E Portugal?
A economia portuguesa exige uma acção firme e decisiva, actuações capazes de superarem a crise e de restaurarem a confiança e o relançamento do crescimento em Portugal.
Portugal encontra-se numa enorme encruzilhada. A situação é preocupante, todos o reconhecem, e mais preocupante se torna quando nos apercebemos de que não serão, seguramente, os agentes políticos de per si que vão conseguir formular e muito menos implementar as melhores soluções.
A economia portuguesa exige uma acção firme e decisiva, actuações capazes de superarem a crise e de restaurarem a confiança e o relançamento do crescimento em Portugal.
Até agora ainda não se vislumbrou qualquer acção coerente para sair da buraco em que caímos e reforçou-se a convicção de que será difícil sair sem uma acção concertada dos diferentes agentes políticos, económicos e sociais. Precisamos de uma acção rápida e decisiva, não podemos continuar a tolerar passivamente os efeitos paralisantes da burocracia nacional e europeia.
Mesmo quem não renega ao Estado um papel importante em áreas estratégias da organização social, já percebeu que terão de ser as empresas a assumir cada vez mais a iniciativa, a liderar e a empreender, ultrapassando as políticas os obstáculos anti-empresa e crescimento que há décadas vigoram. Isto porque não há tempo a perder.
Estou a lembrar-me, por exemplo, das dificuldades decorrentes dos longos, penosos e desmotivadores processos administrativos, quer ao nível da administração local, quer central.
Tendo o Estado um número excessivo de servidores, pergunta-se por que é que têm que ser as empresas, quando necessitam dos serviços públicos (v.g. escrituras públicas, licenciamentos, etc.) a correr de repartição em repartição em busca de toda a panóplia de documentação exigida? Por que não faz o Estado este papel e cobra o serviço prestado às empresas, tipo «chave na mão»? As empresas ficariam gratas. O Estado ganharia mais e a produtividade aumentaria.
Numa crise, é imperioso ter uma liderança política forte. E a liderança traduz-se na demonstração de um firme compromisso com os objectivos a longo prazo, seleccionando no entanto correctas prioridades de acção a curto prazo.
Na Irlanda (país assolado pela terrível crise dos anos 80), empregadores, sindicatos e Governo juntaram-se para arquitectar um grande consenso social para as décadas seguintes, uma magna carta de desenvolvimento que, independentemente, do ciclo político, assentasse na ideia de que a Irlanda estava primeiro.
E Portugal? Estará para todos nós em primeiro lugar? Será mesmo a nossa prioridade?
Penso que nem todos colocam o nosso País à frente. Por isso, a sociedade civil terá que ter cada vez maior intervenção. Há que recuperar a confiança. Investir seriamente nas pessoas, na educação e na formação. Investir na tecnologia, no meio-ambiente, apoiar o objectivo da competitividade industrial, ter uma atitude permanente de inovação.
Os empresários devem ser chamados a assumir um papel preponderante na definição deste plano de acção. De forma activa e não reactiva.
Investir nas pessoas, na sua formação, é investir no único recurso duradoiro que Portugal tem: o seu capital humano. A chave para a recuperação económica é conseguir empregar este capital da maneira cada vez mais eficaz.
Educar a gente jovem segundo padrões de rigor e exigência que satisfaçam melhor as necessidades das empresas e as preparem para uma economia global.
Proporcionar aos jovens os conhecimentos e motivação para viver e trabalhar em qualquer lugar da Europa. Proporcionar formação contínua para aqueles que já estão no mercado de trabalho.
Estimular, acordar compromissos mútuos, ao nível das empresas e do Estado, para atingir objectivos bem delineados e premiar os melhores e mais capazes.
Para os que estão desempregados, adoptar medidas radicais para os devolver ao trabalho, flexibilizando e inovando.
Investir no desenvolvimento regional, apoiar a mobilidade da mão-de-obra e a cooperação.
Resumindo, há que inspirar confiança no futuro, proporcionar os conhecimentos que as pessoas necessitam e pô-las a produzir.
Teremos que dar maior ênfase «todos» - e a Comunicação Social tem aqui um papel de relevo -, ao trabalho realizado em prol do progresso de Portugal. E deixem morrer por exaustão tudo quanto pretenda avivar discórdias ou crises.
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