A sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação da produção industrial para passar a abranger toda a cadeia de valor da indústria da beleza, da formulação e fabrico à utilização dos produtos pelos consumidores. É esta a lógica da estratégia L’Oréal for the Future, lançada em 2020 e assente em quatro eixos: clima, natureza, circularidade e apoio às comunidades.
“A beleza deve ser sustentável não só para quem a cria e para quem a usa, mas também para o mundo”, defende Gonçalo Nascimento, country coordinator do L’Oréal Groupe em Portugal. Na vertente social, o responsável aponta o Fundo L’Oréal para as Mulheres, que, desde 2020, investiu 80 milhões de euros e trabalhou com 150 organizações não governamentais para apoiar mais de cinco milhões de mulheres e raparigas em risco de exclusão.
Nos salões de cabeleireiro, a estratégia concretiza-se através do programa Hairstylists for the Future, centrado na redução do consumo de água e energia e na gestão dos resíduos. Um dos exemplos é o chuveiro L’Oréal Professionnel Water Saver, desenvolvido com a empresa suíça Gjosa, que permite reduzir até 69% o consumo de água na lavagem do cabelo. A empresa destaca ainda o secador AirLight Pro, que recorre à tecnologia de luz infravermelha e pode consumir até menos 19% de energia.
A terceira vertente do programa passa pela recolha e valorização de resíduos nos salões, incluindo embalagens, tubos de alumínio, plásticos e cabelo. A intenção é tornar os profissionais do setor participantes ativos na transição para práticas mais circulares.
A fábrica de Burgos, em Espanha, onde são produzidos produtos capilares para as divisões profissionais e de grande consumo, é apresentada pelo grupo como uma referência desta abordagem. A unidade funciona com energia 100% renovável desde 2015 e tornou-se, em 2017, a primeira fábrica do L'Oréal Groupe a cobrir 100% das suas necessidades industriais com água reciclada ou reutilizada em circuito fechado. Na prática, a água é utilizada como matéria-prima nos produtos e para consumo humano, enquanto a restante água usada em processos como a lavagem de equipamentos, aquecimento e refrigeração é tratada e reutilizada em circuito fechado.
Os formatos de recarga e refill são outra das frentes da estratégia, ao reduzirem a quantidade de material necessária por produto e procurarem alterar hábitos de consumo. “Estamos a trabalhar muito nesse sentido para conseguir também levar o consumidor connosco, alterar alguns dos seus comportamentos para uma utilização mais sustentável”, afirma Ana Sofia Amaral, diretora científica e líder de RSC do L’Oréal Groupe em Portugal.
A ambição passa, assim, por associar desempenho, inovação e sustentabilidade numa indústria em que uma pequena mudança no consumo de água, energia ou embalagens pode ter impacto à escala de milhões de utilizações.