Marina Costa Lobo marinacosta.lobo@gmail.com 07 de Agosto de 2008 às 12:13

A estratégia do novo PSD

A última sondagem publicada no "Expresso" dá conta de uma subida de 3% nas intenções de voto do PSD - por sinal, a maior desde que Sócrates é primeiro-ministro. Os sociais-democratas ficaram este mês a 7,6% dos socialistas. O mesmo estudo mostra que Manuela Ferreira Leite parece ter perdido popularidade junto dos portugueses, comparando com o mês anterior: soma apenas 3% de popularidade, contra os 22% do primeiro-ministro.

A última sondagem publicada no "Expresso" dá conta de uma subida de 3% nas intenções de voto do PSD - por sinal, a maior desde que Sócrates é primeiro-ministro. Os sociais-democratas ficaram este mês a 7,6% dos socialistas. O mesmo estudo mostra que Manuela Ferreira Leite parece ter perdido popularidade junto dos portugueses, comparando com o mês anterior: soma apenas 3% de popularidade, contra os 22% do primeiro-ministro.

Perante esta retoma intermitente, a principal alternativa dentro do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou para a rentrée o lançamento de uma "Plataforma de Reflexão Estratégica". O objectivo é o convite a um conjunto de personalidades ligadas a empresas e a universidades para debater o sector energético.

PUB

Nem o evoluir das sondagens, nem esta proposta de Passos Coelho, que o próprio intitula de "construtiva" afiguram, para já, presságios propriamente negativos para a nova líder do PSD. Além disso, a direcção do partido anunciou o recrutamento de um economista reputado, António Sampaio e Mello, para liderar o seu gabinete de Estudos. Apesar desta novidade, nos últimos tempos, de Manuela Ferreira Leite pouco se soube nos media. Não se sabe o que ela pensa das recentes tentativas de diplomacia económica por parte do governo, nem da estratégia da língua para a CPLP, ou do aumento no número de mortos na estrada.

Os apoiantes da nova líder do PSD defendem a sua falta de visibilidade nos media, dizendo que esta não busca o protagonismo fácil. E que o próximo grande embate com o PS será a apresentação do orçamento de Estado. Começa-se, por isso, a compreender a estratégia desta nova direcção. Na melhor das hipóteses, ela é reactiva ao governo. Na pior, está simplesmente à espera que a crise económica acabe com Sócrates, para depois assumir o poder. Ao PSD bastará aparentar credibilidade e competência para que, permitindo a conjuntura, o poder lhes caia no colo, talvez já em 2009.

Esta estratégia tem um problema: Manuela Ferreira Leite não é propriamente uma virgem no que diz respeito à direcção política do País que se possa apresentar às eleições de 2009 como uma alternativa solidamente competente. Ela foi ministra das Finanças do "Portugal de tanga", num dos piores momentos da já longa crise económica em que vivemos em Portugal.

PUB

Deixando de lado a questão da vitória nas próximas eleições, há um desafio para esta nova direcção que talvez seja até mais importante, nomeadamente a composição do grupo parlamentar em 2009. Os problemas nesse âmbito são de dois tipos. O primeiro é que as lideranças bicéfalas não têm ajudado, sob nenhuma perspectiva, o PSD. Com o aproximar das legislativas, o facto de Manuela Ferreira Leite estar ausente dos debates parlamentares com o primeiro-ministro vai ser prejudicial para a sua afirmação como potencial alternativa a Sócrates.

Esta situação constitui uma desvantagem para o PSD, especialmente desde que as idas do primeiro-ministro à Assembleia da República se tornaram mais regulares. O segundo problema é o da qualidade dos deputados. Tal como o "Expresso" noticiou há dias, os deputados do PSD são os menos produtivos dos partidos da oposição. A nova liderança do PSD deveria, por isso, estar presente em 2009 e tentar constituir um sólido grupo parlamentar, cativando valores promissores para a actividade política. Neste momento, o partido descura a instituição do Parlamento. Mas se nenhum partido obtiver uma maioria absoluta em 2009, cenário cada vez mais plausível, esta instituição tornará a ser crucial para o processo legislativo. O PSD tem-se revelado especialmente propenso à mobilização de pessoas oriundas do sector privado que só estão disponíveis para entrar na política se, e quando, o PSD for Governo. Sem desvalorizar a importância destas pessoas, elas não servirão para colmatar o desgaste que (mais) um grupo parlamentar acéfalo e fraco irá produzir a prazo junto do eleitorado.

Pub
Pub
Pub