Europa fecha com maioria de perdas. Investidores aguardam época de contas para medir impactos da guerra
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro com nova subida do crude
Euro e libra ganham terreno face ao dólar com "traders" cautelosos com cessar-fogo
Ouro avança pela terceira sessão consecutiva com "traders" a avaliarem trégua frágil
Petróleo volta aos 100 dólares por barril com navegação por Ormuz limitada
Ceticismo com acordo no Irão deixa Wall Street no vermelho. CoreWeave dispara mais de 4%
Taxa Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
Após melhor sessão desde 2022, Europa está de volta às perdas com ceticismo a dominar
Juros agravam-se na Zona Euro após terem afundado na sessão anterior
Dólar estabiliza após ter apagado os ganhos anuais na sessão anterior
Ouro perde terreno após duas sessões em alta
Preços do petróleo voltam a acelerar mas mantêm-se abaixo dos 100 dólares por barril
Ceticismo em torno de cessar-fogo leva Ásia para o vermelho. Europa aponta para quedas
Europa fecha com maioria de perdas. Investidores aguardam época de contas para medir impactos da guerra
Os principais índices europeus voltaram às perdas depois de terem fixado a melhor sessão desde 2022 durante o dia de ontem, à medida que os investidores se mostram cada vez mais preocupados com a possibilidade de o frágil cessar-fogo no Médio Oriente poder não se manter.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – caiu 0,15%, para os 612,59 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 1,14%, o espanhol IBEX 35 recuou 0,15%, o italiano FTSEMIB valorizou 0,50%, o francês CAC-40 cedeu 0,22%, ao passo que o neerlandês AEX ganhou 0,19% e o britânico FTSE 100 registou perdas de 0,05%.
Persiste agora a incerteza quanto à durabilidade do cessar-fogo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, com Teerão a afirmar que vários termos do acordo foram violados. O facto de a navegação pelo estreito de Ormuz permanecer ainda limitada está a pressionar o sentimento dos mercados e a levar a uma nova escalada dos preços do crude.
A Casa Branca anunciou que os EUA iriam manter conversações diretas com o Irão, mesmo com a continuação de ataques a serem sentidos pelo Médio Oriente. Nesta medida, também Israel anunciou que vai iniciar negociações com o Líbano, depois de ter conduzido vários ataques militares contra o país já depois de ter sido decretado o cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irão.
Clemence de Rothiacob, gestora de fundos da Richelieu Invest, disse à Bloomberg que, embora os investidores estivessem aliviados com o cessar-fogo alcançado e com a provável prevenção de uma recessão global, a próxima época de resultados ajudará a avaliar as consequências do conflito. “Os resultados do primeiro trimestre, que começam a ser divulgados na próxima semana, serão fulcrais para avaliar o impacto da guerra em março, no consumo e em setores como o de luxo”, referiu. “Será importante que os investidores voltem aos fundamentais e vejam o que já foi precificado no mercado, uma vez que o panorama económico tem-se mostrado resiliente até agora”, acrescentou a mesma especialista.
Entre os setores, o dos químicos (+1,29%) e do petróleo e gás (+1,91%) lideraram as valorizações. Por outo lado, o dos media (-3,86%), do turismo (-1,98%) e dos bens domésticos (-1,42%) registaram as quedas mais expressivas.
Quanto aos movimentos do mercado, a BP (+3,15%), a TotalEnergies (+2,68%) e a Shell (+1,71%) valorizaram, impulsionadas pela subida dos preços do petróleo. Já a francesa Alstom caiu mais de 8%, depois de o grupo industrial ter assinalado dificuldades cambiais numa antevisão dos resultados.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro com nova subida do crude
Depois de terem registado ontem fortes alívios em reação ao anúncio de cessar-fogo entre os EUA e o Irão, os juros das dívidas soberanas da Zona Euro fecharam hoje com agravamentos em toda a linha. Uma trégua frágil feriu o sentimento dos “traders” e levou a uma valorização do crude, que se está a refletir nos juros das dívidas europeias e a acrescentar à incerteza sobre os impactos económicos da guerra no Médio Oriente.
Nesta medida, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravaram-se em 4,5 pontos-base, para 3,371%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade seguiu a mesma tendência e subiu 4,4 pontos, para 3,425%.
