Luís Bettencourt Moniz 03 de Dezembro de 2015 às 00:01

Cientistas de dados: poucos que fazem a diferença

Os dados estão para ficar. O volume duplica em cada ano. Chamamos pomposamente "big data". Isolados não significam nada. Mas analisados e relacionados ajudam-nos a compreender e a descobrir o significado do que nos rodeia, de como agimos, quando e porquê.

Do que podemos prever e antecipar. Mais, do que podemos inovar e transformar. Quer se trate de um centro de investigação ou de um grande operador de telecomunicações, o que se pretende é dar significado aos "tsunamis" de dados que nos chegam de várias fontes.

 

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Há três anos, Davenport e Patil escreveram na Harvard Business Review que os cientistas de dados seriam a profissão mais "sexy" do século XXI. Hoje a procura é maior do que a oferta. A fuga dos jovens da Matemática, disciplina central, é uma das causas para existirem poucos cientistas e analistas de dados. É uma mistura de competências analíticas, análise de dados, matemática, estatística, gestão e sistemas de informação. Os poucos com formação académica na área analítica (contam-se pelos dedos os cursos) ou afins (Matemática, Engenharias, etc.) são rapidamente absorvidos pelo mercado nacional e internacional. Para já não falar dos que têm experiência profissional, cobiçados por várias empresas e com salários muito acima da média.

 

Mas não iludamos que se alguém domina técnicas de extracção de dados ou que é exímio na manipulação de "pivot tables" do Excel se torna num cientista ou analista de dados. É preciso muito mais. Dominar metodologias e algoritmos avançados de análise e previsão, técnicas de "data mining" e sólidos conhecimentos de sistemas, matemática e estatística. Conheço vários analistas de dados. É um trabalho árduo, intenso e de resiliência. Muitas vezes frustrante, porque a qualidade dos dados impede resultados bons - a máxima "garbage in, garbage out" aplica-se - a miríade de silos de informação espalhados pela organização, escondidos ou não, dificulta a visão global, mas sobretudo gestores pouco sensibilizados para aceitar a nova fonte de energia das organizações: os dados.

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A decisão empresarial passou a ser uma decisão baseada em dados. Em informação. A gestão moderna não é possível com crenças, mas sim com informação relevante,  mente aberta e a capacidade de misturar modelos e previsões com a intuição da experiência. Para os cientistas de dados, o único propósito é compreender hoje e prever amanhã o mundo que nos rodeia, as forças que o movem e as ligações entre os protagonistas.

 

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Responsável de Marketing no SAS Portugal

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