A inteligência artificial, a automação e as plataformas digitais estão a transformar a forma como as pessoas comunicam, trabalham e consomem informação. Ainda assim, os eventos presenciais continuam a afirmar-se como uma das ferramentas mais eficazes para criar impacto, gerar relações e mobilizar comunidades. É precisamente esta realidade que estará em debate no REINVENT the event, que regressa ao Centro de Congressos do Estoril para a sua sexta edição, sob o tema “Competing for Attention”.
A edição de 2026 do REINVENT, o maior encontro dos profissionais da indústria de eventos em Portugal, será produzida e coordenada pela Connect Comunicação, agência portuguesa especializada na criação e produção de experiências e eventos. Num contexto em que os estímulos se multiplicam e a atenção se torna um recurso cada vez mais escasso, a indústria dos eventos procura responder a uma questão central: como conquistar relevância junto de públicos cada vez mais exigentes e dispersos?
Para Rui Ochôa, diretor da Event Point – a revista de referência em Portugal no segmento de meetings industry – e responsável pelo congresso, a resposta começa por reconhecer aquilo que os encontros presenciais oferecem de único. “A tecnologia tem um papel cada vez mais relevante nas nossas vidas, e nos eventos também. Numa era em que tudo pode ser manipulado, fingido, os eventos presenciais proporcionam uma experiência que, por ser autêntica – não pode ser fingida –, tem um enorme valor.” Uma autenticidade que ajuda a explicar a crescente importância do setor. “Aquilo que entregam é muito difícil de substituir por outras ferramentas da comunicação e do marketing.”
Apesar da relevância económica da indústria dos eventos, continua a existir o desafio de demonstrar o seu verdadeiro retorno. Mais do que medir resultados imediatos, Rui Ochôa defende uma perspetiva mais ampla sobre o impacto gerado. “Os eventos, para serem bem-sucedidos, devem operar algum tipo de transformação nas pessoas que participam deles. Por isso, o desafio pode ser esse, o de medir o grau de transformação e assim conseguir validar a relevância de investir em eventos – desviando a atenção do que poderia ser encarado apenas como um custo.”
A tecnologia poderá, também aqui, desempenhar um papel relevante. “Um primeiro desafio é identificar os KPI, mas depois importa recolher os dados necessários sem que isso se transforme numa experiência penosa para os participantes.”
A capacidade de medir impacto, comportamento e mudança poderá ajudar a reforçar a perceção dos eventos como investimento estratégico e não apenas como despesa operacional.
A economia da atenção
É neste enquadramento que surge o tema da edição deste ano: “Competing for Attention”. Segundo Rui Ochôa, “todos nós, de alguma maneira, lidamos com este desafio. Como é que prendemos a atenção de quem está à nossa frente, sabendo nós que existe um claro défice de atenção, resultado em larga medida da quantidade de estímulos a que estamos sujeitos?”
Nos eventos, a questão assume contornos particularmente concretos. “Como é que se compete com o telemóvel, como é que nos destacamos entre tantos conteúdos, como é que nos diferenciamos da concorrência?” A resposta passa por procurar novas abordagens e aprender com exemplos que nascem dentro e fora da própria indústria.
Para estimular essa reflexão, o programa reúne especialistas de diferentes áreas e disciplinas. Entre os temas em destaque estarão a relação entre emoção e atenção, o papel criativo das agências de eventos, o crescimento de fenómenos comunitários como os running clubs e o Hyrox, os desafios da inteligência artificial, a sustentabilidade, o valor das relações humanas e as expectativas das novas gerações que estão a entrar no setor. O programa contará ainda com os keynotes de Gerd De Bruycker e Tupac Martir, além de workshops dedicados a áreas como vendas, produção de catering e bem-estar dos profissionais da indústria.
Ao mesmo tempo que os eventos se reinventam, Portugal continua a consolidar a sua posição enquanto destino para congressos, incentivos e encontros empresariais. Mas a concorrência internacional obriga a uma evolução constante. “Quando competimos com outros mercados maduros, é importante ir sempre um passo à frente, e não nos limitarmos a reagir”, afirma Rui Ochôa.
Essa evolução passa também pela capacidade de colaboração dentro do próprio setor. “Até mesmo os concorrentes podem partilhar ideias, experiências, dores, aprender uns com os outros, colaborar entre si. Se forem mais fortes como um todo, cada um deles lucrará individualmente”.
A inteligência artificial marcará o futuro da indústria. Já existem exemplos internacionais da utilização de “duplos digitais”, réplicas virtuais de participantes que permitem testar reações e experiências antes de um evento acontecer. “Estamos a assistir a uma etapa das nossas vidas que pode ser fascinante”, refere Rui Ochôa, sublinhando simultaneamente a importância da supervisão humana e de uma regulação adequada.
O digital é uma extensão da experiência, capaz de aumentar o seu alcance e prolongar o seu impacto no tempo. “O digital permite adicionar muitas outras camadas aos eventos em geral. Permite produzir e disseminar conteúdos, permite manter a presença de um evento junto dos seus públicos ao longo de um ano inteiro, se for necessário, e ajuda a construir comunidades.”
Com o apoio de Event Point