Na sessão de abertura da conferência “Economia Sombra: Um Desafio Global, Uma Resposta Conjunta”, uma iniciativa do NOW e do Negócios, com o apoio da Tabaqueira, Luís Neves situou desde logo o problema numa escala dupla, ao afirmar que “a ameaça é simultaneamente local e global”. Segundo o ministro da Administração Interna, “estas ameaças põem em causa o modo de vida das sociedades democráticas”.
Entre os fenómenos que mais preocupam o Governo, destacou o tráfico de estupefacientes, a economia sombra digital, o tráfico de armas, a fraude fiscal e o contrabando, com especial incidência recente no setor dos combustíveis.
Luís Neves traçou um retrato duro do avanço do crime organizado na Europa, recordando que, “há poucos anos, seria difícil imaginar juízes, testemunhas protegidas, jornalistas e polícias sob ameaça”. Apontou os exemplos da Bélgica e da Holanda, onde a “macromáfia ligada ao narcotráfico tem gerado fortes ameaças institucionais”.
O ministro alertou para duas consequências possíveis caso o Estado não reaja. Por um lado, os Estados podem ser capturados pelo crime organizado. Por outro, podem ser empurrados para regimes de exceção, com medidas capazes de colocar em causa liberdades fundamentais. Defendeu o reforço dos instrumentos de investigação criminal, considerando que “existe um desequilíbrio crescente entre organizações criminosas, que recorrem a tecnologias avançadas e comunicações encriptadas, e as autoridades responsáveis pelo seu combate”.
Luís Neves estabeleceu ainda uma ligação entre terrorismo e crime organizado, sublinhando que o financiamento de redes terroristas assenta frequentemente em atividades ilícitas como o tráfico de seres humanos, a imigração ilegal e o contrabando. O ministro defendeu igualmente maior firmeza na aplicação da lei, referindo que “as organizações criminosas não podem continuar a beneficiar de respostas insuficientemente dissuasoras”.
Encerrou a intervenção reafirmando os princípios que guiaram toda a sua carreira, “cooperação, coordenação e lealdade institucional, assentes na confiança entre parceiros, para que Portugal e a Europa continuem a ser um espaço de liberdade”.