Pouco parece aproximar uma fabricante de pavimentos em madeira de uma empresa especializada na manutenção de infraestruturas rodoviárias. Mas a Castro Wood Floors e a Vialsil partilham vários traços: são empresas familiares com gestão profissionalizada, cresceram de forma sustentada ao longo das últimas décadas e têm vindo a reforçar a presença internacional. Juntaram-se ao sexto grupo do programa ELITE da Euronext em Portugal, sendo a segunda edição no Norte em parceria com a Associação Empresarial de Portugal (AEP)
O próximo grupo vai ser lançado nos dias 22 e 23 de setembro na Católica Business School, no Porto. As candidaturas já estão abertas para empresas que queiram acelerar o crescimento, reforçar a sua competitividade e integrar uma rede internacional de líderes empresariais. Visite o site da ELITE Portugal e entre em contacto com a equipa para conhecer os critérios de participação.
Castro Wood Floors: “O ganho com a participação na ELITE é garantido”
Começou nos anos 70 como uma serração de madeiras. Hoje está presente em mais de 40 países e associada a projetos de referência internacional e marcas de luxo como Gucci ou Pandora. Francisco Príncipe, administrador da empresa, explica o percurso de crescimento da empresa, os desafios da internacionalização e o papel que a inovação e a sustentabilidade desempenham na estratégia de futuro.
Como evoluiu a Castro Wood Floors de uma pequena serração familiar para uma empresa presente em mais de 40 países?
A empresa nasceu de uma serração fundada pelo meu avô, que já tinha uma longa experiência no setor. Nos anos 80 começámos a produzir pavimentos de madeira e, na década seguinte, crescemos com o forte dinamismo da construção em Portugal. A partir de 2000, perante a crise da habitação e da construção, apostámos na internacionalização e especializámo-nos totalmente na produção de pisos. Mais tarde investimos nos pisos estruturados compostos, expandimos a presença para novos mercados, incluindo a América do Norte, e consolidámos uma rede de parceiros em todo o mundo. Hoje estamos focados na eficiência operacional e na melhoria contínua da qualidade.
Como conseguiram modernizar a empresa sem perder a componente artesanal associada à madeira?
O que mantemos da tradição é a matéria-prima. Continuamos a trabalhar madeiras nobres como o carvalho e a nogueira. Tudo o resto passou por um processo contínuo de modernização, porque a produção industrial exige eficiência, qualidade e competitividade.
O que distingue a Castro Wood Floors num mercado global altamente competitivo?
O nosso principal produto são os pisos estruturados compostos, desenvolvidos com uma preocupação de sustentabilidade e utilização eficiente das madeiras nobres. Diferenciamo-nos pela qualidade do produto, pelo controlo da matéria-prima, pela tecnologia utilizada e pela experiência acumulada ao longo de mais de 50 anos. Temos ainda uma vantagem importante: dominamos toda a cadeia de transformação da madeira, desde a origem da matéria-prima até ao produto final. A qualidade do serviço, a rapidez de resposta e a proximidade aos clientes também são fatores distintivos.
A empresa participa em projetos de luxo e de referência internacional. Que impacto têm estes projetos no posicionamento da marca?
O nosso produto está claramente orientado para segmentos premium e de luxo, seja na hotelaria, no residencial ou no setor comercial. Estar associado a projetos de referência reforça o posicionamento da marca e ajuda-nos a conquistar novos mercados. Portugal tem empresas muito competentes neste setor e isso contribui para a reputação do país, embora nem sempre seja uma indústria tão visível como outras.
Quais são os maiores desafios da internacionalização?
Entrar em mercados distantes e conseguir que os parceiros valorizem a nossa marca continua a ser um desafio. Muitas vezes a decisão de compra continua muito dependente do preço. Existem também desafios culturais e de comunicação. É importante transmitir aos clientes a experiência, a capacidade técnica e a flexibilidade de um produtor capaz de responder rapidamente às suas necessidades.
De que forma a sustentabilidade influencia a estratégia da empresa?
A sustentabilidade começa logo na escolha da matéria-prima, através da utilização de madeira proveniente de florestas certificadas. Ao nível industrial, apostamos na economia circular, na produção de pellets a partir de resíduos, em vernizes à base de água, numa ETAR própria e em energia solar através de painéis fotovoltaicos. É uma preocupação transversal a toda a operação.
A madeira está a ganhar protagonismo na arquitetura contemporânea?
Sem dúvida. A madeira alia conforto, bem-estar e sustentabilidade. Além disso, apresenta uma pegada ecológica muito reduzida quando comparada com outros materiais de construção. O carbono fica armazenado na madeira ao longo da vida útil do produto, o que contribui para um balanço ambiental muito positivo. Por isso, acreditamos que será cada vez mais um material de referência na construção do futuro.
Quais são os objetivos estratégicos para os próximos anos?
Temos uma presença organizada em oito grandes áreas geográficas. Algumas estão consolidadas, outras têm ainda potencial de crescimento e há regiões, como a Oceania, onde queremos reforçar a nossa presença. O objetivo passa por equilibrar o peso das diferentes geografias, continuar a investir na notoriedade da marca, conquistar projetos de referência e aumentar a eficiência operacional, mantendo sempre elevados padrões de qualidade.
O que motivou a entrada da empresa no programa ELITE?
