Argentina reuniu-se pela primeira vez cara a cara com credores
As reuniões com o mediador nomeado pela justiça norte-americana prolongaram-se terça-feira por mais de cinco horas, contaram com a participação de última hora do ministro da Economia argentino que voou para Nova Iorque para se encontrar pela primeira vez cara a cara com os representantes dos credores que querem receber por completo o valor das obrigações referentes à dívida reestruturada em 2005 e 2010. O incumprimento só será evitado se a Argentina conseguir um acordo antes da meia noite em Nova Iorque, cinco horas de quinta-feira em Lisboa.
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Terça-feira, no final da reunião, Alex Kicillof, o ministro da Economia, disse apenas que as "negociações continuam" e que "passaram a outra fase", apontando uma nova tentativa de acordo durante o dia de hoje, escreve o jornal argentino Clarin. Dan Pollack, o mediador, emitiu um comunicado a afirmar apenas que as partes não tinham ainda chegado a um acordo.
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A possibilidade de incumprimento da Argentina – o segundo em 13 anos e o quinto na história do país – era ontem vista como muito provável. O seu impacto na economia internacional foi desvalorizada por vários bancos de investimento e pelo FMI.
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O caso prolonga-se desde meados de Junho quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos reafirmou a sentença do juiz Thomas Griesa de que a Argentina não poderia pagar os cupões devido aos credores que aceitaram a reestruturação de 2005 e 2010 (e que representam 93% do total) sem antes pagar na totalidade a dívida e juros aos credores que recusaram as condições da reestruturação. Nestes 7% incluem-se dois fundos de investimento conhecidos por fazerem dinheiro exactamente neste tipo de negócio – o que tem levado o Governo de Cristina Krichner a apelidá-los de "abutres".
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O prazo para o pagamento dos cupões (539 milhões de euros) acabou a 30 de Junho, mas a lei concede 30 dias de tolerância ao devedor, antes de se declarar um incumprimento. O prazo limite para o pagamento esgota-se assim à meia noite desta quarta-feira em Nova Iorque, cinco horas da manhã de quinta-feira em Lisboa.
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Os dois fundos credores que não aceitaram a reestruturação pretendem receber 1,33 mil milhões de dólares e têm a lei norte-americana do seu lado. A totalidade da dívida não reestruturada vale perto de 15 mil milhões de dólares.
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A Argentina diz que não poderá pagar por várias razões, mas uma das principais é a de que uma das cláusulas dos contratos da dívida que foi reestruturada com perdas de até 70% para os credores estabelece que, pelo menos até ao final de 2014, o Estado argentino não poderá oferecer a outros credores condições melhores. Se o fizer, então terá de tratar todos por igual, e nesse caso passam a estar em causa pelo menos 120 mil milhões de dólares. A totalidade das reservas externas do País vale apenas 29 mil milhões.
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