Société Générale ainda vê riscos no Novo Banco
A divulgação do balanço zero do Novo Banco, no dia 3 de Novembro, relativo aos activos totais que detinha a 4 de Agosto a entidade agora liderada por Eduardo Stock da Cunha, "foi um primeiro passo importante no processo de recuperação/venda, mas consideramos que a situação do banco é decepcionante", sublinham os analistas do Société Générale (SG) num "research" hoje publicado.
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O SG tem uma recomendação de "manter" para a dívida sénior do Novo Banco, essencialmente porque considera altamente improvável que haja um ‘bail-in’ [regime que prevê que sejam os accionistas e os credores a assumir as perdas quando o banco é resgatado], mas também considera que o juro de 5% com que actualmente negoceiam as obrigações do banco não compensa o risco de deter dívida daquela instituição financeira.
"O fundo de resolução de Portugal, que é o actual accionista que controla o Novo Banco, também fez um convite à apresentação de ofertas de potenciais compradores, lançando assim o processo de venda do NB. Salientamos que os bancos sujeitos a sanções pela União Europeia ou pelos EUA serão excluídos de qualquer processo de apresentação de propostas, mas também sabemos que o Santander, BBVA e BPI já demonstraram interesse", refere a nota de análise.
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"Se o Novo Banco for vendido abaixo do valor contabilístico, poderá ser exigido a outros bancos nacionais que contribuam mais ao longo do tempo" para o fundo de resolução, salienta o Société Générale.
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"Se estivéssemos a conceber um novo banco ‘limpo de activos tóxicos’, provavelmente asseguraríamos que teria um rácio Tier 1 de dois dígitos para afastar quaisquer dúvidas quanto à sua solvência. Em contraste, o Core Tier 1 de 9,2% do Novo Banco parece fraco", acrescenta o "research assinado por Jean-Luc Lepreux e Paul Fenner-Leitão.
Os analistas referem ainda o facto de o teste de stress ao Novo Banco ter sido adiado enquanto se esperava pela divulgação do balanço e dizem recear que a análise à resiliência do banco perante choques adversos possa levar a que uma vez mais seja questionada a sua viabilidade.
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"O Novo Banco divulgou no seu balanço zero mais perdas por imparidade dos activos, além dos assumidos pelo BES no primeiro semestre de 2014. Estas provisões reforçam a protecção do crédito do NB, o que aumenta de forma positiva a cobertura do crédito malparado (13,8% dos empréstimos brutos) para uns confortáveis 87%", realça a análise.
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Os analistas do SG referem também que a liquidez do Novo Banco parece "insustentavelmente débil", com um rácio de transformação de 174% [concede mais crédito do que os depósitos que tem] e uma elevada dependência do financiamento do Banco Central Europeu. Segundo o "research", a divulgação do balanço zero destaca a dimensão da retirada de depósitos que ocorreu em Julho, antes da intervenção regulatória e da criação do NB, com os depósitos a encolherem em 7,4 mil milhões de euros para 25,1 mil milhões, contra um crédito líquido de 43,8 mil milhões (excluindo o efeito perímetro).
Relativamente ao passivo do Novo Banco, a análise sublinha que os empréstimos diminuíram em 6,5 mil milhões de euros e a dívida em 3,4 mil milhões, a reflectir os activos tóxicos ou mais problemáticos que ficaram no "banco mau" BES: BES Angola (excepto o financiamento intragrupo), bem como as subsidiárias de Miami e da Líbia, e o crédito ao Grupo Espírito Santo.
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"Proceder ao reembolso dos 2,9 mil milhões de euros da dívida que vence em 2015 poderá exigir a venda de mais activos, uma vez que a capacidade de refinanciamento através do banco central e/ou do financiamento do mercado parece actualmente bastante restringida, o que deverá pressionar ainda mais as receitas, podendo potencialmente debilitar a rede Novo Banco", conclui a nota de análise do Société Générale.
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Quanto à perspectiva para a qualidade da dívida nos próximos 6 a 12 meses, o SG atribui um ‘outlook’ negativo ao Novo Banco, o que significa que espera que a qualidade das obrigações no final desse período seja materialmente mais fraca.
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