Mulheres dominam Booker Prize 2026
No ano em que o prémio literário Booker Prize comemora uma década no atual formato - dedicado a obras traduzidas para inglês -, as mulheres estão em peso na lista de finalistas. Nos seis livros da “shortlist” há cinco escritoras e quatro tradutoras.
A língua portuguesa está representada pelo livro “Assim na Terra Como Embaixo da Terra”, da autora brasileira Ana Paula Maia, que foi traduzido pela canadiana Padma Viswanathan, com o título “On earth as it is beneath”.
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Originalmente publicado em 2017, o romance explora o ambiente pesado e violento de uma colónia penal brasileira, num local remoto, que foi construída para ser um modelo de centro de detenção, num terreno onde, em tempos, houve tortura e assassinato de escravos.
O júri resumiu a obra como sendo uma história “curta, brutal, inquietante e hipnótica”, onde “os limites entre justiça e crueldade se confundem.”
Ana Paula Maia, de 48 anos, é autora de sete romances e ganhou o Prémio São Paulo de Literatura por dois anos consecutivos com “Assim na terra como embaixo da terra” (2018) e “Enterre seus mortos” (2019).
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A escritora é também guionista, tendo no seu currículo a criação da série “Desalma”, da Globoplay, e também a autoria do guião do filme “Deserto”, de Guilherme Weber.
Esta é a segunda vez que um livro de um autor brasileiro chega à lista de finalistas. Em 2024, foi a vez de "Torto Arado", de Itamar Vieira Junior (vencedor de Prémio Leya 2018), traduzido para inglês por Johnny Lorenz com o título “Crooked Plow”.
Os restantes finalistas do Booker Prize 2026 são “She Who Remains”, de Rene Karabash (Bulgária); “The Witch”, de Marie NDiaye (França); “Taiwan Travelogue”, de Yáng Shuang-zi (Taiwan); “The Nights Are Quiet in Tehran”, de Shida Bazyar e “The Director”, de Daniel Kehlmann (ambos da Alemanha).
Este ano foram apresentados 128 livros a concurso pelas editoras. As seis obras selecionadas pelo júri do prémio de ficção traduzida para inglês, publicada no Reino Unido ou na Irlanda entre maio de 2025 e abril de 2026, exploram momentos da história internacional, que vão desde o período em que Taiwan esteve sob domínio japonês, na década de 1930, até à Alemanha nazi e à Revolução Islâmica de 1979, no Irão.
São histórias que “ecoam a história” e contêm “esperança, perspicácia e uma humanidade ardente”, disse Natasha Brown, a presidente do júri.
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A obra vencedora será anunciada a 19 de maio de 2026, numa cerimónia na Tate Modern, em Londres.
O prémio, no valor de 50 mil libras (o equivalente a 57 mil euros), será dividido em partes iguais pelo autor e pelo tradutor. Nestes dez anos, o Booker Prize nunca foi entregue a um autor de língua portuguesa.
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