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Existência de procura tem de estar identificada

Pode haver financiamento para novos projectos. No entanto, o Turismo de Portugal garante que só aprovará novas unidades se houver uma adequação à procura.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 21 de Julho de 2015 às 16:28
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Nem sempre houve acordo à mesa do turismo, mas há consenso na declaração do sector como alavanca da economia portuguesa.

O turismo teve, nos outros quadros comunitários de apoio, poucos projectos, em comparação com outras áreas de actividade. Enquanto a indústria, no QREN (Quadro de Referência Nacional) teve mais de cinco mil projectos aprovados, o turismo não chegou aos 900. E foram, no total, atribuídos a este sector cerca de 600 milhões de euros.

João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal, quer mais. Mas vai apontando o dedo a Bruxelas. "A discussão do Portugal 2020 não pensou no turismo. É o motor da economia, mas quando chega a altura das decisões não aparece", afirma este responsável, lamentando o facto do turismo não ter conseguido, como a agricultura, um envelope financeiro específico.

Além da disponibilização dos fundos comunitários, o presidente do Turismo de Portugal lembra, no entanto, que o turismo precisa de um sistema de financiamento global que responda a várias tipologias de projectos em diversas fases de desenvolvimento.

Ainda assim, quanto aos fundos do Portugal 2020, João Cotrim de Figueiredo realça que há articulação com a estratégia nacional do turismo. E garante que "não há apoios públicos para ofertas de novas camas, excepto em casos extraordinários quando haja componente inovadora óbvia destacada, que possa contribuir para experimentar novos segmentos ou se houver uma componente de recuperação com relevância". João Cotrim de Figueiredo garante que "tem de estar comprovada a existência de adequado estudo de mercado que indique que há procura para a unidade e não vai contribuir para o excesso de oferta".

Pedro Costa Ferreira acredita, aliás, que ainda há mais oferta do que procura. Apesar de haver segmentos a precisarem de reconversão. Dá como exemplo a área da saúde e bem-estar. No entanto, o presidente da APAVT assume que gostava que não fosse apoiada nova oferta e que não fosse entornado dinheiro fácil. "Temos grandes dificuldades de financiamento, mas não é por isso que quero que haja novos projectos financiados com dinheiro fácil".

Numa área, no entanto, todos os agentes estão de acordo que é necessário investimento: nos recursos humanos. Hoje, diz José Theotónio, há falta de gente qualificada e falta gente para trabalhar. Este gestor reclama ainda maior flexibilidade na legislação laboral. Há hoje neste sector quem prefira trabalhar uma temporada num cruzeiro, onde em dois ou três meses se retira o rendimento de um ano.

O sector assume que não remunera bem, mas também diz ter margens e rácios de autonomia financeira baixos, mantendo uma rentabilidade de capitais próprios negativa. "Não vejo o sector a nadar em dinheiro", conclui José Theotónio.


Protagonistas
Quem esteve no think tank sobre o turismo

Os intervenientes debateram os problemas e as oportunidades do sector do turismo.



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