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Pampilho: Um sucesso criado por brincadeira

Há uma pastelaria em Santarém que criou um bolo que já se vende mais do que os antigos e tradicionais doces conventuais. O Pampilho cresceu e tornou-se imagem de marca para a cidade.

Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 27 de Abril de 2016 às 20:12
Bruno Simão
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No princípio eram os Celestes e os Arrepiados. Os primeiros feitos de gemas de ovo e amêndoa, os segundos criados para aproveitar as claras que sobravam dos outros. Uns e outros doces conventuais  inventados pelas freiras dos conventos de Santa Clara e de Almoster e que começaram a dar nome à Pastelaria Bijou quando Alfredo Oliveira comprou o trespasse, já lá vão mais de 60 anos. Os Celestes e os Arrepiados ainda lá estão, na linha da frente, mas agora são os Pampilhos que se destacam ao ponto de haver quem "faça desvios de vários quilómetros" para os ir comprar.

A Bijou fica no centro histórico de Santarém e Alfredo Oliveira, 86 anos, continua a ir lá todos os dias, tal como fez nas suas últimas seis décadas de vida. Reformou-se e passou a gerência ao filho, Paulo Oliveira, que se vai dividindo entre a Bijou original, a Bijou 2 e a Bijou 3 (todas em Santarém) e mais a fábrica, na zona industrial. É lá que confeccionam, todos os dias, uma média de 300 a 400 ,"ou mais", Pampilhos.

"Quando para cá vim, trabalhávamos com um único fogão", recorda Alfredo Oliveira. As coisas correram bem e um dia, "quase por brincadeira", alguém se lembrou de fazer um bolo novo. "Com massa areada, de bolachas, muito macia e recheada de doce de ovos". Alfredo chamou-lhe Pampilhos, o nome que se dá, no Ribatejo, às varas do campinos, cujo formato procura imitar. Certo é que a coisa pegou e o Pampilho ganhou estatuto de doce "típico de Santarém", diz o filho, Paulo, com orgulho.

A receita parece simples, tão simples que já foi copiada um pouco por todo o lado, "até no estrangeiro, como no Canadá, por exemplo". A família Oliveira registou a marca e o seu advogado já por mais do que uma vez teve de avisar outras pastelarias, "incluindo grandes superfícies". Não vale a pena, porque as cópias continuam por aí, "só não são iguais".

Chegaram a pensar fazer para revenda, mas desistiram. Para grandes quantidades tem de se reduzir o preço e isso implicaria também reduzir a qualidade, por isso não querem. "A mim sai-me mais caro do que ao Continente, nunca poderia vender àqueles preços", explica Paulo Oliveira. "Não discuto que os deles tenham alguma qualidade, mas nós não podemos estar a fazer bolos para revenda e depois ter uma produção própria para vender aqui no nosso balcão", justifica-se. Por isso, "produzimos só para nós e a duas ou três casas a que não conseguimos dizer que não".

Continua tudo em família. Paulo, 53 anos, tem um filho que sonha ser arquitecto. E trabalhar na empresa da Bijou? "Ele cozinha muito bem, pode vir a ser arquitecto pasteleiro, nunca se sabe..."

cotacao Pampilho tem sido muito copiado, mas o resultado sai pouco igualado. Alfredo Oliveira Fundador da empresa dona da Pastelaria Bijou
Tome nota A massa de que se fazem os Pampilhos A empresa da família Oliveira nasceu há mais de 60 anos e já se expandiu por Santarém graças a um bolo criado pelos seus pasteleiros e que conseguiu fazer história.

O que têm de especial os Pampilhos?

São uma massa muito simples de copiar e o recheio é doce de ovos. Porque é que têm, então, tanta fama os Pampilhos da Bijou, em Santarém? É a qualidade dos produtos e da confecção, garantem os donos da Pastelaria, que, havendo mais algum segredo, se recusam sequer a falar dele.

Bijou é "a casa mais antiga de Santarém"

Alfredo Oliveira, o fundador, veio de Vila Nova da Barquinha e mudou-se para Santarém em 1954. Comprou o trespasse do antigo café que havia no centro e dele nasceu a actual Pastelaria Bijou. "As outras casas, do mesmo tempo, já fecharam todas", mas a sua ganhou asas e o seu nome há muito ultrapassou o concelho.

Uma marca registada desde os anos 80

Os Pampilhos foram registados como marca há mais de 30 anos, mas entretanto têm sido largamente copiados por outras pastelarias do país "e até do estrangeiro". A empresa já tentou que deixassem de ser fabricados, por exemplo, em grandes superfícies, mas desistiu de ir para tribunal. "Os clientes sabem a diferença do nosso produto", diz Paulo Oliveira.

Crise obrigou a despedir

A empresa tem agora cerca de 40 empregados, incluindo a gerência. Já foram perto de meia centena, mas "a crise e a subida do IVA na restauração" obrigou a despedir uma dezena de pessoas.
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