O que nos atraiu foi a integração numa rede europeia de grande dimensão e a aposta no desenvolvimento de competências, networking e acesso a financiamento alternativo. Já participámos em vários eventos e a experiência tem sido muito positiva. A valorização das equipas e a aquisição de novas competências são fundamentais para enfrentar os desafios futuros. Do ponto de vista do financiamento, o acesso a capital continua a ser essencial para investir em tecnologia, equipamentos e crescimento. Por isso, acreditamos que o ganho com a participação no programa ELITE é garantido.
Vialsil quer duplicar o negócio e atingir os 30 milhões de euros de faturação
Fundada em 1995, em Baião, a Vialsil nasceu para responder a uma necessidade específica do mercado: a conservação e manutenção de infraestruturas rodoviárias. Três décadas depois, a empresa participa em projetos de referência em Portugal e no estrangeiro, incluindo o futuro circuito citadino de Fórmula 1 de Madrid. Patrícia Gonçalves, CFO da Vialsil, fala dos desafios do setor, da aposta na inovação e dos objetivos de crescimento para os próximos anos.
Como nasceu a Vialsil e que oportunidade identificou no mercado?
A Vialsil nasceu há cerca de 30 anos pela iniciativa de Paulo Portela, um dos fundadores, que identificou uma oportunidade num mercado com necessidades muito específicas na conservação e manutenção de vias de comunicação. Desde então, crescemos de forma sustentada, assentes na qualidade, na inovação e numa relação próxima com colaboradores, clientes e parceiros. Mantemos as nossas raízes familiares, mas com uma visão claramente orientada para o crescimento e para a profissionalização da gestão.
O que permitiu à empresa alargar progressivamente a sua atividade?
Foi uma evolução natural, suportada pela experiência acumulada no terreno e pela capacidade de identificar novas necessidades dos clientes. Ao longo dos anos investimos em equipas, tecnologia e equipamentos, ganhando capacidade para responder a projetos cada vez mais exigentes e diversificados.
Quais são atualmente as principais áreas de atividade da Vialsil?
A empresa atua nas áreas da operação e manutenção rodoviária, sinalização temporária, reparação de obras de arte e estruturas metálicas. Ao longo do percurso, mantivemos como pilares a pontualidade, a disponibilidade e a qualidade do serviço prestado. Essa consistência tem reforçado a confiança dos clientes e a credibilidade da empresa no mercado.
O projeto do novo circuito de Fórmula 1 de Madrid é um marco na internacionalização da empresa?
Sem dúvida. Trata-se de um projeto muito relevante, que representa o reconhecimento da capacidade técnica que fomos construindo ao longo dos anos, sobretudo em contextos onde os prazos são extremamente exigentes. A internacionalização tem sido feita de forma gradual, através de parcerias europeias e sempre alinhada com a nossa capacidade de execução. O foco continua a passar pela consolidação do mercado nacional, aproveitando simultaneamente oportunidades em mercados próximos.
Quais são hoje os maiores desafios do setor?
A escassez de mão de obra é atualmente um dos maiores desafios. Trata-se de uma atividade exigente e nem sempre fácil de atrair novos profissionais. Temos procurado responder através da melhoria das condições de trabalho, da remuneração, dos benefícios e da integração dos colaboradores. Atualmente contamos com 208 trabalhadores, dos quais cerca de 35% são estrangeiros. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos energéticos e dos materiais obriga-nos a procurar ganhos permanentes de eficiência e capacidade de adaptação.
Como é que a inovação está a transformar a atividade da empresa?
A inovação passa pela modernização dos equipamentos e pela digitalização dos processos. Recentemente, investimos em tecnologia de waterblasting de alta pressão, uma solução inovadora e sustentável que permite remover marcações e limpar pavimentos sem recurso a produtos químicos. Na área da sinalização temporária, utilizamos reboques equipados com painéis LED alimentados por energia solar, aumentando a eficiência e a segurança das operações. Em 2025 realizámos o maior investimento da história da empresa, superior a dois milhões de euros, para reforçar a capacidade operacional.
Que papel desempenham a sustentabilidade, a segurança e a inclusão na estratégia da empresa?
São áreas centrais da nossa atuação. Ao nível ambiental, temos investido na redução da pegada ecológica através da instalação de painéis fotovoltaicos e da aquisição de equipamentos mais eficientes. No plano social, continuamos a reforçar a segurança no trabalho, as condições oferecidas às equipas e as políticas de inclusão, porque acreditamos que o crescimento sustentável depende das pessoas.
Quais são os objetivos definidos para os próximos anos?
Queremos continuar a crescer de forma sustentada, reforçando a capacidade operacional, a inovação e a modernização dos equipamentos. Em 2025 alcançámos 15,9 milhões de euros de volume de negócios, mais 23% do que no ano anterior. A meta passa por atingir os 30 milhões de euros até ao final da década e consolidar a Vialsil como uma referência num mercado altamente especializado.
O que representa a entrada da empresa no programa ELITE?
A adesão ao ELITE é um passo importante na preparação da próxima fase de crescimento da empresa. Valorizamos particularmente o contacto com entidades como a AEP, a Católica Porto Business School e a Euronext, bem como a possibilidade de trocar experiências com outras empresas nacionais e europeias. Este contacto permite ganhar novas perspetivas, identificar oportunidades e preparar o futuro com mais estrutura, conhecimento e confiança.

