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Nicolau do Vale Pais
07 de Agosto de 2015 às 10:26

O Porto e a Europa: a exposição "O Portugal de Emílio Biel"

É em pleno coração da Ribeira que está a exposição "O Portugal de Emílio Biel", mais precisamente no complexo de edifícios a que se chama "A Casa do Infante", por se acreditar ali ter nascido o Infante D. Henrique em 1394.

A Ribeira é a zona da cidade onde encontro, num concentrado de séculos, aquilo que mais me fascina no Porto. Cheira a Património Mundial: ali chega o Douro vindo do alto, comprimido entre as caves de um lado, e a "Praça do Cubo", do outro. A Ponte Luiz I, símbolo de glorioso engenho, liga as duas margens por rodovia (tabuleiro inferior) e Metro (tabuleiro superior); é uma imagem de convergência rara nas nossas cidades - três séculos (XIX, XX, e XXI), edificados na sustentabilidade inteligente da adaptação de uma estrutura.

Naquela zona do burgo, caminha-se rapidamente por entre capítulos vários de um só Porto: a sua talha medieval, símbolo da sua irredutibilidade, mistura-se ali esplendorosamente com as marcas da Revolução Industrial, sinal do sobressalto europeu, e os seus símbolos - o Palácio da Bolsa que serve de casa à Associação Comercial, o Edifício da Alfândega, os carris do eléctrico, por entre outras marcas da ambição cosmopolita e da sua matriz do Romântico. É em pleno coração da Ribeira, que está patente a Exposição "O Portugal de Emílio Biel", mais precisamente no complexo de edifícios a que se chama "A Casa do Infante", por se acreditar ali ter nascido o Infante D. Henrique em 1394 (*).

Para assinalar os cem anos da morte de Karl Emil Biel - que ficou conhecido em Portugal como Emílio Biel -, a Câmara Municipal do Porto apresenta-nos uma exposição onde consta parte do espólio de Biel de que é detentora: mais de 500 das 100.000 espécies fotográficas existentes à data da sua morte, e que são hoje parte do Arquivo Histórico Municipal. Foi também editado um livro dedicado sobretudo ao seu espólio fotográfico.

Karl Emil Biel, comerciante e industrial, nasceu em Amberg, na Baviera, em 1839. Estabeleceu-se primeiro em Lisboa em 1857, mas veio para o Porto três anos depois. Fundou uma fábrica de botões, casando a sua actividade de comerciante com a de representante de diversas marcas alemãs, incluindo a Siemens (que é, aliás, benemérita apoiante desta exposição).

Biel corporiza, de alguma forma, aquilo que Rui Moreira, em texto de abertura do já mencionado livro, assinala como sendo "a tradição histórica do Porto de abertura ao Mundo". Dinâmico e interventivo, empreendedor e criativo, celebrante da inovação e de ética cosmopolita, Biel era, por índole, um filantropo. É como apreciador de arte, interessado pelas descobertas científicas do seu tempo, que desenvolve a sua paixão pela fotografia. Revisitadas estas imagens colhidas pela lente da sua câmara, estamos perante um fidelíssimo diário do Portugal do séc. XIX. O legado de Biel partilha com a cidade do Porto um fascínio pelas variações de dimensão, e o seu significado em termos de eclectismo: de uma fotografia furtiva mostrando o embarque de vinhos em Vila Nova de Gaia, à sua colaboração, como pioneiro industrial, na electrificação da cidade de Vila Real, ou das estações de caminho-de-ferro de Lisboa e Porto.

A exposição inaugurou no passado dia 10, e está presente até 21 de Setembro, no n .º 10 da Casa da Alfândega, no Porto. 

(*) O complexo, que sofreu diversas adições até ao século XVII, foi mandado edificar por D. Afonso IV em 1325, para albergar a então Alfândega Medieval.

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