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Quando a ciência ganha rosto feminino

As Medalhas de Honra L’Oréal Portugal continuam a transformar talento científico em impacto real. As candidaturas já estão abertas para a próxima edição do projeto Mulheres na Ciência.

23 de Dezembro de 2025 às 14:52

A ciência feita em Portugal tem vindo a afirmar-se pela qualidade, pela capacidade de inovação e pelo impacto social. Ainda assim, para muitas jovens investigadoras, sobretudo em fases iniciais da carreira, o caminho continua marcado pela instabilidade, pela escassez de financiamento e pela dificuldade em conciliar investigação de excelência com diferentes momentos de vida pessoal. É neste contexto que o programa Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência assume um papel estruturante, ao apoiar projetos científicos liderados por mulheres e ao dar-lhes visibilidade pública e institucional.

Criada em 2004, no âmbito da parceria entre a L’Oréal Portugal e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a iniciativa já distinguiu mais de 70 investigadoras em Portugal e integra o programa internacional L’Oréal–UNESCO For Women in Science, que apoiou mais de 4.400 mulheres em 110 países.

Na 21.ª edição, em 2024-2025, quatro cientistas foram reconhecidas com bolsas individuais de 15 mil euros, num investimento total de 60 mil euros em investigação científica nas áreas da saúde e da sustentabilidade. Entre elas estão Céline Gonçalves e Patrícia Henriques, cujos projetos ilustram bem como a ciência pode responder a desafios clínicos, económicos e sociais concretos.

Ana Rita Lopes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; Patrícia Henrique, do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde – Universidade do Porto; Paola Alberte, do IST-ID, Instituto Superior Técnico e Céline Gonçalves, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), Universidade do Minho

Ao mesmo tempo, a iniciativa entra agora numa nova fase: as candidaturas à próxima edição do programa Mulheres na Ciência, da L'Oréal, estão abertas desde 9 de dezembro e decorrem até 30 de janeiro, mantendo o foco em estudos avançados de pós-doutoramento e reforçando a aposta numa ciência mais diversa, representativa e sustentável.

Um programa que apoia carreiras científicas em momentos decisivos

As Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência destinam-se a investigadoras doutoradas há menos de cinco anos e até aos 35 anos (com extensão do limite em função do número de filhos). O objetivo vai além do financiamento pontual: trata-se de criar condições para que projetos promissores não fiquem pelo caminho numa fase particularmente vulnerável da carreira científica.

Além do apoio financeiro, o programa oferece algo igualmente relevante: reconhecimento público, validação científica independente e visibilidade fora da academia. Num sistema científico competitivo e com recursos limitados, estas distinções funcionam como um selo de qualidade que facilita colaborações, acesso a financiamento futuro e diálogo com parceiros clínicos e industriais.

Diagnosticar melhor para tratar melhor: Céline Gonçalves e a investigação que procura mudar a abordagem ao glioblastoma

Investigadora no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), da Universidade do Minho, Céline Gonçalves desenvolve o projeto EVision, centrado no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais comum e agressivo em adultos.

A investigação parte de um problema bem conhecido na prática clínica: a dificuldade em diagnosticar precocemente e monitorizar a evolução da doença com os métodos atuais, que recorrem sobretudo a exames de imagem e a procedimentos invasivos. O projeto EVision propõe uma abordagem complementar, baseada na análise de vesículas extracelulares libertadas pelas células tumorais para o sangue. Estas estruturas microscópicas transportam informação molecular valiosa e podem funcionar como uma “impressão digital” do tumor.

Para a investigadora, o prémio teve também um significado pessoal. “Aconteceu numa fase particularmente exigente, no regresso da licença de maternidade, e foi um incentivo muito forte para continuar”, explica. Do ponto de vista profissional, sublinha a importância da validação externa: o reconhecimento por um júri científico independente reforça a credibilidade do projeto e facilita o diálogo com a comunidade científica e clínica.

