Rita Gonçalves 23 de Novembro de 2020 às 14:53

Há sempre um preço a pagar

O mote da próxima década será, sem dúvida, a prevenção e a melhoria no tratamento e recolha de resíduos, mas também Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Todos têm a sua missão e o resultado é coletivo, porque o futuro do planeta não é reciclável!

Sabia que quanto mais reciclar, menor será o valor a pagar pela gestão de resíduos presente na sua fatura da água? O cidadão que hoje recicla, fá-lo essencialmente por uma consciência ambiental, sem perceber que o resultado é coletivo.

 

PUB

Por outro lado, ao não reciclar, cada cidadão está a contribuir para o aumento da percentagem de resíduos encaminhados para aterro e incineração, obrigando o município correspondente a pagar uma taxa (recentemente agravada) e a pagar mais pelo tratamento desses resíduos. Mais tarde ou mais cedo esse agravamento será repercutido no cidadão. 

 

Um longo caminho tem de ser feito, num curto espaço de tempo, para alcançar as ambiciosas metas ambientais nacionais previstas nos normativos comunitários até 2035.

PUB

 

É urgente rever a política estratégica do setor

 

PUB

A mudança e a coragem serão necessárias, para o sucesso nacional. É urgente a revisão da política estratégica do setor de gestão de resíduos de forma a definir claras orientações estratégicas para todos os que atuam e têm responsabilidades.

 

O cidadão precisa de perceber a importância do seu papel e ser consciente do impacto das suas ações. Mas também os restantes players do setor tem de ter uma definição clara, do papel a desempenhar por cada um, na persecução de objetivos comuns.

PUB

 

A política do setor deve ser transparente, estável e objetiva para permitir que sejam realizados os planos de ação necessários para responder aos ambiciosos objetivos. Isso significa evite o atropelo dos processos de decisão, dispersão do poder e processos burocráticos.

 

PUB

Todos terão de ter a consciência que para fazer mais e melhor existe um preço a pagar. Mas existem mecanismos para conter a pressão tarifária pelo tratamento de resíduos e recolha seletiva, nomeadamente através do reforço da valorização dos produtos derivados dos resíduos, seja a venda de recicláveis, a venda de energia produzida, ou outras fontes de receita que contribuam para a economia circular.

 

Linhas de financiamento focadas nos desafios a ultrapassar

PUB

 

Um outro mecanismo igualmente importante são as linhas de financiamento nacionais e comunitárias, indispensáveis a um setor que tem um ciclo de fortes investimentos para poder responder aos desafios das metas da próxima década. O setor tem assistido a forças contrárias, nomeadamente pela perda e redução da remuneração garantida da energia, pela crise instalada no mercado de matérias-primas dos recicláveis e mesmo pela deslocalização de fundos nacionais e comunitários. É necessário retroceder este caminho, para aliviar a pressão sobre a tarifa municipal que se avizinha crescente.

 

PUB

Também o sistema de incentivos, terá de ser revisto, tanto para cidadão, como para o município, como para os sistemas de tratamento e recolha, de forma a premiar os corretos comportamentos e a eficiência no serviço prestado.

 

O mote da próxima década será, sem dúvida, a prevenção e a melhoria no tratamento e recolha de resíduos, mas também Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Todos têm a sua missão e o resultado é coletivo, porque o futuro do planeta não é reciclável!

PUB

 

Diretora de regulação da EGF

Mais Artigos do autor

Mais Artigos do autor

Pub
Pub
Pub