Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 16 de Março de 2005 às 13:59

Ó Carmona, arranja aí um espacinho!

Se de todas as vezes que me demiti, verdadeiramente não me demiti; se de todas as vezes que jurei que me ia embora, afinal nunca fui, porque diabo é que agora, quando não disse que desistia, haveria de sair de cena?

Se anunciei a minha saída da presidência do PSD, se não sou candidato à sua liderança, se não assumo o legítimo lugar no parlamento para o qual fui eleito, isso quer apenas dizer que escolhi estar noutra tribuna e respeitar a vontade de Lisboa. Eu compreendo todos os que gostariam de me ver fora da política, agora e provavelmente para sempre. Mas eu não sou um desistente nem faço travessias de desertos. Eu não fujo das dificuldades e assumo todas as responsabilidades. Assumi a derrota nas eleições legislativas do mesmo modo que assumo também o voto de confiança que recebi do povo de Lisboa. É preciso dizer que um político não pode apenas receber a confiança dos cidadãos que o elegem. Um político deve retribuir essa confiança. Quando o país precisou, o povo de Lisboa compreendeu que devia emprestar o seu presidente para servir Portugal. Mas um empréstimo deve ser respeitado e, chegada a hora, devolvido. Eis-me, por isso, de regresso à cidade que prometi fazer feliz, cumprindo com elevação o desígnio da vontade popular. Mas isso não basta. Um político está também obrigado a premiar aqueles que, na sua ausência, garantiram o normal funcionamento camarário com notável sentido de missão. Entre todos, tenho a obrigação de distinguir o presidente que me substituiu e sublinhar não só a sua dedicação como a qualidade do trabalho desenvolvido. Porém, agradecimentos e louvores ficam bem mas não são suficientes. Mais que as palavras devemos analisar os actos que lhes sucedem. E é por isso que vos digo, com todo o orgulho e convicção, que o meu regresso à câmara não visa diminuir o trabalho de quem tão competentemente me substituiu e, muito menos, retirar-lhe responsabilidades e competências que tão eficazmente soube assumir. Deste modo, em vez um presidente, Lisboa terá dois. Fica assim garantido que não haverá qualquer ruptura no funcionamento dos serviços, o que acontecer seria muito prejudicial a seis meses das eleições. Por amor a Lisboa.

Pub
Pub
Pub