Já os juros da dívida soberana italiana escalaram 3,1 pontos, para 3,733%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agravou-se em 3,3 pontos, para 3,610%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, subiram 4,4 pontos, para os 2,984%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançaram 4,3 pontos-base, para os 4,748%.
Euro e libra ganham terreno face ao dólar com "traders" cautelosos com cessar-fogo
O euro e a libra estão a ganhar terreno face ao dólar, com os "traders" a acompanharem de perto o cessar-fogo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, um dia depois de o anúncio de tréguas ter provocado uma queda generalizada da “nota verde”.
Nesta linha, o acordo parece permanecer ainda em terreno instável, uma vez que Israel bombardeou mais alvos no Líbano e não havia sinais de que o Irão tivesse levantado o bloqueio do estreito de Ormuz. Entretanto, Israel aceitou negociar diretamente com os libaneses e recuar nos ataques ao país, a pedido de Donald Trump.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – recua 0,43%, para os 98,81 pontos, depois de ontem ter atingido o seu valor mais baixo desde fevereiro.
Por outro lado, novos dados sobre as despesas de consumo pessoais divulgados na quinta-feira revelaram que a inflação nos EUA aumentou conforme o esperado em fevereiro e provavelmente subiu ainda mais em março, no contexto da guerra com o Irão, uma tendência que poderá dissuadir a Reserva Federal de reduzir as taxas de juro durante algum tempo. O índice de preços das despesas de consumo pessoal subiu 0,4% após um aumento não revisto de 0,3% em janeiro, informou nesta quinta-feira o Gabinete de Análise Económica do Departamento do Comércio norte-americano.
Já face ao iene, o dólar valoriza 0,11%, para os 158,74 ienes, depois de ter caído brevemente abaixo da marca dos 158 ienes por dólar na quarta-feira. Pelo Japão, a confiança dos consumidores deteriorou-se em março pela primeira vez em três meses, revelou uma sondagem do Governo.
Por cá, o euro sobe 0,41%, para 1,1710 dólares, tendo chegado a atingir máximos de um mês nos 1,1721 dólares no início da sessão. Da mesma forma, a libra esterlina avança 0,40%, para 1,3447 dólares.
Ouro avança pela terceira sessão consecutiva com "traders" a avaliarem trégua frágil
O ouro está a ampliar os ganhos registados na sessão anterior, subindo pelo terceiro dia consecutivo, com os “traders” a avaliarem a possibilidade de uma resolução diplomática para a guerra no Irão, mesmo com as tensões em curso a ameaçarem comprometer um já frágil cessar-fogo.
A esta hora, o ouro soma 1,38%, para os 4.785,93 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso ganha 2,40%, para os 75,89 dólares por onça.
A Casa Branca afirmou que os Estados Unidos (EUA) iriam manter conversações diretas com o Irão, enquanto Teerão classificou os ataques israelitas no Líbano como uma violação da trégua. Entretanto, Israel aceitou negociar diretamente com os libaneses e recuar nos ataques ao país, a pedido de Donald Trump.
“O papel do ouro como 'distribuidor’ de liquidez — em vez de um diversificador de carteira ou um porto seguro — continua em primeiro plano”, afirmaram analistas do Standard Chartered Plc, numa nota citada pela Bloomberg. “A recuperação parece frágil a curto prazo”, acrescentaram, sublinhando ainda que o ouro provavelmente encontrará um terreno mais favorável no mercado físico.
A guerra provocou um pico nos preços da energia e aumentou os riscos inflacionistas, tornando mais provável que os bancos centrais adiem a redução das taxas de juro ou até as aumentem. Isto constitui um obstáculo para o ouro, que não rende juros, mas que tende a ter um melhor desempenho quando os custos de financiamento são mais baixos.
Nesta linha, a recuperação do ouro e da prata que se tem vindo a assistir desde o anúncio de cessar-fogo poderá ser de curta duração se as tensões entre as partes se voltarem a agravar. Na ótica de Renisha Chainani, da Augmont Enterprises, “o cessar-fogo apresenta demasiadas variáveis por resolver para sustentar uma recuperação duradoura”.
