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Imobiliário no Algarve: Do Brexit ao imposto rico em discórdia

Falar dos grandes empreendimentos de Loulé é também discutir novos impostos e incertezas causadas pela actualidade política externa. Há mesmo motivo para ter receio?

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 27 de Outubro de 2016 às 00:01
Pedro Elias
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Quem se aventura a comprar casa em Vilamoura ou na Quinta do Lago sabe, à partida, que o número na factura não será pequeno.

Em Vilamoura, o preço pode variar entre os 200 mil euros por um apartamento e os cinco milhões por uma casa. Na Quinta do Lago, onde o espaço é mais limitado, os preços disparam: meio milhão de euros por um apartamento. A moradia mais barata está nos dois milhões de euros e o valor pode terminar não muito longe dos 20 milhões.

O novo imposto sobre património imobiliário acima dos 600 mil euros previsto no Orçamento do Estado para 2017 também divide opiniões entre estes empresários do sector imobiliário no Algarve.

"Antes, já se falava nesse imposto acima de um milhão de euros. E o investimento tem crescido. Temos mais investimento nos últimos dois anos do que nos cinco anos anteriores. Quem investe traz a lição bem estudada", posiciona Miguel Sousa, director-financeiro da Quinta do Lago quando questionado sobre um eventual afastamento de investidores. Neste empreendimento, só este ano, já foram feitas 11 revendas de propriedades e a garantia é de que o mercado "está sempre agitado". Mais do que o preço, na hora de escolher casa na Quinta do Lago, a segurança e as garantias de protecção de capital são os factores que mais pesam, diz o gestor.

Por sua vez, o anterior líder de Vilamoura World, Paul Taylor, sempre se mostrou crítico de novos impostos sobre o sector imobiliário - incidam eles sobre o património ou sobre a vista. "Outros destinos como Tunísia ou Marrocos vão voltar. As pessoas têm memória curta. Depois vamos perguntar-nos porque não aproveitámos este momento fantástico. É um pensamento a curto prazo", chegou a considerar ao Negócios enquanto ainda fazia parte da gestão de Vilamoura.

Numa região onde os turistas britânicos representa um terço do total, o Brexit - saída do Reino Unido da União Europeia - também é outra das preocupações em cima da mesa. Na Quinta do Lago, as nacionalidades que mais pesam são a inglesa e a irlandesa. "Vejo o Brexit como uma oportunidade porque cada vez mais britânicos vão querer ter investimentos no estrangeiro. A Quinta do Lago vai ser uma preferência", antevê Miguel Sousa.

Também Paul Taylor, ele próprio britânico, nunca se mostrou muito preocupado com esta questão, lembrando a longa tradição britânica de vir para Portugal. "Não acredito que o controlo de fronteiras será um problema", acrescentou. Até porque estes empreendimentos algarvios já estão a aproveitar as novas dinâmicas turísticas em Portugal, que trazem uma maior diversidade de nacionalidades.

Em Vilamoura, a procura estrangeira em 2015 sentiu-se com força. Já este ano, o Brexit e as eleições presidenciais norte-americanas fizeram-se sentir negativamente, de uma forma ligeira, na procura. Aqui, e mesmo com a forte burocracia a que Portugal já acostumou os investidores, há uma vantagem evidente: todos os projectos de desenvolvimento já estão aprovados, o que atenua a sua linha de risco.

Agora é questão de tirar partido do que o presente traz. Há mais franceses, suecos, holandeses, alemães, belgas, alemães e italianos à procura de casa em Portugal.
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