APPII: Liquidação do IVA pelo promotor exige ferramentas na nova lei

O dirigente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) sublinha que "é necessário avaliar com detalhe os impactos práticos" das medidas agora vertidas pelo Governo em proposta de lei.
Miguel Baltazar
Lusa 03 de Dezembro de 2025 às 19:13

A associação de promotores e investidores imobiliários considera que a atribuição da responsabilidade da liquidação do IVA ao promotor exige que a legislação dê ferramentas para pôr em prática este mecanismo no pacote habitacional do Governo, segundo o presidente executivo.

Nas propostas que o Governo enviou ao parlamento para resolver a crise da habitação, o benefício fiscal da redução do IVA de 23% para 6% na construção é dado diretamente aos promotores imobiliários mas, ao contrário do que sucede atualmente, estes passam a ser obrigados a liquidar o imposto. Até agora, essa responsabilidade podia ser do empreiteiro.

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Em resposta escrita enviada à Lusa, o dirigente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) sublinha que "é necessário avaliar com detalhe os impactos práticos" das medidas agora vertidas pelo Governo em proposta de lei.

"Estamos a analisar as duas propostas legislativas, que são extensas, para compreender se esta solução é exequível e justa para todas as partes", justifica Manuel Maria Gonçalves.

A proposta de lei para reduzir o IVA na construção de casas para venda ou arrendamento a preços moderados dá ao fisco 150 dias para devolver a diferença entre o IVA de 23% e 6%, sempre que os proprietários construírem ou reabilitarem imóveis destinados à habitação e venderem a casa até 648 mil euros ou se arrendarem o imóvel praticando uma renda mensal não superior 2.300 euros mensais.

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De acordo com o diploma, será também o promotor a garantir que os imóveis que beneficiarem do IVA reduzido serão mesmo vendidos ou arrendados aos valores definidos pelo Governo como moderados, no prazo de dois anos.

O CEO da APPII, embora afirme que "o objetivo é compreensível", entende que "qualquer mecanismo de controlo deve ser claro, simples e proporcional, evitando criar entraves adicionais ao investimento. É fundamental garantir que estas condições não se traduzam em mais burocracia ou incerteza, sob pena de comprometer o efeito positivo da medida".

Outro ponto da proposta, onde se estipula que a taxa reduzida de 6% no IVA apenas se aplicará a construções cujo procedimento administrativo seja posterior a 23 de setembro de 2025, "é uma questão que merece reflexão", com aquele dirigente da APPII a defender que "qualquer critério temporal deve ser transparente e justificado".

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"Estamos a analisar se esta data não penaliza projetos já em curso, o que poderia criar situações de desigualdade. É um ponto que iremos acompanhar de perto", adianta Manuel Gonçalves.

O CEO da APPII destaca "os sinais positivos" deste pacote legislativo, nomeadamente a redução do IVA na construção e a descida da tributação fiscal das rendas, mas considera que essas medidas "não resolvem, só por si, os problemas estruturais da habitação".

"É urgente avançar com reformas profundas: simplificação dos licenciamentos, cedência de terrenos públicos e uma estratégia nacional estável. Só assim conseguiremos aumentar a oferta e garantir preços acessíveis", diz.

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O mesmo responsável defende "a implementação definitiva da PEPU -- Plataforma Eletrónica dos Procedimentos Urbanísticos", que considera "determinante para garantir transparência e monitorização dos processos".

"Sem ferramentas digitais robustas, será difícil assegurar que estas medidas cumprem os objetivos definidos", conclui.

Em comunicado enviado à Lusa, o presidente da APPII, Hugo Santos Ferreira, sublinha que a decisão de avançar com um pacote de medidas fiscais para estimular a oferta habitacional é "uma decisão corajosa e há muito aguardada pelo setor, mas que não resolve, por si só, os problemas estruturais da habitação em Portugal".

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A medida que agrava para 7,5% a taxa de IMT para não residentes é vista como "contraproducente para a credibilidade internacional do país" e "preocupante, pois pode dar um sinal contrário ao investimento estrangeiro", adianta.

A associação reforça que "as medidas são um sinal político importante, mas não suficientes para baixar preços no imediato".

"É urgente avançar com soluções estruturais, incluindo a cedência de terrenos públicos para construção de habitação acessível, a modernização dos processos de licenciamento" e a "implementação da PEPU -- Plataforma Eletrónica dos Procedimentos Urbanísticos, que será determinante para simplificar e acelerar os processos de urbanismo e construção", indica ainda o comunicado.

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* Nova versão para corrigir o primeiro parágrafo após pedido de retificação pela fonte das declarações escritas enviadas à Lusa

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