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Casa da Cultura de Loulé: Uma casa para inspirar o outro a ir mais longe

Uma casa de portas abertas para o talento. Mesmo que as paredes vão mudando, o espírito mantém-se. É assim há décadas na Casa da Cultura de Loulé. A arte pela comunidade.

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 27 de Outubro de 2016 às 00:01
Pedro Elias
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Em quase 40 anos, as malas foram feitas várias vezes. Esta casa, a Casa da Cultura de Loulé, não tem pouso fixo. De uma antiga escola à sacristia de uma igreja. Agora, no primeiro andar de um edifício no parque municipal.

"O espaço onde fazemos o teatro é  apenas um corredor mais largo", diz Sérgio Sousa. Está na Casa da Cultura desde 1979, ano em que foi fundada. Vários professores do concelho queriam levar o ensino para lá da escola e criar um movimento mais virado para a cultura do que para o desporto, embora sem esquecer esta última vertente. E sempre virados para a juventude.

"Embora sejamos uma associação manifestamente cultural, temos e sempre tivemos o desporto muito presente. A intenção era ligar toda a gente", conta João Espada, que está agora à frente da associação. A direcção é uma mera formalidade na Casa da Cultura de Loulé. "Somos uns quantos, vamos e voltamos. Vamos rodando as pastas. As associações são feitas de pessoas. E as pessoas é que trazem os interesses", remata Marta La Piedad.

Perante os pedidos da comunidade, coube-lhe organizar as aulas de teatro para os mais jovens. Já viu alunos a seguir esse caminho para a sua vida profissional e orgulha-se de ter "iniciado a aventura".

A porta está sempre aberta. Para o teatro, o andebol, a música, as exposições, a ginástica, o atletismo. "Nós não vamos ao bairro, queremos que o bairro venha à Casa da Cultura. Para que eles sintam que fazem parte da cidade", lembra João Espada. Participar implica sempre um "custo simbólico", até porque têm de ser pagos os seguros e outras despesas. Depois, há que fazer as pessoas sentirem que estão a colaborar com uma iniciativa através do seu contributo.

João Espada acredita que, em Loulé, o custo não é um motivo para que os cidadãos deixem de participar em actividades culturais. "Não há é tantas pessoas atentas para isso. São quase sempre as mesmas que as frequentam", lamenta, destacando o desinteresse das novas gerações. O financiamento vem da Câmara Municipal de Loulé e da Direcção Regional de Cultura do Algarve. A Algarpalcos é a única empresa que apoia com frequência, cedendo materiais. O resto são "voluntários carolas" cheios de vontade de cultivar o espírito cooperativo.

"Estamos a lançar uma semente para o futuro. Estes miúdos podem ser o futuro da Casa da Cultura de Loulé". Novas pessoas, novas energias – com a vontade de ter mais presença estrangeira a trocar experiências. E, em breve, um novo local. A Casa da Cultura de Loulé parte para o edifício da antiga associação Atlético, que esteve na sua origem. "Esta vai deixar de ser a nossa casa." Mudança física. Na vontade mantém-se tudo.

Tome nota: O que tem feito a Casa da Cultura de Loulé? 

Na Casa da Cultura de Loulé há actividades para todos os gostos. Seja no desporto ou na arte. A vontade é que todos vejam nela  um ponto de encontro pela arte. 

Teatro
O teatro é uma das valências mais fortes da Casa da Cultura de Loulé. Chama-se TAL – Teatro Análise de Loulé e, além do grupo para adultos, tem espaço para as crianças. Os primeiros apresentam duas a três peças por ano.

Andebol
Numa realidade desportiva "riquíssima" como a de Loulé, o andebol era uma das lacunas. Este é o único grupo da modalidade naquele concelho algarvio.

Estúdio de música
A Casa da Cultura de Loulé conta com um estúdio de música, onde dá apoio a bandas de garagem, "a miúdos que tinham a sua guitarra, mas não conseguiam produzir". Há já projectos gravados.

Festival de jazz
"Além de ser o mais antigo sem interrupção, é feito apenas por voluntários." O Festival Internacional de Jazz de Loulé é também organizado pela Casa da Cultura de Loulé. Mário Laginha é o novo director artístico.

Autocarro cultural
Um dos projectos, que já não está em marcha, destinava-se a comunidades mais carenciadas. Era um autocarro em Quarteira com acesso à internet e actividades lúdicas e artísticas.

Exposições
As artes plásticas também têm aqui lugar, proporcionando a primeira experiência de exposição a quem se dedica a esta área, sejam residentes ou estrangeiros.

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