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Amendoal: Aqui não se deixe de rodriguinhos

No centro de Loulé, mesmo ao lado do mercado. A Amendoal tem as portas abertas desde 1976. E o nome não engana: há doces de amêndoa com fartura para matar o pecado da gula.

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 27 de Outubro de 2016 às 00:01
Pedro Elias
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A televisão está ligada no primeiro andar. O som do programa matinal faz companhia a Florentina Mendes. Tratemo-la por Tininha, como ela gosta.

Das suas mãos saem, por dia, 300 a 400 doces regionais algarvios. Não tem uma rotina definida. Os bolinhos vão sendo feitos conforme a necessidade. Para onde vão? Descem apenas as escadas, para o andar de baixo.

Aí está o balcão da pastelaria Amendoal, aberta desde 1976. Odete Ramos é o rosto que se encontra quando se atravessa a porta virada para a praça principal de Loulé, mesmo ao lado do mercado. "A pastelaria tem passado de geração em geração. É o João Leal que gere à distância. Está sempre a telefonar", informa Odete Ramos quando se lhe perguntamos pelo dono, que está em Lisboa.

Queijinhos, Morgadinhos, D. Rodrigos. A amêndoa é ingrediente assíduo na montra. "O nosso forte são os doces regionais", diferencia a gerente. Há também delícias de alfarroba e figo, sabores bem algarvios, mas aí os bolos vêm de fora.

A garantia é de que a maioria da produção continua a ser feita no número 22 do Largo Gago Coutinho, onde Odete Ramos trabalha há 40 anos. Tininha há 36. Veio com uma tia aos 14 anos e aprendeu o ofício. Não foi estudar, mas a vida trouxe-lhe nove cursos de pastelaria depois do trabalho. "Eu, por mim mesmo, não gosto muito de comer doces. Mas gosto da perfeição nas coisas", conta. Perante uma nova geração que se vira menos para a doçaria, Tininha gostava de ver a neta a seguir-lhe a profissão. "É fácil fazer quando sabemos", admite. Há umas semanas "esteve cá uma rapariga que levou brigadeiros para a América". Viu potencial e lá lhe ensinou a receita.

Porque na pastelaria Amendoal não faltam os produtos da região, os turistas são presença assídua. Os ingleses, a maior nacionalidade estrangeira na região, assume também aqui o pódio. Odete Ramos conta que, aos fins-de-semana, nota também muitos espanhóis. "Temos sempre muita gente de fora que vem comprar. Vêm ao mercado também", remata para explicar a procura ao sábado. "Se os turistas voltam nos outros anos, é porque gostam. Levam a caixinha para todo o lado do mundo", remata Florentina Mendes. Ela diz-se satisfeita pela forma como foi apurando as receitas, mantendo sempre o "lado tradicional".

Aqui trabalham cinco pessoas, seja Verão ou Inverno. Quando o tempo fica mais frio, também há solução. "Temos outro tipo de clientes, que é mais snack-bar", conta Odete Ramos. Da torrada ao pastel de nata, do galão ao chá.
Mas, mesmo os que praticam o pecado da gula com pouca frequência não têm como negar: o chamamento da doçaria regional é mais forte.

Tome nota: A receita para um negócio de décadas

O espaço é pequeno, mas não faltam doces. Têm formas peculiares e mantêm quase os mesmos ingredientes na receita. É o sabor do Algarve em pequenas doses.

Os doces da casa
O D. Rodrigo e o Queijinho estão entre os preferidos, ambos fabricados no primeiro andar da pastelaria. O D. Rodrigo leva amêndoas, fios de ovos e canela, envolvido num embrulho colorido. Já o Queijinho conta com açúcar, amêndoas e ovos. Estão entre os mais procurados por portugueses e turistas. Florentina Mendes aprendeu as técnicas com uma tia e foi apurando a receita ao longo de três décadas.

Os doces de fora
A pastelaria Amendoal optou por ter alguns bolos fabricados fora das suas instalações. Os de figo e alfarroba, dois ingredientes típicos no Algarve, são exemplo. O estabelecimento pertence a João Leal que, estando em Lisboa, confia na experiência da gerente Odete Ramos à frente do negócio.

Os doces do costume
Nesta pastelaria de Loulé também há opções mais massificadas no menu, como torradas, tostas ou pastéis de nata. A oferta de snack-bar é uma das formas de atenuar os efeitos da sazonalidade e garantir os cinco postos de trabalho ao longo de todo o ano.

Quem os compra?
Os nacionais têm um peso muito forte, incluindo os que visitam o Algarve nas férias de Verão. É neste período que se dá o pico da procura. Os estrangeiros provam e levam depois uma caixa para mostrar nas suas terras. Aos sábados, e com o movimento no mercado, também se sente mais movimento na pastelaria.

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