Petróleo volta aos 100 dólares por barril com navegação por Ormuz limitada
Os preços do petróleo seguem a escalar nesta quinta-feira, à medida que as dúvidas sobre o frágil cessar-fogo no Médio Oriente suscitam receios de que o fluxo de petroleiros através do estreito de Ormuz possa continuar limitado, com armadores a mostrarem-se hesitantes em retomar o tráfego através da via marítima.
O Brent – de referência para a Europa – sobe agora 4,77%, para os 99,27 dólares por barril. Já o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 8,11% para os 102,06 dólares por barril.
Durante o dia de ontem, ambos os índices de referência caíram abaixo dos 100 dólares por barril, tendo o WTI registado a sua maior queda desde abril de 2020, devido ao otimismo de que o cessar-fogo resultaria na reabertura do estreito.
No entanto, Israel bombardeou mais alvos no Líbano na quinta-feira, colocando as tréguas acordadas entre Washington e Teerão em risco.
No que toca ao fluxo de navios, um petroleiro e cinco cargueiros terão atravessado o estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. Assim, o tráfego permanece praticamente paralisado, com pouca movimentação desde o estalar da guerra a 28 de fevereiro.
A par disso, as instalações petrolíferas regionais continuam sob ameaça. Ainda ontem um oleoduto na Arábia Saudita que tem sido utilizado para contornar o estreito de Ormuz foi atacado pelo Irão.
Ceticismo com acordo no Irão deixa Wall Street no vermelho. CoreWeave dispara mais de 4%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quinta-feira em território negativo, num dia em que os investidores se mostram céticos em relação ao acordo de cessar-fogo celebrado entre o Irão e EUA - ao qual Israel se juntou, posteriormente. As duas partes acusam-se mutuamente de violarem o pacto, com Tel Aviv a atacar o Líbano e Teerão a responder com novas ofensivas contra uma série de países do Golfo Pérsico.
A esta hora, o S&P 500 cai 0,09% para 6.776,71 pontos, enquanto o industrial Dow Jones cede 0,07% para 47.873,28 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite recua 0,23% para 22.584,02 pontos. Estas movimentações acontecem depois de uma recuperação generalizada nas bolsas mundiais na quarta-feira, com o "benchmark" norte-americano a encerrar a sessão de ontem com ganhos superiores a 2,5%, na sequência do cessar-fogo de duas semanas no Irão.
Algumas horas após o pacto ter sido celebrado, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, disse que o acordo de cessar-fogo com os EUA foi violado em três dos pontos estabelecidos. Um deles estava relacionado com o fim dos ataques de Israel ao Líbano, mas é aqui que as posições divergem: a República Islâmica afirma que esta era uma das reivindicações presentes no acordo, enquanto a Casa Branca rejeita essa posição. No entanto, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirma que Tel Aviv terá prometido "conter um pouco" os ataques ao país vizinho.
Além disso, os norte-americanos continuam com uma forte presença militar no Médio Oriente e o estreito de Ormuz não tem registado grande atividade, mesmo depois de os EUA terem prometido uma reabertura rápida desta via marítima. Todos estes fatores levaram o preço do petróleo a reverter uma parte das perdas do dia anterior e a aproximar-se dos 100 dólares por barril, pesando sobre o apetite de risco dos investidores.
"Se a tendência for de preços do petróleo mais elevados durante mais tempo, porque as esperanças de abertura do estreito não se concretizam, então as ações enfrentarão ventos contrários mais duradouros", explica Kevin Brocks, diretor da 22V Research, à Bloomberg. "Se o estreito realmente abrir, estamos apenas a antecipar uma subida de cerca de 5% [nas ações norte-americanas]", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a CoreWeave dispara 4,05%, depois de a empresa de computação em nuvem ter anunciado que o acordo de fornecimento com a Meta vai ser prolongado até dezembro de 2032. Já a Marvell Technology acelera 3,65%, após o Barclays ter aumentando a classificação da ação de "manter" para comprar, citando o aumento da procura por produtos óticos.
Taxa Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que baixou para 2,150%, continuou abaixo das taxas a seis (2,429%) e a 12 meses (2,680%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, cedeu hoje, ao ser fixada em 2,429%, menos 0,096 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a fevereiro indicam que a Euribor a seis meses representava 39,18% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,73% e 24,79%, respetivamente.
