DBRS mantém rating e “outlook” de Portugal

A agência de rating optou por não alterar a notação soberana de A (alto) e a perspetiva estável na revisão agendada para esta sexta-feira. Apesar do "desempenho económico e orçamental sólido", a DBRS alerta para as "pressões crescentes da despesa", que farão com que os excedentes sejam cada vez mais difíceis de alcançar.
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Pedro Barros Costa 16 de Janeiro de 2026 às 21:07

A DBRS, na primeira avaliação do ano, optou por manter o rating de Portugal em A (alto) com outlook estável, anunciou a agência canadiana esta sexta-feira. A manutenção do rating - o quinto patamar mais elevado da agência - , embora com a possibilidade de uma revisão em alta do "outlook", o que acabou por não acontecer.

Para a DBRS, a tendência estável reflete a visão de que “os riscos para os ratings de crédito estão equilibrados”. “O desempenho económico orçamental e sólido continuou em 2025, apesar de um ambiente externo desafiante e incerto”, justifica a agência em comunicado.

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“O outlook de Portugal no médio prazo deverá continuar favorável apoiado por um forte mercado de trabalho, uma política monetária menos restritiva e a execução do Plano de Recuperação e Resiliência”, acrescenta.

A DBRS assinala ainda que “Portugal está a caminho de registar um excedente orçamental em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, e o Governo projeta um ligeiro excedente para 2026". Contudo, a agência deixa o alerta: “Manter os excedentes orçamentais será cada vez mais difícil tendo em conta as crescentes pressões de despesa e os cortes de impostos planeados e implementados”.

Apesar de "o risco de Portugal se desviar do compromisso de política orçamental prudente serem baixos", a agência destaca que as pressões de despesa relacionadas com o envelhecimento da população e e o aumento da despesa em defesa deverão "exercer uma pressão contínua sobre o orçamento ao longo do tempo".

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Este aspeto deverá ser contrabalançado pela “atual posição orçamental e dinâmicas favoráveis da dívida”, refere a agência, assinalando que o rácio da dívida face ao PIB deve cair para menos de 90% e para um nível inferior ao da Zona Euro “pela primeira vez desde 2006”.

A agência destaca o "crescimento sólido" da economia portuguesa, embora as perspetivas estejam sujeitas a "riscos descendentes", surgindo principalmente do lado externo. "Estes incluem o risco de escalada das tensões comerciais e geopolíticas." 

Esta foi a primeira avaliação ao rating de Portugal pelas quatro principais agências este ano, depois de vários "upgrades" em 2025. À semelhança da DBRS, a Standard & Poor’s tem o rating de Portugal no quinto patamar mais elevado, ao passo que a Fitch o coloca no sexto nível e a Moody’s ainda o tem no sétimo lugar da tabela. As restantes três agências atribuem a Portugal uma perspetiva estável.         

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