O impacto potencial é significativo. Métodos menos invasivos e mais precisos podem permitir ajustes terapêuticos mais rápidos, evitar tratamentos ineficazes e melhorar a qualidade de vida dos doentes, contribuindo também para uma utilização mais racional dos recursos de saúde.

Projeto EVision O que distingue esta abordagem? Analisa biomarcadores no sangue, complementando os métodos tradicionais de imagem.

Em que fase está a investigação? Numa fase pré-clínica, com resultados promissores que suportam esta nova etapa do projeto.

Que impacto pode ter no futuro? Melhor monitorização do glioblastoma e potencial aplicação a outros cancros.
Céline Gonçalves

Inovação clínica com impacto económico: Patrícia Henriques e uma solução sustentável para prevenir infeções

No i3S — Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, da Universidade do Porto, Patrícia Henriques lidera o desenvolvimento da GOcap®, um dispositivo inovador para a desinfeção de cateteres de hemodiálise.

A tecnologia responde a um problema crítico: as infeções associadas a cateteres continuam a ser uma das principais causas de internamento, mortalidade e custos hospitalares em doentes em hemodiálise. A GOcap® funciona como uma tampa aparentemente convencional, mas integra óxido de grafeno ativado por luz próxima do infravermelho, eliminando bactérias sem recurso a antibióticos.

Além do benefício clínico, o projeto tem uma dimensão económica clara. A prevenção eficaz reduz internamentos, consumo de antibióticos e substituição de dispositivos, libertando recursos num sistema de saúde sob crescente pressão. “Este prémio valida a robustez científica do projeto e reforça a investigação aplicada e translacional, pensada para sair do laboratório e chegar às pessoas”, explica Patrícia Henriques.

A investigadora destaca ainda a flexibilidade do financiamento, que permite investir não só no desenvolvimento tecnológico, mas também em validação de mercado, estratégia regulatória e preparação para a adoção clínica.

Projeto GOcap® Porque é inovador? Protege ativamente o interior do cateter, ao contrário das soluções convencionais

É uma alternativa sustentável? Sim. É reutilizável no mesmo doente e reduz o uso de antibióticos e desperdício hospitalar.

Qual o próximo passo? Validação clínica preliminar prevista para 2026, com vista à marcação CE.
Patrícia Henriques

Candidaturas abertas: investir hoje na ciência de amanhã

A próxima edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência mantém o mesmo enquadramento da anterior. O júri científico, coordenado por Alexandre Quintanilha, está a ser ultimado pela FCT, e as candidaturas decorrem até 30 de janeiro.

Para as vencedoras, a mensagem é clara: candidatar-se vale a pena. “Se não nos candidatarmos, o resultado é garantidamente negativo”, lembra Céline Gonçalves. Patrícia Henriques reforça que o processo, por si só, já é transformador: “Ajuda a clarificar o projeto e a comunicar melhor o seu impacto”.

Num país que procura crescer através do conhecimento, este programa continua a mostrar que apoiar mulheres na ciência não é apenas uma questão de equidade, é uma aposta estratégica no futuro económico e social de Portugal.


Q&A | Projeto Evision

Diagnóstico e monitorização do glioblastoma

Em que consiste, afinal, o projeto EVision e que problema clínico procura resolver?

O projeto EVision centra-se no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais comum e agressivo em adultos, cuja taxa de sobrevivência continua muito baixa. Um dos principais desafios clínicos é a dificuldade em diagnosticar precocemente a doença e, sobretudo, em acompanhar a sua evolução ao longo do tempo. Atualmente, a monitorização baseia-se essencialmente em exames de imagem e procedimentos invasivos, que nem sempre refletem de forma precisa o comportamento biológico do tumor.

O que distingue esta abordagem das técnicas atualmente utilizadas na prática clínica?

