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Levar a indústria 4.0 às PME portuguesas

O projeto i4.0 – Lead the Digital Transformation pretende impulsionar a adoção de novos métodos de produção em setores tradicionais e tecnológicos. Uma aposta na transformação digital para potenciar a competitividade e a criação de valor da economia nacional.

26 de Outubro de 2021 às 10:58

Num mundo cada vez mais globalizado, é fundamental acompanhar os avanços e as tendências tecnológicas que estão a transformar profundamente os ecossistemas das empresas em diversos países. As mudanças são muitas e têm um grande impacto na produtividade e sustentabilidade dos negócios. Foi a pensar na indústria nacional que a Inova-Ria – uma rede de empresas de Aveiro que acelera a inovação –, a Associação Fraunhofer Portugal Research, instituição que se dedica à investigação aplicada, e a Sanjotec, o parque de ciência e tecnologia de São João da Madeira, decidiram promover uma estratégia de cooperação concertada entre os setores industriais tradicionais e as Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE).


É deste esforço conjunto que surge o projeto i4.0 – Lead the Digital Transformation. Trata-se de um roteiro que disponibiliza informação relacionada com a indústria 4.0 e que promove o intercâmbio de conhecimento e troca de experiências internacionais nas PME portuguesas.


A ideia principal por trás do i4.0 – Lead the Digital Transformation é "ajudar o tecido económico nacional a aumentar a competitividade no tecido económico nacional, procurando sensibilizar os empresários para a importância da presença digital e da incorporação tecnológica nos modelos de negócio e incentivar a inovação", explica Jorge Sequeira, presidente da direção da Sanjotec. Para atingir esse objetivo, é necessário "fomentar a adoção de metodologias, procedimentos e inovações tecnológicas da indústria 4.0 por parte das PME portuguesas, sendo complementados por um conjunto de ações que permitirão a transformação digital das PME industriais", complementa Hugo Grácio, New Business Development Manager da Fraunhofer Portugal.




Jorge Sequeira,
da Sanjotec



Hugo Grácio,
da Fraunhofer Portugal



Paulo Marques,
da Inova-Ria


A necessidade que as PME portuguesas têm de se preparar para estes novos desafios é premente, principalmente as que atuam nos setores mais tradicionais. Para estar à altura dos desafios é necessário acompanhar as ações que acontecem na transformação tecnológica e ter uma atenção pormenorizada dos seus efeitos nos diferentes setores de atividade. Uma ideia reforçada por Paulo Marques, gestor executivo da Inova-Ria, ao sublinhar que com este projeto querem "fomentar a inovação do tecido económico nacional, através do desenvolvimento de empresas e empreendedores". Para isso, é necessário apostar "na sensibilização dos empresários e dos decisores para a importância da transformação digital e dos modelos de negócio digitais, além de reforçar e expandir as redes de cooperação".


Todas as PME podem aderir ao projeto


O i4.0 – Lead the Digital Transformation não se destina apenas às empresas e parceiros representados pelos consorciados. Está aberto a todas as PME portuguesas que queiram aumentar ou reforçar a sua competitividade a nível internacional. O único requisito para que uma empresa usufrua do trabalho desenvolvido por este projeto é que encontre neste uma mais-valia para o seu próprio desenvolvimento enquanto ator do setor industrial português.


A apreensão de conceitos, a adoção de metodologias e a integração de tecnologias associadas à indústria 4.0 podem ser feitas por qualquer PME a nível nacional. Para tornar acessível este processo ao maior número de empresários e empreendedores, o projeto i4.0 - Lead the Digital Transformation promove várias ações como seminários, debates ou workshops, que podem ser assistidos remotamente. Os conteúdos são também disponibilizados por outras vias que não a presencial, nomeadamente através de streaming e no portal oficial do projeto.




A ideia dos responsáveis do projeto é promover e disseminar em larga escala este conhecimento, disponibilizando todas as ações, estudos, conceitos, metodologias, boas práticas, entre outras, garantindo a acessibilidade e a possibilidade de envolvimento das PME a nível nacional.


Durante e após o contacto com o i4.0 - Lead the Digital Transformation, pretende-se que o tecido empresarial tenha acesso a conhecimento especializado sobre procedimentos, metodologias e tecnologias associadas à indústria 4.0, sem nunca perder de vista os desafios específicos de cada empresa. Hugo Grácio espera que "haja uma capacitação das empresas, incentivando uma colaboração entre as empresas industriais e os provedores de tecnologia e conhecimento, tendo por objetivo captar, produzir e fomentar o acesso à informação e a ferramentas associadas às advanced manufacturing technologies por parte das PME".


Uma declaração que é reforçada por Jorge Sequeira: "A transição para sistemas inteligentes efetuada pelas PME não se revela um processo fácil e devidamente percecionado pelos players nacionais. Logo, pretende-se criar condições e fornecer ferramentas e informação que promovam a cooperação no setor, de forma a suprir as incertezas e as necessidades destas empresas em relação às transformações da indústria 4.0. Este projeto pretende dar resposta às lacunas do tecido industrial nacional ao nível da transformação digital dos negócios, contribuindo deste modo para o aumento da competitividade e qualificação dos mesmos".


Principais desafios da iniciativa


Todos os projetos têm sempre várias componentes associadas a risco. As dificuldades aparecem sempre e a sua mitigação é um constante desafio para os gestores de projeto.


