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Start-ups portuguesas têm de nascer globais

O mercado é demasiado pequeno para suportar o lançamento deste tipo de iniciativas, a não ser que apostem em áreas da cadeia de valor não diretamente relacionadas com a "marca" visível pelo consumidor final.

Filipe S. Fernandes 18 de Abril de 2019 às 13:00
Gastão Taveira diz que há muito atividade no campo das insurtechs. David C. Santos
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"A Europa tem sido um campo fértil para iniciativas de insurtech, em particular no Norte do continente", refere Gastão Taveira, CEO da i2S. Sublinha que as grandes resseguradoras, Munich RE e Swiss Re, e grandes seguradoras europeias, como a Allianz, a Axa e outras, "têm estado muito ativas no campo das insurtech, criando mesmo unidades que visam identificar e investir em startups".

A Munich RE criou a Digital Partners, que visa estabelecer parcerias com startups tecnológicas nesta área, como a Blink, seguros para atrasos e alteração de voos, funcionando de forma inteiramente digital, a Simplesurance, que desenvolveu um interface inteiramente digital entre os seguros tradicionais e retalhistas e ainda a So-sure, que está a desenvolver seguros no modo peer-to-peer, designados "social insurance" e que, como diz Gastão Taveira, "procuram criar comunidades de amigos que beneficiam em comum pelo controlo da sinistralidade".

Mercado pequeno

Se na Europa há uma maior efervescência, "em Portugal, o setor das insurtechs é ainda muito reduzido", refere Paulo Silva, diretor de desenvolvimento comercial Prévoir Vie, acrescentando que "existem algumas insurtechs que permitem com uma app, por exemplo, agregar os seguros do cliente, permitindo-lhe gerir os seus contratos através de um PC ou smartphone".

O mercado é demasiado pequeno para suportar o lançamento deste tipo de iniciativas, por isso, Gastão Taveira, admite a que "as start-ups portuguesas nesta área terão de nascer já "internacionais" - europeias ou mesmo globais. Ou então, apostar em áreas da cadeia de valor não diretamente relacionadas com a "marca" visível pelo consumidor final (B2C)". Observa que existem, em Portugal, empresas e projetos a trabalhar neste campo, em fases intermédias da cadeia de valor, nomeadamente em tecnologias como big data, blockchain, IoT, AI, Bots, etc.

A Liberty é um exemplo de aliança entre uma grande seguradora e a telemática, tendo lançado no ano passado da app "Hit the Road", "uma ferramenta que permite avaliar a condução automóvel dos utilizadores", diz Alexandre Ramos, CIO da Liberty Seguros. Funciona a partir dos sensores de qualquer smartphone, permitindo que os utilizadores possam descobrir o estilo de condução e receber conselhos para melhorarem o seu desempenho ao volante. Além disso, tem uma dimensão de gamificação, com os utilizadores poderem competir entre si ou entre equipas, porque a app também tem uma componente de rede. 

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