O EVision propõe uma abordagem complementar e menos invasiva, baseada na análise de vesículas extracelulares libertadas pelas células tumorais para o sangue. Estas vesículas transportam informação molecular relevante sobre o tumor. Ao comparar as vesículas presentes no tecido tumoral e no sangue dos mesmos doentes, o projeto procura identificar uma “assinatura molecular” específica do glioblastoma, detetável através de uma simples análise sanguínea.

Em que fase se encontra a investigação e que resultados já existem?

A investigação encontra-se numa fase pré-clínica, com resultados preliminares promissores que sustentam esta nova etapa do projeto. O trabalho agora premiado irá aprofundar a análise sistemática destas vesículas, consolidar dados e validar a robustez da assinatura molecular identificada, um passo essencial antes de qualquer aplicação clínica.

Que impacto pode ter um diagnóstico mais precoce e uma monitorização mais eficaz?

Um diagnóstico mais precoce e um acompanhamento mais rigoroso da evolução da doença podem permitir ajustes terapêuticos mais rápidos, evitar tratamentos ineficazes ou desnecessários e reduzir procedimentos invasivos. Em última instância, isto pode traduzir-se numa melhoria da qualidade de vida dos doentes e numa utilização mais eficiente dos recursos do sistema de saúde.

Esta tecnologia poderá vir a ser aplicada a outras doenças?

Sim. Se for validada no contexto do glioblastoma, a metodologia desenvolvida no EVision poderá servir de base para aplicações noutras doenças oncológicas, contribuindo para uma medicina mais personalizada, preventiva e centrada no doente.


Q&A | Projeto GOcap®

Prevenção de infeções em hemodiálise sem antibióticos

Que problema concreto pretende resolver o dispositivo GOcap®?

A GOcap® foi desenvolvida para reduzir infeções graves associadas a cateteres de hemodiálise, uma complicação frequente em doentes com insuficiência renal crónica. Estas infeções têm um impacto elevado na mortalidade, conduzem a internamentos prolongados e representam custos significativos para os sistemas de saúde.

O que torna esta solução verdadeiramente inovadora no contexto hospitalar?

Atualmente, os cateteres são protegidos por tampas plásticas descartáveis, sem qualquer atividade antimicrobiana. A GOcap® introduz uma proteção ativa: integra óxido de grafeno, um material à base de carbono, que é ativado por luz próxima do infravermelho. Esta ativação elimina bactérias que possam entrar no cateter durante a ligação e desligação do doente à máquina de hemodiálise, sem recurso a antibióticos.

Porque é relevante uma abordagem sem antibióticos?

A resistência aos antibióticos é um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. Ao prevenir infeções sem recorrer a antibióticos, a GOcap® contribui para reduzir a sua utilização, ajudando a mitigar este problema global, ao mesmo tempo que protege doentes particularmente vulneráveis.

Quais são as vantagens económicas e ambientais desta tecnologia?

Além do potencial impacto clínico, a GOcap® é reutilizável no mesmo doente, o que reduz o consumo de descartáveis e o desperdício hospitalar. A prevenção eficaz de infeções traduz-se também em menos internamentos, menos exames e menos substituição de cateteres. As estimativas do projeto apontam para poupanças potenciais na ordem dos milhares de milhões de euros por ano no contexto europeu.

Em que fase está o processo de transferência para o mercado?

A tecnologia foi desenhada desde início com foco na escalabilidade. O protótipo funcional está em fase final de otimização, existem parcerias industriais para produção em larga escala e a tecnologia está protegida por patente. O próximo passo será a validação clínica preliminar, prevista para 2026, que suportará o percurso regulatório e a adoção hospitalar, incluindo a marcação CE.


Se é uma jovem investigadora com um projeto científico inovador nas áreas da saúde ou do ambiente, esta é a sua oportunidade: as candidaturas às Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência estão abertas até 30 de janeiro, no site da FCT. O próximo avanço da ciência pode começar consigo.

 

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