Europa atinge novos máximos históricos com impulso da banca. HSBC dispara quase 5%
Juros agravam-se na Zona Euro com investidores atraídos pelo risco
Discurso de Trump deixa dólar fragilizado. Iene em queda após nomeações para o Banco do Japão
Política comercial dos EUA e tensões no Irão dão força ao ouro
Estado da União de Trump leva petróleo a aproximar-se de máximos de sete semanas
Recuperação na IA leva Japão e Coreia do Sul a novos máximos. Europa aponta para o verde
Europa atinge novos máximos históricos com impulso da banca. HSBC dispara quase 5%
É dia de recordes na Europa. As principais praças da região estão a negociar em território positivo esta quarta-feira, impulsionadas por uma recuperação no setor tecnológico, com os investidores a afastarem receios relacionados com a inteligência artificial (IA), e por resultados na banca que acabaram por ficar bem acima das expectativas dos analistas.
A esta hora, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação do Velho Continente - avança 0,44% para 631,92 pontos, tendo chegado a tocar nos 632,40 pontos - um novo máximo histórico para o índice. A banca lidera os ganhos setoriais, avançando 1,85%, seguida da indústria mineira - que beneficia de um aumento dos preços das matérias-primas -, do setor do "oil&gas" e das ações tecnológicas.
A contar com os ganhos desta quarta-feira, o principal índice europeu já acumula um ganho anual de 6,7% - um valor bastante superior aos pares norte-americanos, que têm ficado para trás no rescaldo de uma série de políticas erráticas por parte de Donald Trump, Presidente dos EUA. O tecnológico Nasdaq regista, mesmo, um saldo anual negativo, com as preocupações em relação a uma possível bolha na IA e o impacto da tecnologia em modelos de negócio mais tradicionais a pesarem.
"O pânico em torno da disrupção da IA criou uma situação semelhante a um jogo de acerte o alvo, em que se tenta identificar quais os setores em risco. No entanto, a Europa está menos exposta e, por isso, tem estado protegida contra as consequências negativas", explica Daniel Murray, vice-diretor de investimentos da EFG Asset Management, à Bloomberg.
Entre as principais movimentações de mercado, o britânico HSBC avança 4,83%, depois de o banco ter registado um resultado antes de impostos de 29,9 mil milhões de dólares no ano passado - um valor que fica acima até das próprias previsões da instituição financeira -, isto apesar de ter observado um encargo pontual de quase 5 mil milhões. O banco reviu ainda em alta uma série de indicadores para 2026.
Por sua vez, o Santander acelera 2,12%, após o banco espanhol ter registado lucros de 14,1 mil milhões de dólares no ano passado. Olhando para o futuro, a instituição financeira antecipa alcançar os 20 mil milhões em resultado líquido num só ano em 2028, apoiado no crescimento no mercado britânico e norte-americano.
Estes resultados vêm ajudar à narrativa de que esta época de resultados tem sido mais forte do que o antecipado. As cotadas presentes no MSCI Europe apresentaram um crescimento nos lucros de 3,8% no quarto trimestre, acima das expectativas dos analistas de apenas 1,3%, de acordo com dados recolhidos pela Bloomberg Intelligence.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avança 0,28%, o espanhol IBEX 35 ganha 0,41%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,87%, o francês CAC-40 salta 0,31%, o neerlandês AEX sobe 0,77%, ao passo que o britânico FTSE 100 acelera 0,92%.
Juros agravam-se na Zona Euro com investidores atraídos pelo risco
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com agravamentos esta quarta-feira, num dia em que os investidores mostram mais apetite pelo risco, após várias sessões com as bolsas a registarem alguma turbulência. O movimento acompanha ainda um agravamento de 4 pontos da "yield" japonesa, em reação à pressão feita por Sanae Takaichi ao Banco do Japão para não subir as taxas de juro e à nomeação de dois nomes "dovish" para a autoridade monetária.
Os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, avançam 1,2 pontos-base para 2,717%, enquanto a "yield" da dívida francesa com a mesma maturidade acelera 0,3 pontos-base para 3,268%. Em Itália, a subida é de 0,5 pontos-base para 3,317%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cresce 0,5 pontos para 3,054% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade agravam-se na mesma medida para 3,121%.