No mesmo sentido, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor desceu hoje, para 2,680%, menos 0,180 pontos do que na sessão anterior.
A Euribor a três meses também recuou hoje, ao ser fixada em 2,150%, menos 0,012 pontos.
Em março, a média mensal da Euribor subiu nos três prazos, mas de forma mais acentuada nos dois mais longos.
A média mensal da Euribor em março avançou 0,098 pontos para 2,109% a três meses. Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor subiu 0,178 pontos para 2,322% e 0,344 pontos para 2,565%.
Em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Após melhor sessão desde 2022, Europa está de volta às perdas com ceticismo a dominar
As principais praças europeias estão a negociar em território negativo esta quinta-feira, com Lisboa a ser a única a escapar do pessimismo, num dia em que os investidores estão a mostrar algum ceticismo em relação ao cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão - e ao qual Israel decidiu juntar-se, posteriormente. Os dois lados trocaram acusações de violação do acordo, com Teerão a responder aos ataques de Tel Aviv no Líbano com novas ofensivas nos países do Golfo Pérsico.
A esta hora, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - cai 0,6% para 609,84 pontos, depois de na sessão anterior ter valorizado quase 4% e ter vivido a melhor sessão desde 2022. Ao contrário de quarta-feira, o setor do "oil&gas" é o que regista o melhor desempenho esta manhã, isto depois de ter perdido mais de 157 mil milhões de euros em capitalização bolsista num só dia - a maior queda desde abril do ano passado.
Os investidores estão receosos de que a interrupção da guerra não vá durar as duas semanas prometidas, depois de o Irão ter denunciado o que diz ser uma quebra num dos pontos essenciais acordados no cessar-fogo. Teerão defende que o fim dos ataques ao Líbano faz parte do acordo, mas Washington rejeita este entendimento, embora o vice-presidente norte-americano, JD Vance, já tenha dito que Israel vai refrear os ataques a este país do Médio Oriente.
Numa publicação das redes sociais, Donald Trump advertiu que vai manter forças militares destacadas em torno do Irão até que o acordo alcançado seja cumprido e ameaçou lançar uma ofensiva "maior e mais forte" em caso contrário - colocando pressão sobre um cessar-fogo que já se revela frágil. O Presidente dos EUA advertiu que, se o pacto não for respeitado, "começará a melhor, maior e mais forte batalha que nunca", considerando embora esse cenário "muito improvável", e salientado que "não haverá armas nucleares" e que o Estreito de Ormuz "permanecerá aberto e seguro".
Entre as principais movimentações de mercado, a Shell e a BP avançam 0,53% e 2,08%, respetivamente, num dia em que os preços do petróleo estão novamente a registar ganhos e a aproximar-se dos 100 dólares por barril. Na quarta-feira, a Shell revelou que antecipa lucros "significativamente mais elevados" na divisão de negociação de matérias-primas, impulsionado pela volatilidade nos mercados sentida em março na sequência do estalar do conflito no Médio Oriente.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 1,18%, o espanhol IBEX 35 recua 0,38%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,23%, o francês CAC-40 subtrai 0,78%, ao passo que o neerlandês AEX cede 0,61% e o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,26%.
Juros agravam-se na Zona Euro após terem afundado na sessão anterior
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro voltaram a disparar esta quinta-feira, após terem afundado na sessão anterior com ajuda do acordo de cessar-fogo celebrado entre os EUA e o Irão. No entanto, e após uma troca de ataques entre Tel Aviv e Teerão, os investidores estão a mostrar-se muito mais céticos em relação a este entendimento, com todas as atenções viradas agora para as negociações de paz que arrancam esta sexta-feira.
A interrupção das hostilidades por duas semanas levou os investidores a reduzirem o número de subidas nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) de duas para três, mas esta quinta-feira a probabilidade de existir um terceiro aperto de 25 pontos base na política monetária este ano voltou a crescer. Mesmo assim, o novo ciclo de aperto dos juros diretores não deve começar este mês.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravam-se em 4,9 pontos base para 2,990%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade avança 6.2 pontos para 3,639%. Já em Itália, os juros aceleram 7,5 pontos para os 3,778%.