A primeira grande contrariedade sentida foi a situação de saúde pública originada pela pandemia de covid-19 que, segundo Hugo Grácio, implicou a "impossibilidade da realização de ações públicas de apresentação, de promoção e de divulgação, bem como o cancelamento das necessárias deslocações em território nacional e internacional, atrasando diversas ações do projeto e prejudicando a qualidade expectável da sua execução".


O recurso a formas de comunicação digital foi a solução para ultrapassar esses constrangimentos, mas num regime diferente do inicialmente previsto na execução do projeto.


Jorge Sequeira identifica também dificuldades adicionais e transversais que constituem um desafio. São os casos do reduzido grau de ligação das empresas às instituições de ensino superior e o acesso a financiamento por parte das empresas para suporte à inovação, à internacionalização e ao empreendedorismo.



Adesão positiva


Apesar dos constrangimentos enumerados, os três representantes das entidades consorciadas consideram que a recetividade e a adesão das PME têm sido bastante positivas. "O setor industrial carece de evolução e de iniciativas de inovação e, apesar de haver exceções, a maioria das empresas procura a modernização como forma de enfrentar a concorrência global, estando muitas ainda em fases iniciais nesse caminho de renovação e transformação", explica Hugo Grácio.




Ações planeadas com as PME


A ideia base é disponibilizar às PME interessadas informação pertinente sobre o processo de modernização e os diversos passos a seguir por forma a estarem ao nível dos seus concorrentes mundiais diretos e das melhores práticas internacionais.


As vertentes que se pretendem explorar são várias, como a produção de documentação dirigida; estudos e literatura especializada – elaborados com base em pesquisa, inquéritos às empresas industriais, entrevistas, desk research e benchmarking. Também está contemplada a organização de seminários de capacitação com diferentes iniciativas de esclarecimento (debate, preparação, disseminação e difusão de informação crítica do tema Indústria 4.0) e a disponibilização de uma plataforma tecnológica que permita a completa digitalização dos processos industriais e de fácil integração com os sistemas produtivos. Esta plataforma será gratuita e adaptada à língua portuguesa.


Paulo Marques é perentório ao esclarecer que "não existem contrapartidas, nem as empresas ficam limitadas à participação noutros programas ligados à transformação digital a nível nacional ou internacional, pois o principal objetivo é que as mesmas obtenham conhecimento sobre esta matéria para que possam aplicar nos seus processos e metodologias internos".


Financiamento para promover a transformação digital


Modernizar as empresas implica um grande esforço financeiro por parte destas. Questionados sobre a possibilidade de as PME não serem capazes de aplicar o conhecimento absorvido no projeto devido a dificuldades financeiras, Paulo Marques diz que "seria desejável um acompanhamento vigoroso e assertivo ao apoio ao investimento para ajudar as empresas a atingir esse objetivo".


Hugo Grácio acrescenta que neste projeto, ao ser esta uma iniciativa de divulgação e de consciencialização das boas práticas e das metodologias apropriadas para a transformação digital da nossa indústria, seria suposto que esses mecanismos estivessem já assegurados.


Jorge Sequeira vai mais longe e esclarece que "todo o conhecimento, rede e sinergias criadas não terminarão após este projeto". Aliás, este projeto não financia algumas ações que seriam também fundamentais para reforçar os resultados, financiar a inovação e complementar esta abordagem estratégica. Por isso, "continuamos a olhar para outras oportunidades de financiamento que possam surgir, assim como potenciar a formação de consórcios e projetos comuns entre empresas e entidades do sistema científico e tecnológico, com vista a que este seja apenas o ponto de partida desta transformação digital que queremos liderar".


O papel do consórcio


Nesta rede de cooperação, a Associação Fraunhofer Portugal Research, através do Research Center for Assistive Information and Communication Solutions, fomenta a ligação entre as entidades empresariais e o setor de Investigação & Inovação (I&I), estimulando assim parcerias entre a comunidade científica e as empresas para que estas adotem métodos de trabalho e de industrialização cada vez mais eficientes e dinâmicos.


Por seu lado, a Sanjotec, enquanto Parque de Ciência e Tecnologia, espera que este projeto ajude a contribuir para a renovação da base empresarial local e para uma diversificação inteligente da mesma, impulsionando a inovação e a geração de valor económico, apoiando o tecido empresarial e a incubação de start-ups inovadoras de referência.



Este consórcio permitirá uma ligação estreita entre os setores e área de atuação dos promotores (Sanjotec e Inova-Ria), essencialmente pela atividade na área do conhecimento e tecnologia, enquanto a Fraunhofer Portugal Research apresenta uma mais-valia na componente de transferência tecnológica entre o setor industrial e as instituições científicas.


Importância dos fundos comunitários


Sendo os promotores deste projeto entidades sem fins lucrativos, os recursos humanos e financeiros são limitados, pelo que o cofinanciamento é fulcral para que as ações previstas sejam postas em prática. Neste cenário, o cofinanciamento do projeto pelo Compete 2020, Portugal 2020 e o Fundo Europeu do Desenvolvimento Regional da União Europeia, são fundamentais.


Na opinião de Paulo Marques, "diagnosticar constrangimentos, evidenciar desafios e apresentar soluções que globalmente ponham a nossa economia e as nossas PME no rumo da competitividade deve, em primeira instância, fazer parte das políticas públicas, assim como a disponibilização de recursos financeiros que as possam suportar".


Hugo Grácio complementa esta visão concluindo que "este tipo de ação se enquadra nas estratégias de desenvolvimento regional europeias e o seu financiamento cumpre o papel de redistribuição do investimento pelas diferentes regiões para a coesão e o desenvolvimento económico da UE, o que traz condições para se atingirem bons resultados".