Fora da Zona Euro, a tendência mantém-se, com os juros das "Gilts" britâncias a saltarem 1,6 pontos-base para 4,320%. Dirigindo-se aos deputados no Parlamento britânico, o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que um corte nas taxas de juro em março é uma possibilidade, embora reconheça que a inflação nos serviços não caiu tanto como antecipava.
Discurso de Trump deixa dólar fragilizado. Iene em queda após nomeações para o Banco do Japão
A insistência de Donald Trump, Presidente dos EUA, numa política comercial protecionista continua a não dar espaço ao dólar para recuperar terreno. A "nota verde" está a negociar no vermelho esta quarta-feira, após o líder da maior economia do mundo ter referido, no discurso do Estado da União, que vai impor novas tarifas através de outros meios legais, antecipando tanta receita com este regime que pode vir a "substituir o atual sistema de impostos sobre rendimentos".
A esta hora, o euro avança 0,18% para 1,1793 dólares, enquanto a libra acelera 0,18% para 1,3513 dólares, depois de quase ter tocado mínimos de um mês na sessão anterior. Dirigindo-se aos deputados no Parlamento britânico, o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que um corte nas taxas de juro em março é uma possibilidade, embora reconheça que a inflação nos serviços não caiu tanto como antecipava.
Por sua vez, o dólar continua a avançar face ao iene, acelerando 0,17% para 156,14 ienes, isto depois de já na sessão anterior a "nota verde" ter chegado a crescer mais de 1%. O movimento desta quarta-feira procede a nomeação para o Banco do Japão de dois nomes considerados "dovish" (adeptos de uma política monetária mais flexível) por parte do Governo de Sanae Takaichi.
"Tanto [Toichiro] Asada como [Ayano] Sato são conhecidos pela sua política monetária acomodatícia contínua e pela sua postura positiva em relação a uma política orçamental ativa", afirmou Ryutaro Kimura, estratega sénior da AXA Investment Managers, à Bloomberg. "Esta escolha contradiz a avaliação prévia dos investidores de que a nomeação de pelo menos uma pessoa que priorizasse a solidez orçamental iria travar a depreciação do iene", acrescenta.
Política comercial dos EUA e tensões no Irão dão força ao ouro
O ouro está a negociar em alta esta quarta-feira, impulsionado por um dólar mais fraco e por um aumento da incerteza em torno da política comercial dos EUA e das negociações com o Irão para alcançar um acordo nuclear. Estes dois últimos temas foram abordados por Donald Trump no discurso do Estado da União, que acabou por nublar ainda mais o caminho a adotar pelos investidores.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,84% para 5.187,08 dólares por onça, tendo chegado a acelerar 1,3% esta quarta-feira - revertendo quase por completo as perdas da sessão anterior. Apesar de o Presidente norte-americano ter ameaçado com a imposição de tarifas globais de 15%, até agora os EUA só impuseram taxas aduaneiras de 10%, não tendo sido ainda assinada qualquer ordem executiva para aumentar esse valor.
No mais longo discurso do Estado da Nação da história, Trump até moderou a sua retórica contra o Supremo Tribunal - que decidiu declarar ilegais as tarifas do Presidente -, mas voltou à carga em relação à introdução de mais taxas aduaneiras por outros vias. Garantiu ainda que "não será necessária qualquer ação do Congresso" norte-americano, reforçando a crença que a sua política comercial vai "substituir o sistema atual de impostos sobre os rendimentos".
Todos estes avanços e recuos têm dado força ao ouro para permanecer acima dos cinco mil dólares por onça, depois de sessões com bastante volatilidade no início de fevereiro. Para Yuxuan Tang, diretora de estratégia macroeconómica para a Ásia do JPMorgan Private Bank, "parece que se está a preparar um grande movimento em alta", com a incerteza tarifária e o risco no Médio Oriente a "revelaram-se suficientes para catalisar uma mudança mais sustentada", cita a Bloomberg.
