O orgulho de ser português
Portugal é hoje, devido às suas comunidades de emigrantes, uma das poucas nações com passado, presente e futuro em todos e cada um dos continentes.
O sucesso dos nossos emigrantes nas quatro partidas do Mundo é a forma insofismável de que os portugueses são, afinal, tão capazes como quaisquer outros, isto a partir do momento em que tenham as mesmas oportunidades e as mesmas condições para se afirmarem.
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Apesar de sabermos que somos tão bons como os melhores, a verdade é que vivemos hoje em Portugal (Continente) num clima miserabilista, num ambiente dominado por profundas concepções derrotistas sobre os portugueses e a sua capacidade de ser e fazer. Mesmo sabendo que no Portugal sonhado, no País que queremos continuar a construir, não pode haver lugar ao miserabilismo. Mesmo que todos tenhamos a convicção de que está na hora de afirmar o optimismo português.
Um optimismo que nasce e se reforça na certeza, na demonstração inequívoca feita pelos nossos emigrantes de que somos um Povo capaz. Assim nos seja permitido prosseguir caminhos claros, com objectivos concretos.
Todos sentimos já que importa acabar com a visão contabilística da coisa. Os permanentes diagnósticos miserabilistas feitos por ilustres cidadãos e figuras com lugar activo nos media, sem nunca apontarem soluções capazes e duradoiras, já não colhem nos portugueses. Estamos cansados de tanta maledicência, de tanto pessimismo.
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Os articulistas e colunistas do costume fazem-nos duvidar das capacidades dos portugueses, criam a incerteza e a instabilidade social, logo aprofundam a crise de confiança com reflexos muito negativos na economia.
Atolados numa depressão colectiva, somos levados a olhar os vizinhos espanhóis com crescente admiração. Porque vamos descobrindo no exemplo espanhol razões e realidades que por cá permanecem no campo dos sonhos sempre adiados.
Em Espanha, por exemplo, existem poderes descentralizados conhecedores das realidades locais, da economia real, capazes de, em conjunto com os agentes económicos locais, ultrapassar os problemas e criar riqueza.
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Existem também estratégias nacionais muito claras de afirmação económica de Espanha no mundo. Sem vergonha do comportamento que a Espanha teve na colonização da América Latina, ao contrário do sentimento de vergonha evidenciado pelos portugueses em relação ao nosso passado em África.
Evidente é ainda a clara concertação de esforços existente entre o sistema financeiro e os agentes económicos espanhóis, o que lhes permite travarem batalhas de mãos dadas e assim aumentarem, de forma substancial, as hipóteses de vitória.
O orgulho de ser espanhol expressa-se por isso de uma maneira eloquente através da celebração do sucesso de figuras com dimensão mundial, como é o caso recente, por exemplo, do piloto de Fórmula 1 Fernando Alonso.
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Se fosse em Portugal, aposto que a maioria logo justificaria o triunfo do piloto com a superioridade do carro francês ou com o azar do concorrente mais directo. Reconhecer a superior competência de Alonso estaria para nós fora de questão.
É chegada a hora de inverter este triste estado de coisas. É urgente começarmos a ter orgulho de sermos TUGAS, de sermos capazes de enaltecer a nossa capacidade de superar as situações mais difíceis, de sublinharmos o nosso carácter profundamente humanista, difícil de igualar por qualquer outro povo.
A construção de um País onde todos se orgulhem de viver está ao nosso alcance e será bem mais fácil se os nossos líderes de opinião assumirem uma visão optimista do futuro colectivo em vez de insistirem no papel de pregadores do apocalipse.
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