas por novos receios de que os avultados investimentos em inteligência artificial (IA) podem vir a não ter retorno no curto prazo. A escalada dos preços da energia também está a afastar os investidores dos ativos de risco, com o Brent - crude de referência para a Europa - a ultrapassar os 112 dólares por barril.
A esta hora, o S&P 500 recua 0,36% para 7.148,20 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite cai 0,75% para 24.696,26 pontos, recuando dos máximos históricos que ambos atingiram na sessão anterior. Já o industrial Dow Jones contraria a tendência e avança 0,26% para 49.294,36 pontos, ficando bastante próximo de recuperar das perdas causadas pelo estalar do conflito no Médio Oriente - que levou os investidores a venderem posições no mercado acionista e a procurar o refúgio do dólar.
O recuo nas ações tecnológicas acontece depois de o jornal norte-americano Wall Street Journal ter noticiado que a OpenAI - dona do ChatGPT - não conseguiu alcançar os seus objetivos em termos de utilizadores e vendas. A notícia está a pressionar os títulos da Nvidia e a afastar a fabricante de semicondutores dos máximos históricos atingidos na sessão anterior, deslizando 2,24% para 211,95 dólares. Também a Oracle e a CoreWeave - parceiros da OpenAI - estão a registar perdas.
A atenção dos investidores vira-se agora para os resultados trimestrais das "sete magníficas", com quatro grandes tecnológicas a apresentarem contas ao mercado na quarta-feira, após o fecho da sessão. "Um teste decisivo para saber se esta recuperação está a perder força será a forma como os mercados reagem a resultados sólidos", afirmou Anna Macdonald, diretora de estratégia de investimento da Hargreaves Lansdown, à Bloomberg. "Quando os resultados financeiros acima das expectativas das empresas de hardware de IA deixarem de ser recompensados, esse será talvez o primeiro sinal de que o posicionamento foi longe demais", completa.
Entre as principais movimentações de mercado, a General Motors avança 0,18%, depois de a fabricante de automóveis ter revisto em alta as suas previsões de lucro para 2026 e ter conseguido registar resultados acima das expectativas dos analistas no primeiro trimestre. O resultado líquido por ação alcançou os 3,7 dólares por ação, acima dos 2,62 dólares projetados pelo mercado. Já a Coca-Cola também conseguiu resultados acima das estimativas e está a disparar 5,93%.
Taxa Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira, nesta semana mais curta e durante a qual se realiza a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que recuou para 2,150%, continuou abaixo das taxas a seis (2,443%) e a 12 meses (2,731%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 2,443%, menos 0,022 pontos do que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a fevereiro indicam que a Euribor a seis meses representava 39,18% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,73% e 24,79%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também baixou hoje, para 2,731%, menos 0,032 pontos do que na sessão anterior.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses cedeu hoje, ao ser fixada em 2,150%, menos 0,020 pontos.
Em março, a média mensal da Euribor subiu nos três prazos, mas de forma mais acentuada nos dois mais longos.
A média mensal da Euribor em março avançou 0,098 pontos para 2,109% a três meses. Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor subiu 0,178 pontos para 2,322% e 0,344 pontos para 2,565%.
A próxima reunião de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), a segunda depois do início da guerra contra o Irão, realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
Na primeira reunião desde o início da guerra, em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa negoceia no verde com atenção a virar-se para resultados. BP sobe quase 3%
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos em toda a linha, num dia em que são conhecidos resultados de cotadas de peso da região, como é o caso da Novartis e da British Petroleum (BP). A par disso, os investidores continuam centrados no impasse entre Estados Unidos (EUA) e Irão, com novos dados das expectativas de inflação dos consumidores da Zona Euro a espelharem os impactos do conflito no golfo Pérsico, que já dura há dois meses.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – avança 0,09%, para os 609,38 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avança 0,17%, o italiano FTSEMIB pula 1,09%, o francês CAC-40 valoriza 0,03%, o espanhol IBEX soma 0,95%, ao passo que o neerlandês AEX ganha 0,12% e o britânico FTSE 100 soma 0,23%.
As ações do setor energético (+1,42%) estão a ter o melhor desempenho, com o Brent a subir mais de 2% e a negociar acima dos 111 dólares por barril.
Neste contexto, a BP está a valorizar quase 3%, depois de ter anunciado ainda esta manhã que o lucro ajustado do primeiro trimestre mais do que duplicou em relação ao ano anterior, na sequência de uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás impulsionada pelo conflito no Médio Oriente. A gigante petrolífera registou lucros de mais de 3 mil milhões de dólares nos primeiros três meses do ano, valor que superou largamente as expectativas dos mercados.
E segundo dados compilados pela Bloomberg, os resultados das cotadas europeias estão a caminho de um aumento de 2,8% neste trimestre em relação ao ano anterior, em linha com as estimativas dos analistas. “É mais provável que o petróleo atue como um amplificador de volatilidade”, disse à agência de notícias financeiras Amanda Lyons, da Energy Group Capital. “Volta a ocupar o centro do mercado se os preços elevados persistirem durante tempo suficiente para se refletirem na inflação, nas margens e nas expectativas em matéria de políticas”, acrescentou.
