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A globalização do mercado de talento

Nesta guerra pelo talento, o maior desafio é a atração de perfis tecnológicos e informáticos, nos quais existe ainda uma escassez de recursos disponíveis em Portugal.

Filipe S. Fernandes 26 de Maio de 2020 às 15:00
Catarina Tendeiro diz que a educação é um excelente investimento. Celestino Santos
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"Há uma tendência de longo prazo de globalização do ‘mercado de talento’", considera Catarina Tendeiro, diretora de recursos humanos do Grupo Ageas Portugal. Explica que esta globalização foi alavancada pela maior mobilidade entre regiões e países, e ainda pela evolução contínua da tecnologia. "A situação atual de pandemia tem obrigado as empresas e as pessoas a reforçar as soluções tecnológicas para trabalhar à distância, o que poderá gerar mudanças permanentes na forma de trabalhar e, também, um novo impulso na globalização do mercado de talento", acrescenta Catarina Tendeiro.

Na sua opinião há duas tendências relevantes e vai ser natural que as empresas sejam globais na pesquisa do melhor talento e que as equipas colaborem à distância. "Esta situação gerará mais oportunidades para jovens talentos de qualidade, mas também mais concorrência entre empresas que competem globalmente pelo acesso ao melhor talento. Também é expectável que incremente, ainda mais, a diferença de rendimentos e oportunidades entre pessoas com elevadas qualificações e outras, pelo que a educação continuará a ser um excelente investimento", conclui Catarina Tendeiro.

Tecnólogos e comerciais

Nesta guerra pelo talento, "o maior desafio tem sido a atração de perfis tecnológicos e informáticos, nos quais existe ainda uma escassez de recursos disponíveis em Portugal", afirma Catarina Tendeiro, até pelos desafios tecnológicos que a revolução digital nos seguros supõe.

Para John McCarry, diretor executivo de talento na Liberty Europa, são necessários tecnólogos e comerciais, porque o crescimento de um modelo segurador eletrónico, digital e simplificado "está a mudar, não apenas a forma como o mercado comercializa seguros, mas também os hábitos de consumo e formas de interação".

"A procura de recursos humanos ligados às tecnologias continuará em alta." José Gonçalves, diretor contabilístico-financeiro e de recursos humanos da Prévoir, afirma que "o marketing e as áreas comerciais também manterão índices de recrutamento acima da média, sobretudo daqueles que sejam mais especializados no marketing digital e que tenham perfil de liderança na gestão de redes comerciais". Recorda ainda os talentos atuariais, que as seguradoras não podem dispensar, em que haverá um aumento da procura "devido às novas imposições técnicas que vão entrar em vigor, e ao tratamento do big data que já é uma realidade para as companhias de seguros".

As soft skills

Sediada no Porto, a Prévoir defronta-se com concorrência como a Farfetch e do technological center do Natixis Bank, que aumentaram exponencialmente a procura de talentos ligados ao setor das tecnologias de informação, que já era elevada devido ao incremento de processos de trabalho e novas soluções digitais. "Tudo isto tem exigido mais atenção e criatividade para os atrair e reter. O turnover destes especialistas é bastante mais elevado do que o observado noutras áreas", explica José Gonçalves.

Há uma necessidade de pessoas altamente qualificadas, com perfil e competências multidisciplinares com visão de futuro, incluindo conhecimento tecnológico, mas também, capacidade para entender a evolução das necessidades do mercado, e de promover relações de longo prazo com os nossos clientes e parceiros, refere Catarina Tendeiro.

Adianta ainda que as "necessidades de constituir equipas de trabalho muito distintas, que podem incluir engenheiros, programadores informáticos, gestores, médicos, enfermeiros e advogados. Por isso, estamos a fomentar a partilha e o trabalho em equipa". Para Catarina Tendeiro, uma sólida base técnica é importante mas "as soft skills ganham uma importância cada vez mais relevante no mundo atual em que vivemos, caracterizado por ser volátil, incerto (uncertainty), complexo e ambíguo (VUCA)".

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