CSG salta mais de 30% na estreia na bolsa de Amesterdão. Ouro já faz mira aos 5.000 dólares
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
CSG salta mais de 30% na estreia na bolsa de Amesterdão
O gigante da defesa Czechoslovak Group (CSG) estreou-se nesta sexta-feira na bolsa de Amesterdão com uma forte valorização. As ações da empresa chegaram a valorizar 32%, para os 33 euros por título, estando neste momento a valorizar 26,44% para os 31,61 euros por título.
O preço por ação da Oferta Pública Inicial (IPO na sigla em inglês) da empresa era de 25 euros por ação. A CSG tem sido um importante fornecedor de munições e equipamento militar para a Ucrânia e é uma das empresas de defesa que mais cresce no mundo.
"A subida inicial é ainda maior do que alguns esperavam, embora o negócio tenha sido estruturado para agradar ao mercado, e sublinha o tema da defesa e a procura pelo setor", sublinha Mark Taylor, diretor de negociação na Panmure Liberum, citado pela Bloomberg.
Juros da dívida soberana aliviam na Zona Euro. "Bunds" são exceção
Os juros das principais dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar esta sexta-feira, com os investidores a digerirem os últimos desenvolvimentos geopolíticos, marcados pelo desanuviar da tensão relativamente ao futuro da Gronelândia.
Os investidores, que esta semana se têm vindo a afastar da aposta nas bolsas de valores, têm nas obrigações europeias um ativo de refúgio nos dias de maior turbulência no mercado de ações. A taxa de juros das obrigações cai quando a procura por estes ativos é maior.
A descida dos juros verificava-se praticamente em toda a linha, por volta das 10h, mas com uma grande exceção: as obrigações alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, estavam a subir 0,5 pontos-base para uma taxa de 2,891%.
Já a "yield" francesa com a mesma maturidade recuava 1,2 pontos para 3,502%, enquanto os juros italianos deslizavam 0,7 pontos para 3,505%.
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos desciam 0,6 pontos para 3,249%. Espanha acompanha a tendência, com os juros da dívida a 10 anos a recuarem na mesma medida para 3,261%.
No Reino Unido, a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,464%, uma descida de 0,9 pontos-base.
Nos EUA, as obrigações seguem a tendência de alívio e cedem 1,2 pontos-base para uma taxa de rendibilidade de 4,233%.
Principais praças europeias recuam apesar do desanuviar da tensão geopolítica
As principais bolsas europeias estavam a negociar, esta sexta-feira, em queda, com os investidores atentos, por um lado, aos desenvolvimentos geopolíticos, pautados pelo desanuviar da tensão relativamente ao futuro da Gronelândia, e, por outro, em plena época de balanços, focados na apresentação de resultados das empresas.
Pelas 09:30 horas, o índice Stoxx 600 - o índice de referência da Europa - cedia 0,8%, para os 608,38 pontos.
Olhando para os principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX caía 0,1%, o espanhol IBEX 35 cedia 0,36%, o italiano FTSEMIB desvalorizava 0,50% e o neerlandês AEX deslizava 0,26%.
A bolsa de Lisboa também negociava em baixa, com o principal índice, o PSI, a recuar 0,20% para 8.587,57 pontos, invertendo o rumo de abertura.
A contrariar a tendência nas praças bolsistas europeias estavam o francês CAC-40 que valorizava 0,4% e o britânico FTSE 100 que subia 0,19%.
O índice de referência para a Europa conseguiu recuperar parte das perdas do dia anterior, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter recuado na ameaça de impor novas tarifas relacionadas com a Gronelândia a uma série de países europeus e após sólidos resultados de empresas terem impulsionado o otimismo.
Ainda assim, como assinala a Bloomberg, as ações europeias estão a caminho de registar a primeira queda semanal em seis semanas, depois de as preocupações comerciais terem abalado o sentimento dos investidores no início da semana.
"A correção muito limitada desta semana mostra que os investidores estão a habituar-se ao ruído, com a administração Trump aparentemente a recuar sempre que os mercados reagem de forma muito forte", observou Philipp Lisibach, chefe de estratégia e investigação do LGT Private Banking, citado pela agência de notícias financeira.
