Jorge Marrão 24 de Março de 2017 às 00:01

As direitas de esquerda

A responsabilidade de tudo isto não é da esquerda: é da direita/centro-direita que ainda não se libertou do paternalismo esquerdista centrado no PS fundador da democracia.

A FRASE...

 

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"O comentador de direita é o proverbial idiota útil."

 

Alberto Gonçalves, Observador, 19 de Março de 2017

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A ANÁLISE...

 

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O país gosta de viver ao centro, qualquer que este seja, ufana com os comentários dos extremos, mas tem o eixo mediático-cultural dominado por complexos de esquerda. O natural conservadorismo português, a demografia atual e a dependência dos votos dos pensionistas e funcionários públicos leva a política a privilegiar a estabilidade, com sabor de esquerda. A direita viveu sempre envergonhada desde os constituintes de Abril.

 

Ler no livro de Cavaco Silva a sua proverbial distância à comunicação social, relembrar a imprensa que retratou os episódios da passagem de Santana Lopes na governação e o ataque sistemático e permanente ao PSD de Passos Coelho, que se viu obrigado a aplicar um memorando "revolucionário", ainda que negociado pelo PS, reconfigurou inapelavelmente a economia portuguesa, mas não a sociedade. Os líderes de direita e do centro direita viverão sempre de costas voltadas à comunicação social prevalecente. Não haverá direita no poder sem líderes corajosos que menosprezem o panorama mediático.

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Quando acossada, a direita política e parlamentar, de forma oscilante, embarca em episódios para se aproximar do politicamente correto. Ao invés de pugnar, convicta e sistematicamente, em libertar o cidadão e as empresas do Estado, dos seus impostos e do seu direito processual lento, anacrónico, dominado por funcionários que interpretam a lei como justiceiros de uma sociedade que consideram corrupta, porque capitalista, e não porque é dominada por um Estado tentacular que cria parasitas capitalistas, embrulha-se em minudências que nos encerra ainda mais numa visão estatal.

 

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A responsabilidade de tudo isto não é da esquerda: é da direita/centro-direita que ainda não se libertou do paternalismo esquerdista centrado no PS fundador da democracia. A boa notícia é que apenas sairemos de tudo isto com reformas estruturais que são, no burgo, consideradas de direita/centro-direita. Até lá vamos vivendo com a "cabeça entre as orelhas". Chegaremos como sempre atrasados ao comboio do progresso.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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