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Há uma nova revolução digital em marcha

A IA está a revolucionar as infraestruturas digitais. A capacidade das redes passou a ser só mais uma peça num puzzle cada vez mais complexo, onde a relevância de cada geografia também está a mudar. As oportunidades para países como Portugal são grandes.

08 de Outubro de 2026 às 15:52
Fórum Internacional Atlantic Convergence
Fórum Internacional Atlantic Convergence CStudio

Lisboa voltou a acolher o fórum internacional Atlantic Convergence, que em 2026 chegou à terceira edição e reuniu na capital portuguesa representantes de 700 empresas de 80 países, num total de 1400 participantes. “Construindo infraestruturas digitais sustentáveis e seguras para impulsionar um futuro movido pela IA” foi o mote para os debates desta terceira edição, onde ficou claro que a próxima fase da economia digital não será definida apenas pela capacidade de acrescentar mais infraestrutura às redes de conectividade que ligam o mundo. Os holofotes apontam-se agora ao desafio de fazer destas infraestruturas redes integradas, resilientes, sustentáveis, seguras e interoperáveis.

O fórum Atlantic Convergence é promovido pela DE-CIX, com o apoio de um conjunto de parceiros - AtlasEdge, EllaLink, Interfiber Networks, Nokia e MEO Wholesale Solutions, um dos membros fundadores da iniciativa.

A importância do ecossistema

Conectividade, data centers, energia, cabos submarinos, redes terrestres, infraestruturas espaciais e edge computing são cada vez mais peças de um mesmo puzzle, que terão de se articular num mesmo ecossistema. Só assim - e com uma Europa a falar a uma só voz na regulação e nas políticas públicas - será possível responder às necessidades de um mercado que a IA está a redefinir completamente, como se sublinhou em diferentes momentos dos debates.

O desafio de responder a estas necessidades passa hoje menos pela capacidade que as redes têm ou podem oferecer, do que pelos serviços que essa conectividade pode suportar e pelas condições em que conseguem fazê-lo. Soberania digital e diversidade geográfica das redes e dos pontos de interconexão de tráfego serão temas cada vez mais críticos, numa economia digital onde a latência quase sempre interessa e a proximidade dos dados é cada vez mais relevante.

Fórum Internacional Atlantic Convergence
Intervenção de Ana Carla Sousa, Wholesale Director da MEO Wholesale Solutions, no fórum internacional CStudio

As palavras mais fortes do evento

Cooperar, colaborar, fazer convergir e integrar foram palavras fortes e muito presentes nesta edição do Atlantic Convergence, onde nem por isso deixou de se destacar a necessidade de continuar a desenvolver novas rotas de tráfego, por terra e por mar, e de valorizar o potencial da complementaridade e integração de tecnologias. Mas também, e sobretudo, a capacidade de desenvolver redes e serviços que atendam às novas necessidades do mercado.

É precisamente aqui que as oportunidades para os países à beira do Atlântico, como Portugal, se renovam. O país já não é apenas um ponto de passagem de rotas críticas para a conectividade global. Será cada vez mais uma das geografias onde esse tráfego pára e é trabalhado, uma enorme oportunidade para escalar rapidamente nesta cadeia de valor.

COMO CONSTRUIR UMA INFRAESTRUTURA DIGITAL PREPARADA PARA O QUE VEM A SEGUIR? Ana Figueiredo, CEO da MEO, foi uma das personalidades que abriu o evento, lançando uma das questões que acabaria por dominar os dois dias de debates: “Como podemos construir uma infraestrutura digital preparada para o que vem a seguir?” A responsável assegurou que a MEO tem-se posicionado para assumir cada vez mais um papel de destaque neste domínio, com investimentos a vários níveis e parcerias estratégicas, que visam contribuir para transformar a posição estratégica de Portugal numa real vantagem competitiva para a economia digital. Deixou exemplos, passando em revista anúncios recentes como a parceria da operadora com a Google no cabo submarino Nuvem; o investimento no cabo submarino PISCES; a interligação de redes com a AXENT para reforçar a conectividade Lisboa - Madrid, já concluída; ou a parceria com a Eutelsat, para complementar opções de conectividade da sua rede. A responsável lembrou que cada pequeno passo contribui para tornar Portugal no centro digital Atlântico da Europa, uma oportunidade que as necessidades de IA estão a redefinir e a acelerar. “As necessidades da IA transformam todos os investimentos em mais urgentes”, sublinhou, destacando tópicos como a segurança, a resiliência e a soberania digital e lembrando que “aos desafios que temos pela frente nenhuma empresa, nem nenhum país consegue responder sozinho”.

MEO E ASTEO vão ter novos serviços ibéricos de conectividade

Neste evento, a MEO assinou um Memorando de Entendimento para um acordo estratégico de cooperação a longo prazo com a ASTEO, que vai abrir caminho ao lançamento de novos serviços de conectividade nas regiões norte e centro da Península Ibérica. A colaboração vai explorar a complementaridade da infraestrutura de longo curso que a ASTEO está a implementar, com a rede e capacidades grossistas da MEO.

A oferta resultante deve incluir serviços como fibra escura, comprimentos de onda de alta capacidade e soluções DWDM, bem como serviços de conectividade personalizados.

O objetivo do acordo é expandir a diversidade de rotas e a resiliência da conectividade na região, para clientes com requisitos de conectividade segura, resiliente e de alta capacidade, como hyperscalers, data centers, ou fornecedores de serviços na nuvem e infraestruturas de IA. A ASTEO (projeto Venus) está a criar um novo corredor de conectividade de longo curso, que vai ligar a costa Atlântica e a Península Ibérica a Madrid e, progressivamente, à Europa Central.

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