Estado da União de Trump leva petróleo a aproximar-se de máximos de sete semanas
O barril de petróleo está a negociar em alta esta quarta-feira, levando a matéria-prima a aproximar-se de máximos de sete semanas, após Donald Trump ter reforçado a ideia de que o Irão está mesmo a construir um arsenal nuclear, naquele que foi o mais longo discurso do Estado da União da história. Os comentários foram suficientes para aumentar a especulação de que os EUA estão a preparar-se para uma intervenção militar, apesar de estar previsto que Washigton e Teerão se sentem à mesa de negociações já nesta quinta-feira.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 0,55%, para os 66,04 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,48% para os 71,11 dólares por barril. Na sexta-feira, o Brent atingiu máximos de 31 de julho, enquanto o WTI alcançou o valor mais elevado desde 4 de agosto, com ambos a beneficiarem de uma escalada de tensões no Médio Oriente.
"Prefiro resolver este problema através da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo, que é o que eles [Irão] são, tenha uma arma nuclear", atiçou o Presidente dos EUA, num discurso de quase duas horas. Apesar disto, Donald Trump reiterou que o programa nuclear de Teerão tinha sido "obliterado" com os ataques de junho do ano passado, que tiveram como alvo três infraestruturas iranianas. O Irão insiste que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e nega que esteja a procurar construir armas.
Ao mesmo tempo, os EUA têm vindo a aumentar a sua presença militar no Médio Oriente a uma magnitude que já não se observava desde a invasão norte-americana ao Iraque, sob o pretexto de destruir as alegadas armas de destruição maciça que o país teria. Qualquer conflito na região, principalmente com o Irão, pode levar a graves disrupções no abastecimento de crude a nível global, caso Teerão decida retaliar com o encerramento do Estreito de Ormuz - por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido em todo o mundo.
Recuperação na IA leva Japão e Coreia do Sul a novos máximos. Europa aponta para o verde
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira no verde, à medida que os receios em torno de possíveis disrupções causadas pela inteligência artificial (IA) deram um passo atrás, após várias semanas de turbulência. O índice MSCI da Ásia acelerou 1,4% para um novo recorde, enquanto, pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta ligeira.
A recuperação do setor tecnológico está a ser ajudada pelos planos da Anthropic, uma startup de IA norte-americana que lançou o caos nas bolsas há umas semanas com o lançamento de uma nova ferramenta que permite autonomizar serviços legais e financeiros. Esta terça-feira, a tecnológica anunciou que estava pronta para criar parcerias com outras empresas, sugerindo que o seu objetivo passa por integrar o "chatbot" Claude noutros negócios - em vez de os substituir.
"[Este anúncio] foi, em grande parte, um corte no fluxo de más notícias [para os modelos de negócio tradicionais]", explica Matthew Haupt, gestor de carteiras da Wilson Asset Management, à Bloomberg. "Mas, na realidade, não terá muita vida, dado que as questões em torno da disrupção da IA ainda estão por resolver", acrescenta. No arranque da semana, um estudo da Citrini Research lançou, mais uma vez, o pânico entre os investidores, ao indicar que o sucesso desta tecnologia poderia levar ao desemprego em massa nos EUA bem como a um PIB "fantasma" - ou seja, produção que não se reflete no consumo.
Pela China, e depois de ter registado uma queda avultada na sessão anterior, o Hang Seng acelerou 0,5%, enquanto o Shanghai Composite ganhou 0,6%. Já no Japão, o Nikkei 225 - "benchmark" para a negociação do país - acelerou 2,20% e atingiu um novo máximo histórico, à boleia de um recuperação em força do setor tecnológico, elevando os ganhos deste ano para quase 15%.
Também na Coreia do Sul e em Taiwan foi dia de recordes, com o sul-coreano Kospi - um dos índices que registou um dos melhores desempenhos no ano passado, sendo visto como a "cabeça de cartaz" para a IA - a crescer 1,91%. Já pela Austrália, também foi dia de ganhos mas sem novos máximos, com o S&P/ASX 200 a valorizar pouco mais de 1%.
No entanto, todo este otimismo estará à prova esta quarta-feira, quando a Nvidia apresentar resultados já depois do fecho da sessão de Wall Street. A era do crescimento a três dígitos já terminou, mas os investidores querem perceber se a tecnológica consegue continuar a surpreender e a superar as expectativas mais elevadas ou se os receios em torno dos retornos apenas a longo prazo são reais.
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