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Novos donos do golfe buscam tacadas mais valiosas

Os hotéis D. Pedro, em parceria com um investidor britânico, adquiriram os cinco campos da Oceânico Golf em Vilamoura. A marca vai desaparecer em breve. Ficam os campos e a promessa de mais qualidade para quem joga.

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 27 de Outubro de 2016 às 00:01
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O verde da relva é rasgado pelas linhas, ao fundo, de um hotel de cinco estrelas. Antes, no campo de visão dos jogadores, umas bancadas. No final de Outubro ali se disputou a décima edição do Portugal Masters.

Victoria Course. É um dos cinco campos de golfe que mudaram recentemente de mãos em Vilamoura. Os hotéis D. Pedro e o britânico Keith Cousins – com casa no Algarve e que "conhecia muito bem os campos" – fecharam a compra em Setembro, incluindo o The Old Course, o Pinhal, o Millennium e o Laguna.

Luís Correia da Silva foi o escolhido para liderar esta nova etapa. "Há uma preocupação de fazer com que os campos de golfe de Vilamoura tenham a qualidade de jogo e a percepção de qualidade que tiveram no passado", garante. Como? Através do investimento nos "club houses", nos sistemas de rega e drenagem ou no serviço aos jogadores.

"Estes campos de golfe estiveram durante muito tempo nas mãos de uma entidade que dependia de uma agência da Irlanda. Digamos que não cobria um conjunto de preocupações que hoje temos", remata. Um dos objectivos passa por criar sinergias entre os campos de golfe e os hotéis de Vilamoura, pertençam ou não ao grupo D. Pedro. Antes de se criarem novas unidades hoteleiras, essa é a prioridade. "Todos os operadores turísticos aqui sabem perfeitamente que há épocas em que o negócio só existe porque há golfistas", justifica.

É assim que se lida com a sazonalidade: "não se combate, gere-se", com mais produtos e motivações turísticas que escapam à aposta no sol e praia algarvios. No caso destes cinco campos de golfe - cuja empresa mudará de nome nos próximos meses, eliminando a marca Atlântico Golf - a meta é continuar a posicioná-los entre os melhores da Europa.

"Temos condições para fazer com que essa experiência de jogar golfe em Vilamoura seja melhor remunerada e isso faça com que haja um perfil mais elevado de turistas", posiciona, recordando que o sector teve de esmagar os seus preços e margens durante a crise. Agora, e com a inversão desse cenário, "tem havido mais interesse de investidores estrangeiros sobre activos bem posicionados". Keith Cousins, o parceiro, é apenas um dos exemplos num concelho de Loulé que o gestor diz ter "total abertura" à aposta internacional.

Luís Correia da Silva não está preocupado com o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. "Estou atento. Temos de ter a capacidade de ir buscar novos mercados. Estamos a fazê-lo", garante. Há mais franceses, italianos e alemães. "Nunca houve tantos americanos a jogar golfe em Portugal. Estamos a ver os asiáticos a começar a vir". Todos em busca da tacada certa.
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