Outros sites Cofina
Notícia

Sintra na rota mundial do tabaco

A Tabaqueira é uma empresa incontornável no concelho de Sintra, quer pelos seus 88 anos de história, quer pelos 700 funcionários que emprega, ou por ser uma das maiores exportadoras nacionais e a maior empresa do sector em Portugal.

Inês F. Alves inesalves@negocios.pt 22 de Setembro de 2015 às 00:01
Bruno Simão
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
O controlo é apertado e começa logo à entrada, onde somos convidados a apresentar a nossa identificação e – se for o caso – a deixar o maço de tabaco que trazemos da rua.  Não entra ou sai um único cigarro daqui sem ser tributado.

A preocupação com o cumprimento da lei e das regras de segurança é uma constante: há zonas específicas para andar, biqueiras de aço para calçar, tampões para os ouvidos, e inúmeros avisos para não se tocar nas máquinas ou sobre como proceder em caso de emergência. Já no principal corredor da fábrica, que divide a área do primário – onde se prepara a matéria-prima – e o secundário – onde se fabricam os cigarros - já se sente o cheio da folha do tabaco, um odor adocicado que nos acompanha em grande parte desta visita. Isso e os vários  placares com campanhas  internas de promoção da segurança e bem-estar no local de trabalho destinadas aos 700 funcionários que a firma emprega actualmente.

A Tabaqueira, que integrou a Philip Morris International (PMI) há 18 anos, é "um dos maiores centros de produção" do grupo multinacional na Europa, explica Arpad Konye, administrador-delegado da empresa, e reúne o processo de manufactura completo, ou seja, desde o processamento da folha, até à produção de cigarros e ao empacotamento e preparação para distribuição. Isto permite à fábrica de Albarraque ser uma das unidades do grupo que exporta não só o produto final, como produtos semi-acabados para outras unidades da PMI.

Depois de novo controlo e revista, chegamos finalmente ao local onde se inicia o processo, ou seja, onde se trabalha a folha de tabaco e se faz a mistura – o "blend" – consoante a "receita" do cigarro que se está a produzir. Tudo aqui é em grande: as linhas de transporte, os silos, as máquinas de corte. Ao fundo um ruído constante ao qual se tenta sobrepôr a voz.

Na área secundária, onde o cigarro toma forma cilíndrica conhecida e é empacotado, a tecnologia não é menos impressionante. Tudo está automatizado, as máquinas são capazes de produzir até 20.000 cigarros por minuto, que circulam depois por cima das nossas cabeças. Cada maço tem um código único que o identifica. É uma questão de segurança.

O investimento na modernização da fábrica de Albarraque, ao longo dos anos, ultrapassa já os 280 milhões de euros, conta-nos o administrador-delegado, salientando que só no ano passado o valor "ultrapassou os 27 milhões de euros". Segundo Arpad Konye, em 2014, a Tabaqueira teve um volume de negócios de 1.359 milhões de euros, tendo entregado ao Estado 1.141 milhões de euros: relativos a impostos sobre o consumo de tabaco (870 milhões de euros) e a título do IVA (271 milhões de euros).

No que concerne a "extrema" regulação no sector, a Tabaqueira "apoia uma regulamentação abrangente de todos os produtos e fabricantes de tabaco", diz  o administrador-delegado,  alertando que essa regulamentação deve "ponderar o seu potencial para induzir consequências adversas que prejudicam os objectivos de saúde pública".

Em concreto, a empresa "discorda de medidas como embalagens genéricas ou de formatos e dimensões uniformizados, avisos de saúde de dimensões excessivas, proibição ou restrições de exposição em pontos de venda ou a proibição da utilização de ingredientes, que limitam a capacidade de diferenciar os produtos através das suas marcas". E  considera que "estas medidas, para além de restringirem a possibilidade das empresas de tabaco de competirem entre si, podem induzir consequências adversas, com a criação de condições favoráveis ao desenvolvimento do comércio ilícito de produtos do tabaco, em sentido contrário ao interesse público e comum".

De regresso ao ponto de partida, a visita à fábrica – uma das 50 que a PMI detém em todo o mundo - termina com uma última revista, desta vez determinada por uma máquina que selecciona aleatoriamente quem deve ou não ser inspeccionado à saída. Nós fomos.
Mais notícias