Janita Salomé: O início da nossa decadência começa com a saída dos judeus
Uma viagem com a rosa pelo meio. A rosa como símbolo do entendimento entre os homens. O novo álbum de Janita Salomé chama-se "Em Nome da Rosa" e vai ao encontro das suas raízes sefarditas. Uma viagem que junta poesia portuguesa. Ele é assim, um cantor das palavras e da memória. De menino cantor, irmão de cantores muitos, e filho de pai cantador de fado de Coimbra, Janita Salomé é hoje um ajuntador de culturas. Em miúdo, pegava na rádio e escutava cantores marroquinos ao alaúde. Aprendeu com os berberes, lançou discos que falam da presença árabe na Península Ibérica. Antes, fez uma viagem de vida com quem tinha algo de santo, Zeca Afonso. Antes, esteve na guerra. Pelo meio, foi funcionário público no cartório notarial do Redondo. Hoje cultiva rosas e faz música. Nasceu no Alentejo, vive numa aldeia perto de Alenquer, na zona saloia - e saloio vem do árabe sahroi, habitante do deserto. "Estou a aproximar-me de Belmonte. Qualquer dia, estou lá. É como se regressasse às origens."
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Eu cultivo rosas. O gosto pelas flores vem da minha mãe e o gosto pela música vem do meu pai e também da minha mãe, é um encontro feliz. O meu pai era cantador de fados de Coimbra. E era relojoeiro e ourives no Redondo. A loja dele tinha um anexo onde havia um piano, um órgão de foles, uma viola, um violino, um bandolim. Havia também instrumentos de sopro que os meus irmãos mais velhos tocavam. Aquela família era uma escola de música. Nos meus sete, oito anos, descobriram que eu sabia cantar. Lá em casa, faziam-se reuniões para ouvir o menino. Vinham os meus avós, os meus tios, os irmãos do meu pai e os da minha mãe. Era um bom auditório.