Entre outras cotadas, a queda de mais de 2% da Novartis está a pressionar o setor da saúde (-1,15%), depois de o grupo farmacêutico suíço ter registado a sua primeira queda nas vendas em quase dois anos. Já o Barclayscai quase 1,50%, após ter revelado provisões adicionais para empréstimos automóveis vendidos indevidamente e uma imparidade de cerca de 200 milhões de libras.
Antes das decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco de Inglaterra, no final desta semana, o inquérito mensal do BCE aos consumidores revelou que as expectativas de inflação na Zona Euro dispararam em março.
As expectativas para a inflação nos próximos 12 meses saltaram para 4% em março, o nível mais elevado desde outubro de 2023 e um aumento acentuado em relação aos 2,5% registados em fevereiro. Este aumento foi o maior registado mensalmente desde o início de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia perturbou os mercados energéticos.
Juros agravam-se em toda a linha. Expectativas de inflação disparam em março
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro negoceiam com agravamentos em toda a linha, influenciados por uma nova subida dos preços do crude nos mercados internacionais, numa semana em que se espera que tanto o Banco Central Europeu (BCE) como o Banco de Inglaterra mantenham os juros inalterados nos atuais níveis devido à incerteza sobre o impacto da guerra no golfo Pérsico nas respetivas economias.
Neste contexto, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 3,6 pontos-base, para 3,470%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade avança igualmente 3,6 pontos-base, para os 3,524%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 4,9 pontos, para 3,876%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa escala 3,3 pontos, para 3,717%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, sobem 2,7 pontos, para os 3,058%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançam 2 pontos-base, para os 4,990%.
Antes das decisões de política monetária do BCE, no final desta semana, o inquérito mensal do banco central aos consumidores revelou que as expectativas de inflação na Zona Euro dispararam em março para 4%, o nível mais elevado desde outubro de 2023 e um aumento acentuado em relação aos 2,5% registados em fevereiro. Esta subida foi a maior registada mensalmente desde o início de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia perturbou os mercados energéticos.
Iene ganha terreno depois de BoJ manter juros inalterados
O iene está a ganhar terreno nesta manhã, depois de o Banco do Japão (BoJ) ter decidido manter as taxas de juro inalteradas numa votação que não foi consensual, marcando a primeira decisão de política monetária numa semana repleta de reuniões de bancos centrais, incluindo o da Zona Euro, do Reino Unido e dos Estados Unidos (EUA), enquanto os efeitos da guerra no Médio Oriente centra as atenções dos decisores de política monetária.
Face ao euro, o iene segue a ganhar 0,21%, para os 0,536 euros, marcando o nível mais forte face à moeda única das últimas duas semanas.
Apesar da valorização, a persistente fraqueza do iene continua a ser motivo de preocupação para Tóquio. Na terça-feira, a ministra japonesa das Finanças, Satsuki Katayama, voltou a alertar os especuladores, afirmando que a volatilidade no mercado de futuros do petróleo bruto está a afetar os mercados cambiais, acrescentando que as autoridades estão “em alerta 24 horas por dia” para tomar “medidas decisivas”.
No seu relatório, o BoJ reviu acentuadamente em alta as suas previsões de inflação subjacente para os anos fiscais que terminam em março de 2027 e março de 2028, ao mesmo tempo que reduziu drasticamente as suas previsões de crescimento para ambos esses anos.
Já pelos EUA, espera-se que a Comissão Bancária do Senado valide a nomeação de Kevin Warsh para presidente da Reserva Federal, com a votação agora marcada para quarta-feira.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – ganha 0,19%, para os 98,679 pontos, interrompendo duas sessões consecutivas de quedas.
Por cá, o euro cede 0,23%, para os 1,169 dólares. Já a libra desvaloriza 0,21%, para 1,351 dólares.
Ouro cai e atinge mínimos de três semanas. Subida do crude e valorização do dólar pressionam
O ouro está a negociar com perdas nesta terça-feira, tendo atingido o seu valor mais baixo das últimas três semanas, à medida que a escalada dos preços do crude mantém vivas as preocupações em relação à inflação, enquanto os “traders” aguardam pelas decisões de vários bancos centrais ao longo desta semana. Também um dólar mais forte está a penalizar o metal amarelo na sessão de hoje.
A esta hora, o ouro cai 1,11%, para os 4.629,940 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso avança 2,96%, para os 73,277 dólares por onça.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, está insatisfeito com a mais recente proposta iraniana para pôr fim à guerra, afirmou um responsável norte-americano, diminuindo as esperanças de uma resolução para o conflito que tem perturbado o abastecimento energético e alimentado a inflação ao nível global. O dólar subiu ligeiramente e os preços do petróleo mantiveram-se acima dos 110 dólares por barril, com o estreito de Ormuz a manter-se praticamente fechado à navegação.
Os preços mais elevados do petróleo bruto podem alimentar a inflação ao aumentar os custos de transporte e produção, aumentando a probabilidade de taxas de juro mais elevadas. E embora o ouro seja considerado uma proteção contra a inflação, taxas de diretoras mais altas prejudicam o metal, que não rende juros.
Neste contexto, espera-se que a Reserva Federal dos EUA mantenha as taxas de juro inalteradas no final da sua reunião de dois dias, na quarta-feira. Os investidores também estarão atentos a outras decisões de bancos centrais esta semana, incluindo do Banco Central Europeu, do Banco de Inglaterra e do Banco do Canadá. O Banco do Japão decidiu hoje manter os juros inalterados.
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