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Galp Voluntária: 15 anos a construir impacto

Realiza-se amanhã a conferência "Voluntariado. O tempo que conta". Sandra Aparício explica como a Fundação Galp construiu um modelo de voluntariado corporativo mais exigente, estratégico e orientado para resultados.

11:13
Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp
Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp Galp

A organiza, esta quarta-feira, a conferência "Voluntariado. O tempo que conta", dedicada ao voluntariado corporativo em Portugal. Lançado em 2011, o programa promove a participação estruturada de colaboradores em ações sociais alinhadas com a estratégia da empresa. Mais do que mobilizar pessoas, aposta em parcerias duradouras e impacto real nas comunidades, reforçando igualmente a cultura organizacional. Nesta conversa, a diretora-executiva da Fundação Galp, Sandra Aparício, aborda a evolução do programa, os desafios atuais e as exigências crescentes deste modelo.

Como surgiu o programa de voluntariado da Fundação Galp?

O programa Galp Voluntária surgiu em 2011, com o objetivo de envolver os colaboradores da empresa de forma ativa nas comunidades onde estamos presentes. Propusemo-nos reforçar a ligação entre a empresa, a Fundação Galp e os territórios onde operamos. Ao longo dos anos, o programa evoluiu significativamente. Passou de uma lógica mais pontual para uma abordagem cada vez mais estruturada e, atualmente, plenamente integrada na estratégia de impacto social do Grupo Galp.

Qual o papel do programa na atual estratégia da empresa?

O voluntariado é uma alavanca de valor partilhado: gera impacto positivo nas comunidades, reforça a capacidade das organizações sociais parceiras e tem um papel muito relevante na mobilização das nossas pessoas em torno do propósito da Galp. Essa evolução refletiu-se também na forma como gerimos o programa, com maior planeamento, acompanhamento e foco na avaliação do impacto, em linha com as boas práticas internacionais. Os resultados demonstram essa maturidade e confirmam o voluntariado como um instrumento estratégico, com impacto social e organizacional.

Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp
O Galp Voluntária envolve os colaboradores nas comunidades onde a empresa está presente Galp

Qual o propósito de uma conferência dedicada ao tema do voluntariado agora?

A conferência surge num momento relevante. Por um lado, as Nações Unidas colocaram este tema no centro da agenda global ao considerarem 2026 como um ano de referência internacional do voluntariado orientado para o desenvolvimento sustentável; por outro, enquanto empresa, acreditamos muito no impacto das parcerias e na força das dinâmicas colaborativas. Quando empresas, organizações sociais, setor público e outros atores trabalham em conjunto, conseguimos ampliar escala e responder de forma mais eficaz às necessidades reais das comunidades.

Ou seja, a conferência realça o voluntariado corporativo como estratégia de desenvolvimento…

Esta conferência apresenta-se como um espaço de reflexão, partilha e debate para elevar a discussão sobre o voluntariado corporativo em Portugal. Promove uma abordagem mais estratégica, consistente e orientada para o impacto. Mais do que mobilizar pessoas, o objetivo é contribuir para a construção de modelos de voluntariado mais exigentes, capazes de gerar valor real e duradouro.

Quais as perguntas em discussão na conferência?

Queremos discutir como garantir impacto mensurável, como evoluir de modelos pontuais para parcerias de corresponsabilização e qual o papel das empresas na capacitação das organizações sociais. Em Portugal, ainda se fala pouco de avaliação de impacto, voluntariado de competências e planeamento de médio e longo prazo.

Esta conferência apresenta-se como um espaço de reflexão, partilha e debate para elevar a discussão sobre o voluntariado corporativo em Portugal. Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp.

Se pensarmos em 2025, quais foram os resultados do programa mais marcantes?

Consideramos 2025 particularmente marcante. Mais de 2.000 colaboradores participaram em 457 iniciativas, dedicando mais de 10.700 horas a estas causas, com impacto direto em 25.774 beneficiários de áreas como educação, inclusão social, pobreza habitacional, bem-estar e resposta a situações de emergência social. Destaco a qualidade do envolvimento: 35% dos voluntários participaram em duas ou mais iniciativas, o que reforça a lógica de continuidade, e cerca de 18% participaram pela primeira vez, demonstrando a capacidade do programa para mobilizar diferentes perfis dentro da organização. O compromisso muito evidente da liderança da Galp com o programa, que se refletiu na participação da totalidade da Comissão Executiva e de grande parte das equipas de gestão nas atividades, também é um dado em destaque.

Que balanço faz junto dos destinatários do programa?

A avaliação realizada junto das organizações sociais confirma resultados muito relevantes: melhorias na eficiência interna, reforço da capacidade organizacional e aumento do número de beneficiários alcançados. As histórias no terreno — desde a reabilitação de habitações à presença regular em organizações sociais — mostram que o voluntariado vai muito além da resposta pontual e cria impacto humano duradouro.

Alguma experiência de voluntariado sintetiza o que pretendem deste programa?

Várias iniciativas refletem bem o que procuramos, mas todas partilham um traço comum: continuidade, parceria e impacto real. As ações de reabilitação de habitações em contextos de pobreza habitacional ou o apoio regular a organizações que combatem a exclusão social são exemplos claros dessa abordagem. A isso junta-se também o envolvimento das equipas Galp em projetos de eficiência energética em instituições sociais.