Iene em alta com previsões económicas reforçadas. Yuan abaixo dos sete dólares
A reunião do conselho de política monetária do Banco do Japão (BoJ na sigla em inglês) está a dar força ao iene na negociação cambial desta sexta-feira. O BoJ, liderado por Kazuo Ueda, manteve as taxas de juro em 0,75%, o nível mais elevado desde 1995, e reviu em alta as projeções económicas para o ano fiscal de 2026.
O BoJ afirmou ainda que irá manter a trajetória de subida das taxas, para alcançar um crescimento económico sustentado. As divisas tendem a valorizar num contexto de crescimento económico e de taxas de juro mais altas. O iene recupera assim algum terreno, depois de semanas em queda e que têm colocado em causa o estatuto de refúgio da divisa japonesa.
Neste contexto, o índice do dólar americano (DXY) da Bloomberg, que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, está a recuar 0,04% para os 98,3240 pontos.
Brent Donnelly, presidente da empresa Spectra Markets, escreveu numa nota que "o mundo está a perceber que o pesadelo da política americana ainda não acabou", o que continua a pesar sobre o dólar. O Presidente dos EUA voltou a ameaçar o Irão esta sexta-feira.
A esta hora, o euro segue a desvalorizar 0,14% para 1,1740 dólares e a libra segue a avançar 0,21% para 1,3530 dólares. O dólar também recua 0,20% para 0,7906 francos suíços. O dólar perde ainda 0,28% face à divisa japonesa, para 157,97 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro cai 0,32% para 0,8677 libras e recua 0,39% para 185,47 ienes.
Nesta sexta-feira, destaque também para a moeda chinesa. O Banco Popular da China fixou o câmbio oficial do yuan abaixo da "barreira psicológica" das sete unidades por dólar, pela primeira vez desde maio de 2023, num sinal que Pequim pode estar aberta à revalorização da moeda.
De acordo com a instituição no seu portal na internet, a taxa de câmbio oficial para hoje foi fixada em 6,9929 yuans por cada dólar, 0,13% mais forte do que as 7,0019 unidades do dia anterior.
Ouro bate novo recorde e faz mira aos 5.000 dólares. Prata também quase nos 100 dólares
A negociação dos metais preciosos continua em alta, com o ouro e a prata a aproximarem-se de duas barreiras simbólicas: cinco mil dólares no caso do metal "amarelo" e os cem dólares no caso do metal "branco".
A incerteza geopolítica e económica, ainda não totalmente dissipada, apesar de o Presidente dos EUA ter dito que não usaria a força na Gronelândia, nem aplicaria tarifas a países europeus, aliada a um dólar mais fraco, que potencia a procura dos metais preciosos por investidores de outras divisas, continuam a dar gás aos metais.
"Os investidores veem cada vez mais o ouro como uma proteção fiável contra estes riscos de mudança de regimes difíceis de quantificar", analisa Yuxuan Tang, líder de estratégia na Ásia do J.P. Morgan, citado pela Bloomberg.
A negociação de ouro chegou aos 4.967,34 dólares por onça na sessão desta sexta-feira, estabelecendo assim um novo recorde para o metal amarelo e aproximando-o da barreira dos cinco mil dólares por onça. Às 08:43 horas, o ouro recuava ligeiramente, cedendo 0,26%, mas mantinha-se ainda assim acima dos 4.900 dólares.
Já a prata capitaliza também com esta procura por metais preciosos e avança 1,74% para os 97,92 dólares por onça.
Com estas valorizações recentes, o preço do ouro já saltou quase 14% este ano, enquanto a prata disparou 36% desde o início do ano.
"A oferta de ouro simplesmente não é suficiente para a diversificação face às tensões do mercado e da política dos EUA, o que torna os tetos de preços bastante frágeis", analisou Ahmad Assiri, da área de estratégia do grupo Pepperstone.
Por exemplo, nesta semana, o banco central da Polónia aprovou a compra de 150 toneladas de ouro para enfrentar a instabilidade geopolítica.