Pela península Ibérica, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a subirem 7 pontos base para 3,396%. A “yield” das obrigações espanholas, por sua vez, acelera 6,9 pontos para 3,450%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, disparam 6,9 pontos base, para 4,774%.
Dólar estabiliza após ter apagado os ganhos anuais na sessão anterior
O dólar está a negociar praticamente inalterado face aos seus principais rivais esta quinta-feira, depois de na sessão anterior a "nota verde" ter apagado por completo os ganhos alcançados em 2026. O cessar-fogo no Irão levou os investidores a afastarem-se de ativos de refúgio e a divisa norte-americana acabou mesmo por ser a principal penalizada, vivendo o pior dia desde janeiro deste ano e perdendo quase 1% do seu valor face ao euro.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda face aos seus principais concorrentes - avança 0,13%, com os investidores a mostrarem algum ceticismo em relação à durabilidade do acordo de cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão e ao qual Israel acabou por se juntar, posteriormente. A divida norte-americana está a ser levemente impulsionada por uma nova subida nos preços do petróleo, que se aproximam da fasquia dos 100 dólares por barril, fazendo com que os participantes do mercados procurem novamente refúgio.
"Estamos a assistir a uma subida gradual do dólar norte-americano, à medida que parte do clima de apetite pelo risco que se verificou após o anúncio do cessar-fogo está a reverter-se", afirmou David Forrester, estratega sénior do Crédit Agricole, à Bloomberg. "Resultados económicos positivos nos EUA reforçariam a ideia de que é improvável que a Reserva Federal proceda a novas reduções das taxas de juro este ano, mesmo que o fim do conflito no Médio Oriente conduza a uma descida dos preços do petróleo", completa.
Neste contexto, o euro cai 0,03% para 1,1659 dólares, depois de ter alcançado máximos de mais de um mês na sessão anterior. Já a libra perde também 0,03% para 1,3391 dólares, após ter chegado a valorizar mais de 1% na quarta-feira, enquanto a "nota verde" consegue sair do marasmo face ao iene, acelerando 0,24% para 158,95 ienes.
Ouro perde terreno após duas sessões em alta
Após dois dias de ganhos, o ouro está a negociar com quedas pouco avultadas esta quinta-feira, num dia em que os investidores estão avaliar a robustez do acordo de cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão, ao qual Israel se juntou posteriormente. As negociações para alcançar a paz estão a ser ameaçadas por uma troca de acusações entre as partes sobre possíveis violações do acordo, com Teerão a apontar o dedo a Tel Aviv após os ataques no Líbano e os norte-americanos a reforçarem a ideia de que o estreito de Ormuz tem de reabrir imediatamente.
A esta hora, o metal amarelo perde 0,11% para 4.715,83 dólares por onça, depois de ter conseguido ganhar 1,5% nas duas últimas sessões, aproximando-se dos 5 mil dólares. O ouro acabou por ser animado na quarta-feira pelo acordo de cessar-fogo, apesar de ser visto pelos mercados como um ativo de refúgio, que tende a valorizar quando as tensões geopolíticas crescem no mundo.
"O papel do ouro como fonte de liquidez - em vez de um instrumento de diversificação de carteira ou um ativo de refúgio - continua a dominar", escrevem os analistas do Standard Chartered, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "A recuperação parece frágil a curto prazo", afirmaram, acrescentando que o metal precioso deverá encontrar um terreno mais favorável no mercado físico.
Com a guerra já no segundo mês, e o acordo de cessar-fogo a durar apenas duas semanas, os investidores estão a avaliar o impacto que o conflito está a ter nos preços do petróleo e combustíveis - além das pressões inflacionistas que está a criar. Confrontados com esta realidade, os bancos centrais podem ser obrigados a adotar uma postura mais severa em termos de política monetária, o que vai ter um impacto negativo no ouro, uma vez que não rende juros.
Ao mesmo tempo, uma guerra prolongada poderá levar o mundo a um crescimento económico muito mais moderado do que inicialmente era antecipado, prejudicando o mercado de trabalho e justificando uma descida nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americano. Na última reunião, os membros do banco central debateram-se com cenários muito diferentes para a economia dos EUA na sequência da guerra e chegaram a conclusões bastante distintas em relação ao seu impacto económico.
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