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Quem tem medo das redes sociais?

A cadeia de valor do sector turismo alterou-se, nos últimos anos, como nunca tinha acontecido.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 21 de Julho de 2015 às 16:27
Bruno Simão/Negócios
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O turismo é dos sectores que tem sentido o maior impacto da designada economia da partilha, seja na restauração, seja nos transportes, seja no alojamento. Há uma acentuada dependência das redes sociais, afirma José Manuel Esteves, presidente da AHRESP, que admite ser necessário a muitas empresas adaptarem-se à realidade. Na região centro 60% da hotelaria não está na internet. "Não pode ser", acrescenta o responsável, que sugere a criação de um "hub" tecnológico em Portugal para a indústria não ficar dependente das plataformas internacionais como a TripAdvisor, Booking, Airbnb.

Uma ideia que não é partilhada. Francisco Veloso, director da Católica-Lisbon School of Business & Economics,  diz que pensar numa plataforma portuguesa é condená-la a morrer. Os projectos nacionais têm de ter ambição internacional. Foi o que aconteceu, lembra, à BestTables, que recentemente foi comprada pela multinacional TripAdvisor.

"As plataformas não conhecem nacionalidade", acrescenta o director da Católica, salientando que, no entanto, Portugal pode ter um ecossistema de start-up vocacionadas para o turismo relevante.  É que Portugal, no turismo, é "um mercado competitivo, reconhecido e com valências". O ecossistema empreendedor de Portugal nem compara mal com outros centros inovadores, como Televive, mas o país, acrescenta João Cotrim de Figueiredo, precisa de ganhar massa crítica e tradição para colocar os financiadores destes projectos a olharem para Portugal.


O que as redes sociais demonstram é que a cadeia de valor mudou. Há 10 anos, a empresa turística fazia um acordo com um operador e os turistas apareciam. "Os departamentos comerciais eram desnecessários e eram apontadores de reservas", lembra José Theotónio, presidente executivo do Grupo Pestana que acrescenta que hoje além do mercado directo que subiu muito - mas ainda representa menos de 50% - também as reservas online aumentaram.

Mas Pedro Costa Ferreira não tem dúvidas em afirmar que "o maior erro é acharmos que qualquer um pode estar na net. É caro estar na net, é caro ser visível na net e ser escolhido". É, por isso, uma oportunidade para as agências tradicionais.

"Hoje quem não domina a tecnologia, quem não domina o grande consumo e as grandes técnicas de marketing está fora do mercado ou estará a curto prazo", acrescenta José Theotónio. O que leva a outra questão: a necessidade de recursos humanos mais qualificados, uma fragilidade que o sector reconhece existir e também ao nível da gestão. "Em determinados segmentos temos imensa dificuldade em fixar empresários e sobretudo trabalhadores qualificados quando exigimos disponibilidade permanente", atira José Manuel Esteves.

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