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O mundo prometido das tecnologias

Os sistemas cognitivos vão ser as tecnologias com mais impacto no mercado de seguros. As tecnologias como machine learning, inteligência artificial, deep learning, etc., têm aplicações em toda a cadeia de valor nos seguros.

Filipe S. Fernandes 12 de Maio de 2020 às 12:00
Alexandre Ramos fala de uma era sem precedentes nos últimos 30 anos. Kike Carbajal
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"É uma nova era tecnológica sem precedentes nos últimos 30 anos", anuncia Alexandre Ramos, membro da equipa executiva e WEM Technology Leader da Liberty Seguros. As tecnologias como a telemetria, a inteligência artificial, o machine learning e o blockchain "são grandes aliados na forma como construímos e disponibilizamos os seguros e os serviços para os nossos clientes. Por outro lado ajudam-nos a perceber, acompanhar e antecipar as tendências do mercado", refere Alexandre Ramos.

Explica que a Liberty constrói modelos tarifários embebidos com machine learning, mas também como modelos preditivos, alimentados em tempo real para os ramos de automóvel, multirrisco e outros. Além disso, "o modo como utilizamos técnicas de machine learning na deteção de fraude torna-nos mais eficazes", garante Alexandre Ramos.

Alavancar potencial

Os sistemas cognitivos vão ser as tecnologias com mais impacto no mercado de seguros. "As tecnologias relacionadas, direta e indiretamente, machine learning, inteligência artificial, deep learning, etc., têm aplicações em toda a cadeia de valor, nos seguros e para além dos seguros. Desde a formação do preço do risco, à disponibilização de serviços core ou complementares, à eficiência operacional ou à regularização de sinistros. Já temos, no Grupo Ageas Portugal, aplicações práticas de inteligência artificial em triagem clínica ou em chatbots, e vamos continuar a alavancar no seu potencial", refere Ângelo Vilela, diretor do Digital Grupo Ageas Portugal. Nesta área o grupo está a fazer desenvolvimentos acelerados, incluindo em Portugal.

Marcos Perestrelo, Chief Technology Officer da i2S, fala em tecnologias e parcerias tecnológicas. "As tecnologias mais impactantes podem ser as mais simples: web services ou capacidade de integração num ecossistema, que cada vez mais é cloud "driven". No entanto, a rapidez pode exigir parcerias em que as tecnologias já se encontram aplicadas e otimizadas, sendo o tempo até à transformação o fator-chave em decisões".

Segundo Alexandre Ramos, é importante "usar inovação onde a mesma se encontra", no investimento nas soluções cloud based, em clouds públicas, entrando em parceria com empresas inovadoras e estratégicas. "No que toca a tecnologia, existem gigantes mundiais a investir em tecnologia com volumes que o nosso setor nunca conseguirá acompanhar. O que faz sentido é estudarmos parcerias, e utilizá-las de forma simples, ágil e rápida. A isto chamamos um ecossistema de oportunidades, de inovações e melhor serviço a mediadores, clientes e parceiros."

Custos e receitas

"As tecnologias dividem-se nas que podem ter impacto em custos, receita ou ambas, resultados que as seguradoras sempre procuram sobretudo agora." Salienta que a telemetria está associada à oferta de novos produtos, que integram o uso como base ou complemento ao preço e utilidade do seguro. "Estes seguros têm vindo a crescer (automóvel, multirrisco, wearables em vida) e as restrições impostas pela covid-19 podem fazer aumentar o interesse nesta oferta e promover o uso da tecnologia", diz Marcos Perestrelo.

João Gonçalves, diretor de sistemas de informação e novas tecnologias da Prévoir-Vie, refere as oportunidades para as insurtechs, por exemplo, apps relacionadas com a saúde das pessoas, que integram produtos de seguro simples ("embutidos"). Ao nível aplicacional e de processos, as tecnologias de assinatura digital, automatização de workflows e soluções de digitalização documental serão as que permitirão mais agilização, flexibilização e simplificação dos processos.

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