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Microplásticos detetados em dois dos principais rios da região centro

Estudo liderado pela Universidade de Coimbra identificou sobretudo fibras e partículas com menos de um milímetro, consideradas as mais facilmente ingeríveis pelos organismos aquáticos.

18 de Maio de 2026 às 16:09
Ricardo Almeida
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Há microplásticos em suspensão em todos os locais analisados por uma equipa de investigadores nos rios Mondego e Vouga. A conclusão é de um estudo liderado pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), que avaliou dois dos principais sistemas fluviais da região Centro e confirma que a poluição por plásticos não está confinada ao litoral ou aos ambientes marinhos.

Publicado na  científica Journal of Hazardous Materials: Plastics, o trabalho analisou a presença, composição e risco ecológico de microplásticos nos dois rios. As partículas foram detetadas em todos os 14 pontos de amostragem, com concentrações entre 156 e 1667 itens por metro cúbico. No Mondego, o valor mais elevado foi registado em Coimbra, junto a uma zona urbana e de forte circulação, enquanto no Vouga o pico surgiu em Celorico, numa área associada a turismo, lazer e atividade agrícola.

O estudo conclui que os microplásticos apresentaram uma distribuição relativamente homogénea e que o risco ecológico depende também do tamanho das partículas, do tipo de polímero e da sua capacidade de se manterem em suspensão, serem transportadas ou ingeridas por organismos aquáticos.

“A investigação fornece informação de base importante sobre a contaminação por microplásticos em sistemas de água doce em Portugal e evidencia a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de mitigação”, afirma Seena Sahadevan, investigadora do MARE e do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, citada no comunicado.

A maioria dos microplásticos encontrados tinha entre 0,1 e 1 milímetro, que representam 54,8% da amostra no Mondego e 63,3% no Vouga. Esta dimensão é particularmente relevante porque as partículas mais pequenas tendem a ser mais móveis e mais facilmente ingeridas por organismos aquáticos. No artigo científico, os autores alertam que estes valores devem ser vistos como conservadores, uma vez que a metodologia usada tinha um limite de deteção de 100 micrómetros, o que pode subestimar as partículas ainda mais pequenas.

As fibras foram, de longe, a forma mais frequente: 86,9% das partículas no Mondego e 93,9% no Vouga. As fontes, escrevem os investigadores, são difusas e incluem efluentes urbanos, águas residuais, têxteis sintéticos, escorrências superficiais e desgaste de materiais plásticos. Quanto à composição, destacaram-se o polietileno e o polipropileno, polímeros muito usados em embalagens e plásticos de uso único, que em conjunto dominaram as amostras dos dois rios.

O estudo incluiu ainda uma avaliação de risco ecológico através de três índices internacionais, nomeadamente carga de poluição, perigosidade dos polímeros e risco ecológico potencial. Os resultados mostram que algumas zonas com menor concentração de partículas podem apresentar risco elevado devido à presença de polímeros mais perigosos, como PVC ou poliestireno. No Mondego, o índice global de risco ecológico potencial colocou o rio na categoria de “perigo”, influenciado sobretudo por pontos como Coimbra e Alfarelos. No Vouga, a classificação global foi inferior, mas alguns locais, como Paredes, Fontinha e Outeiro, apresentaram valores elevados.

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