Petróleo ganha terreno com novas ameaças de Trump ao Irão
Os preços do petróleo estão a recuperar terreno nesta sexta-feira, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter voltado a ameaçar o Irão, grande produtor de crude do Médio Oriente, aumentando as preocupações com uma ação militar norte-americana no país que poderá interromper o abastecimento.
O WTI – de referência para os EUA – ganha 0,45%, para os 59,63 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,42% para os 64,33 dólares por barril.
Tanto o WTI como o Brent caíram cerca de 2% na sessão de quinta-feira. E apesar do aumento registado nos “stocks” de crude dos EUA estar a pressionar o avanço dos preços do barril, Trump disse aos jornalistas que seguiam a bordo do Air Force One que os EUA têm uma “armada” a caminho do Irão, mas que esperava não ter de usá-la, numa nova ameaça a Teerão. O Irão é o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e um importante exportador para a China, o segundo maior consumidor mundial de "ouro negro".
Ambos os preços de referência devem registar ganhos semanais de cerca de 0,6% após os preços terem subido no início da semana com as ameaças de Trump de invadir a Gronelândia.
Dados da Administração de Informação Energética dos EUA divulgados na quinta-feira mostraram que os "stocks” de petróleo bruto do país subiram 3,6 milhões de barris na semana terminada a 16 de janeiro, acima do aumento de 1,1 milhão de barris previsto por analistas.
Índices asiáticos fecham em alta. Bolsas sul-coreana e de Taiwan renovam recordes
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta sexta-feira com ganhos em toda a linha, com algumas das praças da região a atingirem novos recordes, num dia em que o Banco do Japão (BoJ) decidiu manter as taxas de juro inalteradas. Por cá, o Euro Stoxx 50 segue a ceder cerca de 0,20%.
Pelo Japão, o Nikkei pulou 0,29% e o Topix avançou 0,37%. O sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial – ganhou 0,76%, atingindo um novo máximo histórico nos 5.021,13 pontos, ao passo que o índice de referência de Taiwan valorizou 0,68%, tendo também chegado a um novo recorde nos 32.042,44. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong ganhou 0,41% e o Shanghai Composite somou 0,33%.
Os investidores parecem estar a favorecer ativos fora dos EUA, dada a imprevisibilidade política da Administração Trump e a incerteza geopolítica que se atravessa.
O iene enfraqueceu em relação ao dólar depois de o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, ter dito que o banco central pode vir a intervir no mercado da dívida para estabilizar as obrigções. Os comentários foram feitos depois de o BoJ ter mantido a sua taxa de juros inalterada em 0,75%, conforme já era esperado pelos mercados. Ao mesmo tempo, o banco central divulgou previsões de inflação mais alta, o que dá margem ao decisor de política monetária para que o próximo aumento das taxas diretoras ocorra antes do esperado.
“A região asiática está longe [da turbulência] geopolítica que envolve os EUA, a UE e a América Latina”, disse à Bloomberg Mabrouk Chetouane, da Natixis IM Solutions. “Essa distância funciona como uma espécie de escudo” e permite que os investidores diversifiquem a exposição a “ativos de risco”, acrescentou o especialista.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico subiu 5,5% até agora este ano, em comparação com um avanço de 1% para o Índice S&P 500.
Os mercados bolsistas têm vindo a ganhar terreno ao nível global, depois de Trump ter recuado nas suas ameaças de impor tarifas a países europeus que se opunham aos seus planos de adquirir a Gronelândia. “O recente episódio da Gronelândia aumentou ainda mais as tensões entre os EUA e a UE e lançou ainda mais dúvidas sobre a confiabilidade dos Estados Unidos como parceiro económico e de segurança”, disse Sarah Bianchi, da Evercore ISI, numa nota enviada à agência financeira.
O Sumitomo Mitsui Financial Group subiu mais de 2% e foi o que mais contribuiu para o ganho do Topix. Ainda assim, apesar dos recentes ganhos, as ações ligadas à produção de semicondutores foram das que tiveram pior desempenho no Nikkei 225, depois da Intel ter apresentado previsões de lucros para o primeiro trimestre que ficaram aquém das expectativas do mercado. Nesta linha, a Lasertec caiu mais 5% e a Ibiden recuou 3,07%, influenciadas pelas previsões da empresa norte-americana.
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