Portugal enfrenta um problema de pobreza energética.

Nestes contextos, o acesso a energia resiliente, eficiente e sustentável faz uma diferença concreta na qualidade dos serviços prestados e na sustentabilidade das próprias organizações. É particularmente gratificante constatar como o conhecimento técnico, a dedicação e o sentido de propósito das nossas pessoas se traduzem em melhorias reais na vida das comunidades. É exatamente este tipo de voluntariado — estruturado, colaborativo e transformador —, que queremos continuar a promover.

O que é mais relevante: o número de voluntários ou a profundidade do impacto?

A profundidade do impacto é central. Os indicadores quantitativos são importantes para se perceber escala e envolvimento, mas são insuficientes em si mesmos. O que orienta as nossas decisões é a transformação gerada: a melhoria efetiva na vida das pessoas, o reforço das organizações sociais e a criação de impacto consistente nas comunidades. Esse foco garante a relevância e a sustentabilidade do programa a longo prazo.

Qual o papel do programa na criação de referenciais de qualidade?

O programa Galp Voluntária demonstra que o voluntariado corporativo pode ser exigente, estruturado e orientado para resultados. A partilha destas práticas contribui para criar referenciais de qualidade e inspirar outras organizações a evoluir neste caminho.

Internamente, o voluntariado muda a cultura da Galp?

Sem dúvida! O voluntariado tem hoje um papel muito relevante na cultura interna da Galp. Os dados mostram-no de forma clara: 68% dos voluntários referem melhoria de competências profissionais, 96% identificam impacto positivo a nível pessoal e o programa apresenta um NPS [métrica que mede lealdade e satisfação] de 86. Estas experiências reforçam o sentido de pertença e a ligação das pessoas ao propósito da empresa, contribuindo para equipas mais colaborativas e motivadas.

Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp
Em 2025, 35% dos voluntários participaram em duas ou mais iniciativas Galp

Como avaliam a recetividade dos colaboradores?

É muito positiva. Em 2025, 29% dos colaboradores participaram em ações de voluntariado, com elevados níveis de satisfação e continuidade, o que confirma a relevância do programa para diferentes perfis e motivações.

Como é feita a seleção das organizações apoiadas?

A seleção assenta nas necessidades dos territórios, no alinhamento com os eixos estratégicos da Fundação Galp e na capacidade das organizações de gerar impacto sustentável. Privilegiamos parcerias baseadas na corresponsabilização, transparência e avaliação contínua.

As previsões para 2026 são inferiores às de anos anteriores. O que está por trás dessa decisão?

A definição dos objetivos para 2026 resulta de uma opção estratégica consciente, alinhada com a maturidade atingida pelo programa. Optámos por privilegiar qualidade, regularidade e profundidade de impacto, em vez de um crescimento baseado apenas em métricas absolutas. O foco para 2026 passa por consolidar parcerias, aprofundar projetos mais exigentes e reforçar a capacitação das organizações sociais, garantindo impacto sustentável e relevante.

Essa decisão significa menor mobilização?

Importa sublinhar que não significa menor mobilização – estamos ainda no início do ano e já ultrapassámos 50% do objetivo anual, o que demonstra a vitalidade do programa e o forte compromisso das nossas pessoas. Independentemente do KPI [indicador de desempenho] definido, continuaremos a envolver cerca de 2.000 voluntários por ano.

Que mudanças concretas veremos este ano?

Em 2026, a principal mudança é de abordagem. O programa entra numa fase de consolidação, com maior previsibilidade, continuidade e integração entre voluntariado e investimento social. Também queremos reforçar parcerias com empresas da nossa cadeia de valor, promovendo iniciativas conjuntas que mobilizem equipas de diferentes organizações em torno de causas comuns.

Para lá de 2026, o que é o sucesso do programa?

O sucesso não será um número isolado. Será a consolidação de um modelo de voluntariado reconhecido por qualidade, impacto e continuidade, que fortalece organizações sociais, gera impacto real nas comunidades e promove uma mudança de mentalidade duradoura.

Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp
O voluntariado tem hoje um papel muito relevante na cultura interna da Galp Galp

Como enquadram o voluntariado em Portugal e no estrangeiro?

Portugal tem uma forte tradição de solidariedade e uma grande capacidade de mobilização, mas o desafio atual está na qualidade e na profissionalização. Já não basta mobilizar – é essencial perceber que mudança concreta está a ser gerada. É nesse contexto que enquadramos o trabalho da Fundação Galp, alinhado com as principais tendências internacionais, que apontam para um voluntariado corporativo cada vez mais estratégico, estruturado e orientado para impacto.

Que desafio deixam às empresas que ainda encaram o voluntariado como um extra?

O desafio é claro: encarar o voluntariado como uma ferramenta estratégica e não como uma atividade acessória. Quando bem estruturado, o voluntariado gera impacto social, desenvolve pessoas e fortalece a cultura organizacional. É neste âmbito que o voluntariado deixa de ser um extra e se afirma como um verdadeiro motor de transformação.

2 milcolaboradores
participaram, em 2025, em 457 iniciativas do programa Galp Voluntária, dedicando mais de 10.700 horas a estas causas, com impacto direto em 25.774 beneficiários de áreas como educação, inclusão social, pobreza habitacional, bem-estar e resposta a situações de emergência social.

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