Lisboa voltou a acolher o fórum internacional Atlantic Convergence, que em 2026 chegou à terceira edição e reuniu na capital portuguesa representantes de 700 empresas de 80 países, num total de 1400 participantes. “Construindo infraestruturas digitais sustentáveis e seguras para impulsionar um futuro movido pela IA” foi o mote para os debates desta terceira edição, onde ficou claro que a próxima fase da economia digital não será definida apenas pela capacidade de acrescentar mais infraestrutura às redes de conectividade que ligam o mundo. Os holofotes apontam-se agora ao desafio de fazer destas infraestruturas redes integradas, resilientes, sustentáveis, seguras e interoperáveis.
A importância do ecossistema
Conectividade, data centers, energia, cabos submarinos, redes terrestres, infraestruturas espaciais e edge computing são cada vez mais peças de um mesmo puzzle, que terão de se articular num mesmo ecossistema. Só assim - e com uma Europa a falar a uma só voz na regulação e nas políticas públicas - será possível responder às necessidades de um mercado que a IA está a redefinir completamente, como se sublinhou em diferentes momentos dos debates.
O desafio de responder a estas necessidades passa hoje menos pela capacidade que as redes têm ou podem oferecer, do que pelos serviços que essa conectividade pode suportar e pelas condições em que conseguem fazê-lo. Soberania digital e diversidade geográfica das redes e dos pontos de interconexão de tráfego serão temas cada vez mais críticos, numa economia digital onde a latência quase sempre interessa e a proximidade dos dados é cada vez mais relevante.
As palavras mais fortes do evento
Cooperar, colaborar, fazer convergir e integrar foram palavras fortes e muito presentes nesta edição do Atlantic Convergence, onde nem por isso deixou de se destacar a necessidade de continuar a desenvolver novas rotas de tráfego, por terra e por mar, e de valorizar o potencial da complementaridade e integração de tecnologias. Mas também, e sobretudo, a capacidade de desenvolver redes e serviços que atendam às novas necessidades do mercado.
É precisamente aqui que as oportunidades para os países à beira do Atlântico, como Portugal, se renovam. O país já não é apenas um ponto de passagem de rotas críticas para a conectividade global. Será cada vez mais uma das geografias onde esse tráfego pára e é trabalhado, uma enorme oportunidade para escalar rapidamente nesta cadeia de valor.
MEO E ASTEO vão ter novos serviços ibéricos de conectividade
Neste evento, a MEO assinou um Memorando de Entendimento para um acordo estratégico de cooperação a longo prazo com a ASTEO, que vai abrir caminho ao lançamento de novos serviços de conectividade nas regiões norte e centro da Península Ibérica. A colaboração vai explorar a complementaridade da infraestrutura de longo curso que a ASTEO está a implementar, com a rede e capacidades grossistas da MEO.
A oferta resultante deve incluir serviços como fibra escura, comprimentos de onda de alta capacidade e soluções DWDM, bem como serviços de conectividade personalizados.
O objetivo do acordo é expandir a diversidade de rotas e a resiliência da conectividade na região, para clientes com requisitos de conectividade segura, resiliente e de alta capacidade, como hyperscalers, data centers, ou fornecedores de serviços na nuvem e infraestruturas de IA. A ASTEO (projeto Venus) está a criar um novo corredor de conectividade de longo curso, que vai ligar a costa Atlântica e a Península Ibérica a Madrid e, progressivamente, à Europa Central.