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Setor tem sido proativo e flexível

Nas suas políticas comerciais, as seguradoras muito rapidamente decidiram flexibilizar a sua relação com os clientes.

Filipe S. Fernandes 29 de Abril de 2020 às 17:00
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Os impactos no setor segurador português são semelhantes aos dos países europeus, assinalou José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. Um mês depois da declaração do estado de emergência, em jeito de balanço, refere que os impactos estão muito minimizados.

"Na área de gestão de sinistros, há algumas situações que não correm com a celeridade com que se gostaria porque, por exemplo, o perito não consegue verificar um determinado sinistro, porque há dificuldades de circulação devido ao estado de emergência, as peças não chegam ou as oficinas também têm os seus constrangimentos".

Mas, em termos práticos, "é uma situação absolutamente excecional de paragem da economia com as pessoas confinadas em suas casas. Do lado da procura a quebra foi brutal, há também do lado da oferta muitos negócios que pararam".

Correlação com o PIB

O ramo não vida tem uma correlação direta com o PIB, com a atividade económica. Se esta pára, tem logo influência no negócio. O mais impactado nesta situação é o ramo dos acidentes de trabalho, que teve uma grande queda por causa do lay-off, que atingiu centenas de milhares de trabalhadores.

"Quando olhamos para os números, que já temos os agregados de março, o que se nota claramente é que na última semana deste mês houve uma queda brutal nos acidentes de trabalho. Nem falamos de novas subscrições ou renovações de contratos, que praticamente não há", afirmou José Galamba de Oliveira. Acrescenta que "as seguradoras estiveram muito disponíveis para se sentarem com as empresas e procurarem as melhores soluções".

No ramo automóvel, as seguradoras já renegociaram os riscos no caso das frotas, porque a sinistralidade desceu muito em abril. No entanto, José Galamba de Oliveira defende uma análise de um arco de tempo maior, porque em maio e junho, "que serão de recomeço, a sinistralidade tenderá a normalizar-se e a subir".

Setor proativo

Revela que a experiência dos mercados asiáticos, que já saíram do confinamento, mostra que no recomeço se assistiu a uma sinistralidade superior ao normal, porque houve mais carros a circular, uma vez que as pessoas ainda tinham receio e desconfiança na utilização de transportes públicos.

O impacto da covid-19 também foi grande nos seguros multirriscos das empresas com quebras de receita e ajustamentos importantes, "porque as empresas estão paradas e as seguradoras também têm tido a flexibilidade para encontrar soluções para a mitigação, mas há de facto menos receita", disse Galamba de Oliveira.

Em relação às moratórias dos seguros, explica que o setor tem sido proativo, as empresas, nas suas políticas comerciais, muito rapidamente decidiram flexibilizar o pagamento dos prémios dos tomadores de seguros e deram autonomia à rede de mediadores para negociar prazos de pagamento para as situações em que fosse necessário.

"Não é uma política concertada do setor com uma moratória de x dias, tem havido uma política mais flexível porque depende dos ramos e das empresas", esclareceu José Galamba de Oliveira. "Tivemos contactos com a ASF que está a olhar para algumas situações para fazer recomendações, mas na prática as moratórias estão a acontecer naturalmente através do canal de distribuição e dos mediadores", concluiu.

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